Vista da Ocean Blvd em Santa Monica

A maioria dos países com grande número de casos e mortes de coronavírus vem constatando uma diminuição de contaminados todos os dias, como é o caso da Itália, Espanha, França, Alemanha, Turquia e, se você acredita nos números oficiais, na China.

Mas isso não vem acontecendo nos Estados Unidos (e também no Brasil). Aqui nos EUA – onde a maioria de nossos leitores está -, o número de novos casos confirmados e mortes caiu muito pouco nas últimas semanas. Todos os dias, desde 2 de abril, ocorrem pelo menos 22.000 novos casos e 1.000 mortes em todo território americano.

Agora, com muitos estados se preparando para reabrir suas economias, é provável que o número comece a subir novamente, de acordo com uma previsão do próprio governo Trump que projeta cerca de 3.000 mortes por dia para o primeiro dia de junho.

Por que os Estados Unidos falharam em reduzir o número de casos tanto em relação à maioria dos países? A resposta não é completamente clara, dada a complexidade do vírus. Mas o principal fator, dizem muitos especialistas, é a natureza desigual da resposta dos EUA – como a falta de testes suficientes na maioria dos condados e estados até agora e uma abordagem mista de distanciamento social.

Uma boa maneira de analisar os EUA seria observar o número de casos da cidade de Nova York. A grande maca foi atingida com mais força do que qualquer outra cidade do mundo graças ao grande número de visitantes estrangeiros, à alta densidade populacional e à lenta resposta inicial de seus  líderes políticos.

Mas Nova York, desde então, apresentou um distanciamento social bastante rigoroso, e sua tendência de carga de casos se parece com a de um país europeu: de cima para baixo. Mas a história é diferente no resto dos Estados Unidos. Fora da região metropolitana de Nova York, o número de casos ainda não atingiu o seu pico. Note o gráfico do New York Times comparando o estado com o resto do país entre os dias 1 de março e 3 de maio.

Muitos estados americanos começaram a abrir a economia de forma gradual principalmente os considerados republicanos, como Texas, o que tem deixado não só comunidade, como autoridades preocupadas. Aqui onde estamos, na Califórnia, o governador Gavin Newson continua a  implementação da estrutura de quatro estágios para permitir que os californianos reabram gradualmente algumas empresas e espaços públicos de baixo risco, preservando, em primeiro lugar, a saúde.

O prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, iria na contramão do governador da Califórnia nessa nova decisão, só aprovando a ida de L.A. para a fase 2 a partir do dia 15 de maio – data original pré-estabelecida. Porém, na quarta-feira (06) à noite, em seu pronunciamento diário, voltou atrás na decisão e informou que o condado de Los Angeles iria seguir a sugestão do governador Newson para a implementação da fase 2 na qual alguns negócios e serviços voltam a abrir, como lojas de varejo, do segmento moda e acessórios, livrarias e floriculturas, entre outros serviços não essenciais, mas com algumas restrições e que se implemente as medidas de prevenção contra o coronavírus.

Essa reativação econômica, denominada de “fase 2”, da Califórnia é para empresas e negócios considerados de menor risco. Da mesma forma, o governador apontou que esse movimento está sujeito a modificações de acordo com o comportamento da curva de contágio do coronavírus. Empresas e negócios consideradas de maior risco, como salões de beleza e academias de ginástica, escritórios e serviços em bares e restaurantes não entram nesse estágio e devem ser reativados em uma etapa 3 ainda não divulgada.

O governador, inclusive, chegou a divulgar um boletim mostrando como o estado avançou no combate ao coronavírus em um número de categorias como internação estabilizada, número de pacientes em UTI e aquisição de respiradores.

Enquanto muitos aplaudem as ações de governo e prefeituras no combate ao coronavírus, diversos manifestantes se reúnem regularmente em Huntington Beach, por exemplo, para protestar contra as regras adotadas pelo estado da Califórnia. No sábado (09), uma multidão de cerca de 1.500 pessoas protestou pedindo que não apenas o estado, mas o país por completo reabra todos os setores do comércio. Manifestações semelhantes também ocorreram no último final de semana em San Clemente, Newport Beach e Laguna Beach.

Alguns negócios optaram por reabrir, desafiando as ordens, incluindo um restaurante com tema de surfe em San Clemente que, segundo informações, ficou tão ocupado que ficou sem comida para servir. As praias do condado também se tornaram uma controvérsia no mês passado quando Newsom ordenou o fechamento temporário após algumas ficarem lotados de visitantes durante uma onda de calor. Muitas autoridades locais contestaram publicamente a decisão, dizendo que os banhistas seguiam regras de distanciamento social e as fotos de notícias que mostravam multidões eram enganosas.

As praias foram reabertas depois que as autoridades locais concordaram em permitir apenas que atividades esportivas e de recreação, sem aglomeração, acontecessem. Porém as cidades de Huntington Beach e Newport Beach estão avançando com um processo contra o estado contestando o fechamento temporário de Newsom e abuso de autoridade.

 

 

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