Após quase 20 anos, o Itunes, software de jukebox da Apple, chegará ao fim. Com a chegada do cOS 10.15 Catalina, as principais funções do iTunes serão separadas em três aplicativos — Música, TV e Podcasts —, colocando um fim aos 18 anos de domínio do programa dentro do ecossistema de software e hardware da Apple.

Lançado em abril de 2003, ele se tornou a principal plataforma de compra e venda da indústria da música, com um milhão de faixas comercializadas apenas na primeira semana. Hoje, sua substituição pelo Finder e os novos apps Apple Music, TV e Podcasts é vista com bons olhos por usuários de Mac. Segundo a Apple, o iTunes deverá ser completamente desligado no outono americano (primavera brasileira). Contudo, ele sobreviverá no Windows – ao menos por enquanto.

Como software de música, o iTunes chegou bem antes da loja de música com a qual se tornou sinônimo, mas foi a forte integração desses três pilares que o tornou um software tão formidável. Com ele era possível comprar uma faixa por apenas 99 centavos, extrair um pouco mais de um CD, organizá-los em uma lista de reprodução e depois sincronizá-los rapidamente com o seu iPod (lembra dele?), tudo com o mesmo software.

Em seu auge, o iTunes se tornou o modelo de como as pessoas poderiam fazer o download legal da mídia, facilitando significativamente o pagamento pela música, em vez de roubá-la dos sites de compartilhamento de arquivos mais antigos, como foi o caso do Napster. Graças à popularidade do ecossistema iPod e iTunes, a Apple logo dominou os downloads digitais, permitindo-lhe definir os termos.

Porém com o advento do streaming (impulsionado em grande parte pela entrada tardia da própria Apple) fez com que o modelo de compra do próprio iTunes não fosse mais o status quo, nem o gigante da indústria da música que já foi. A receita total da indústria da música caiu para US$ 15 bilhões (R$ 57 bilhões, na cotação atual), em 2012, no auge das vendas digitais. Para se ter ideia, em 2003, apenas com vendas físicas as cifras eram de US$ 20 bilhões (R$ 77 bilhões).

Com o streaming, a principal competência do iTunes — organizar e gerenciar sua coleção de músicas — não era mais necessária, uma vez que tudo o que você poderia desejar estava sendo transmitido da nuvem por uma taxa mensal fixa e com catálogos de artistas bastante vastos. Agora, a única organização necessária é criar uma playlist personalizada ou duas no Spotify ou no Apple Music (um dos substitutos do iTunes).

O mundo da música seguiu em frente, evoluiu e a abordagem global do iTunes já não faz sentido há anos, já que seus usuários foram mais bem atendidos por softwares e hardwares mais especializados. Em sua época de ouro, porém, o iTunes sobreviveu a praticamente todos os outros softwares focados no consumidor de sua época, como o Winamp e o Windows Media Player.

Agora os tempos são outros. Tempos de conectividade constante, armazenamento em nuvem e o streaming de mídia como norma obrigatória. O iTunes ainda está por aí como um aplicativo legado para aqueles que precisam dele. Mas para todos os outros, o iTunes agora é oficialmente uma coisa do passado.

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