Por Laís Oliveira

Após mais de vinte anos de carreira artística, somente agora, aos 35 anos, Priscilla Avila está colhendo os frutos de anos de estudo, experiência e dedicação à arte. O repertório é grande e sua trajetória também.

A atriz, nascida em Minas Gerais, mas criada em Itabuna, na Bahia, viveu em Los Angeles entre 2018 e 2020 e foi aqui em L.A que surgiu sua grande chance. Mas por incrível que pareça, não foi para uma megaprodução de Hollywood e sim para um longa de Tollywood, na Índia, com casting em Los Angeles.

Seu mais recente trabalho foi ao lado de estrelas do cinema indiano, como Vishnu Manchu e Kajal Aggarwal, no qual Priscilla estreou o longa “Mosagallu”, que chegou aos cinemas norte-americanos e indianos em plena pandemia, em março de 2021.

No longa, Priscilla Avila interpreta Futterman, uma mulher residente nos EUA que é enganada por uma quadrilha em um dos maiores golpes de call center já registrado nos país – no qual milhões de dólares dos contribuintes americanos foram roubados. A atriz gravou as cenas em fevereiro de 2020, nos Estados Unidos, dias antes de ser declarada oficialmente no mundo a pandemia de coronavírus.

“Quando eles me escolheram para o papel, recebi um e-mail do produtor, que era indiano, mas eu não imaginava ainda que era um filme indiano. Então, ao chegar no dia da gravação, eu percebi que era uma produção de fora”, nos revelou em entrevista.

A atriz gravou suas cenas para o longa, mas ainda não sabia que iria estrelar um filme ao lado de grandes nomes de Tollywood – uma das vertentes cinematográficas da Índia. O nome tem origem na fusão de Tollygunge, em referência a um bairro de Calcutá, e de Hollywood. Apenas alguns meses depois da gravação, quando buscou seu nome no google, foi que Priscilla descobriu que estava listada nos maiores veículos de notícias da Índia.

Sobre a escolha de uma atriz brasileira, em Los Angeles, para um papel em um filme indiano, ela revela: “Quando eu cheguei no set de gravação, o diretor falou que me escolheu pois eu tinha feito a cena de um jeito diferente das outras atrizes e, ainda assim, bem realista. Talvez eu ter um biótipo físico que se assemelha com a maioria das atrizes indianas tenha me ajudado. Fiquei muito feliz porque creio que meu profissionalismo me deu essa chance”.

Sua trajetória começou na infância. Priscilla estreou como atriz ainda muito jovem, aos 12 anos, em uma peça de teatro, e aos 14 fez seu primeiro comercial para a TV. Desde então divide seus estudos e carreira entre atuação, arte e escrita.

Em 2009, ela participou de alguns curtas-metragens na Bahia e passou a estudar Línguas Estrangeiras, Cultura e Economia Criativa. Falando vários idiomas, Priscilla começou a viajar pelo mundo para complementar suas habilidades e fez treinamentos de atuação na Argentina, França e EUA. Em 2012, a atriz viajou para Paris e teve uma participação rápida no cinema francês.

Ao voltar para o Brasil, Priscilla fez pós-graduação em Cinema, Vídeo e Fotografia na Universidade Anhembi, no Morumbi, para se tornar diretora e acabou ganhando uma bolsa de estudos em Cinema para o Curso de Arte de Verão da Santa Fe University of Art and Design, no Novo México, em 2014.

Enfrentando algumas dificuldades para conquistar seu espaço no Brasil, ela decidiu vir morar em Los Angeles em 2018. “A diferença entre ser ator nos EUA e no Brasil é gritante. Com apenas dois meses que o visto de trabalho nos EUA saiu, eu fiz muito mais testes do que em sete anos morando em São Paulo. Daí a gente pode ter uma ideia da diferença dos dois mercados”, afirmou Priscilla.

Mas a carreira de atriz não é fácil, especialmente para uma brasileira que busca destaque na Califórnia. Ter os ouvidos e olhos atentos, criar um bom network, conhecer bem as rotas e caminhos a serem seguidos, e estar bem-preparado são peças-chave para o sucesso. “Mesmo com o espanhol tendo cada vez mais espaço no cinema dos EUA, é muito difícil um ator começar em Hollywood sem mostrar um portfólio em inglês”, revelou a atriz.

“Consegui meu portfólio trabalhando de graça em curtas-metragens de novos diretores quando eu ainda ia para Los Angeles antes de conseguir o visto de trabalho. Mesmo tendo que falar bem inglês, precisamos achar nosso diferencial nesse mercado tão competitivo”, complementou.

Segundo Priscilla, foi preciso se vender no mercado como uma atriz latina para, assim, conseguir chamar a atenção de sua manager que é bem influente no mercado de Hollywood. O caminho é árduo na carreira de ator, mas é preciso perseverança e dedicação. Para quem está no mercado, ela dá a dica: “Acrescidos do portfólio, é preciso ter um currículo bom para mostrar, estar no IMDB (maior cadastro online de atores no mundo), no Actors Access e Central Casting (casting sites), estar sempre se atualizado e, para conseguir coisas grandes, um manager”.

Com mais de vinte de anos de experiência, Priscilla acredita que dificilmente a sorte tem ajudado as pessoas – ela mesma não se considera sortuda, com a longa jornada que traçou até conseguir reconhecimento. A atriz atribui o sucesso ao seu esforço, dedicação e ao fato de ter trilhado os caminhos certos, muitas vezes distantes da atuação, para chegar até aqui.

“Não venho de uma família de artistas e cresci no interior da Bahia. Imaginar uma carreira de atriz internacional me fez perceber que eu teria que aprender várias coisas e possuir diversas habilidades além da atuação”, adiciona. Ela estudou Negociações Internacionais para poder ter uma ampla visão do mercado internacional e conseguir fazer intercâmbios e viagens que começassem a fazer seu sonho se tornar uma realidade.

Devido à pandemia, Priscilla voltou para o Brasil e ficou por lá desde meados de 2020. A atriz vai para a Índia no início de outubro fazer trabalhos como modelo e pretender ir à Mumbai começar sua carreira de atriz em Bollywood até que o mercado de Hollywood volte à normalidade por completo.

Além desse futuro promissor, a atriz também não descarta ir para França ou outros lugares da Europa, como Inglaterra, onde já tem um agente cuidando de sua carreira. “Não vou perder nenhuma oportunidade nesse mundo, mesmo que a sorte não esteja a meu favor”, concluiu Priscilla.

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