No sábado (27), o governo brasileiro anunciou um acordo com o Reino Unido para a produção de uma vacina contra o novo coronavírus. A tecnologia e os insumos, desenvolvidos pela Universidade de Oxford e pelo laboratório farmacêutico AstraZeneca, serão compartilhados com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

Visto que a eficácia da vacina ainda está em fase de comprovação, o Brasil assumirá os riscos da pesquisa. Na primeira fase do acordo, o país terá 30,4 milhões de doses, a serem divididas em dois lotes iguais — o primeiro tem previsão de conclusão para dezembro de 2020; já o segundo, em janeiro de 2021. Caso seja comprovada a eficiência contra a covid-19, o governo brasileiro aumentará a compra, na segunda fase, para produzir mais 70 milhões de doses. 

Em entrevista à CNN Brasil, o médico imunologista e professor da Universidade de São Paulo Jorge Kalil comentou sobre como serão feitos os testes em humanos: “Nós não vamos testar essa vacina aqui nos extremos de idade. Nós vamos testar mais nos indivíduos adultos. Para que a gente possa utilizar nas populações de risco – que são as pessoas de idade e de comorbidades – nós precisamos de outros testes. Eu sei que os Estados Unidos vão testar um grande número de indivíduos e vão incluir bastante indivíduos com mais de 60 anos de idade”.

De acordo com o governo Bolsonaro, o valor estimado por dose da vacina é de US$ 2,30. No total, o valor da parceria é de US$ 127 milhões, sendo os custos de processo de transferência de tecnologia estimados em US$ 30 milhões. Quanto aos riscos de pesquisa e produção, o Ministério da Saúde considera-os necessários, devido à urgência por uma solução efetiva para a manutenção da saúde pública nacional. 

A respeito da quantidade de doses, Kalil afirma: “O que seria ideal é que pudéssemos imunizar entre 60 e 80% da população brasileira, mas se nós imunizarmos 50%, sobretudo aquelas pessoas que nós sabemos que correm mais risco, e protegê-las, sem dúvida vai diminuir bastante a doença como está, a ocupação dos hospitais e recursos da saúde. E nos daria, digamos, uma tranquilidade quase eficaz, quase total. Mas a gente precisaria, realmente imunizar, 80% se for possível”.

Mesmo se a vacina se mostrar ineficaz, a absorção da tecnologia da pesquisa, inclusive para a produção do ingrediente farmacêutico ativo, poderá ser utilizada na produção de outros tipos de vacina, afirma a administração federal. Com a comprovação da eficiência da vacina, o Brasil irá adquirir mais insumos para que a produção ocorra em solo brasileiro, na Fiocruz.

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