Por Laís Oliveira

Geoparque Araripe, o primeiro da América Latina e reconhecido pela UNESCO. Foto: Augusto Pessoa/Wikipedia

Escondido na poeira da caatinga nordestina e no clima árido típico existe um oásis onde a água brota do chão e por onde povos indígenas, cangaceiros e até espécies de dinossauros já caminharam.

Esse cenário turístico tão plural se chama Chapada do Araripe e fica localizado numa região próxima ao sul do Ceará, o chamado Cariri cearense, na divisa com os estados de Pernambuco, Piauí e Paraíba.

Mas a beleza do local não se justifica apenas pela natureza riquíssima e sim pela cultura marcada por manifestações populares tão únicas que recebeu do cantor e compositor Gilberto Gil o apelido de “bacia cultural”.

Fóssil raro de inseto encontrado na Chapada do Araripe. Foto: Frederico Falcão/Divulgação

Boa parte da riqueza da Chapada do Araripe vem lá de baixo do solo e de um tempo que percorre longos anos atrás quando ao invés de sertão e chão seco, tudo era mar: fósseis de pterossauros, dinossauros, insetos, flores e peixes tão diversos que estão entre os mais bem preservados do mundo.

Com tanta abundância de História, nasceu o Geoparque Araripe, único na América Latina. Com nove geossítios, o local busca alinhar a história do planeta Terra, do meio ambiente e da cultura emoldurada pelas relações sociais que nasceram e se desenvolveram ao longo dos anos.

Os nove sítios geológicos e paleontológicos possuem registros de milhões de anos e se distribuem em seis municípios do sul do Ceará: Batateiras (Crato), Pedra Cariri e Ponte de Pedra (Nova Olinda), Parque dos Pterossauros e Pontal de Santa Cruz (Santana do Cariri), Cachoeira de Missão Velha e Floresta Petrificada (Missão Velha), Riacho do Meio (Barbalha), e Colina do Horto (Juazeiro do Norte).
É válido salientar que, diferentemente dos Parques Nacionais, os Geoparques são territórios que podem ser habitados e a conservação e a valorização, tanto do patrimônio geológico como dos atrativos naturais e culturais, estão a serviço do desenvolvimento sustentável.

O Geoparque Araripe é tão importante que atualmente integra a lista do Programa Internacional de Geociência e Geoparques (IGGP, sigla em inglês) da Unesco. O local preserva vestígios da presença humana há 30 mil anos.

Cultura viva em Araripe

Manifestações culturais na Chapada do Araripe. Foto_ site GeoparkAraripe

Para além da beleza de tirar o fôlego e do mergulho na História das mais diferentes espécies, a Chapada do Araripe forma uma das regiões de maior originalidade cultural do Brasil, com destaque para o folclore, a religiosidade, o artesanato e a gastronomia.

Todas essas manifestações foram influenciadas diretamente pelo cangaço – um fenômeno do banditismo marcado por crimes e violência – ocorrido em quase todo o sertão do Nordeste do Brasil, entre o século XVIII e meados do século XX, geralmente romantizado e ainda presente na memória popular.

Trilhas e Cachoeiras para os aventureiros

Para quem não dispensa um bom turismo de aventura, os nove geossítios que englobam a região oferecem trilhas ecológicas para os mais preparados e banhos de cachoeira que deixarão a viagem inesquecível.

A Cachoeira de Missão Velha é uma das mais conhecidas. Com 12 metros de queda d’água, a cachoeira fica a 3km da cidade com mesmo nome e já foi moradia, inclusive, de povos indígenas no período pré-histórico, por isso o turista que visitar o local vai encontrar diversas ruínas de construções daquele período.

Para chegar à Chapada do Araripe

O turismo ecológico é um atrativo e há diversas estradas minúsculas que cortam a floresta. Foto: Augusto Pessoa/Wikipedia

Para chegar à Chapada, a forma mais rápida, caso o turista vá de outros estados, é de avião, pelo Aeroporto Regional do Cariri – Orlando Bezerra de Menezes – que fica em Juazeiro do Norte, cidade localizada a 500km da capital, Fortaleza. Até lá chegam voos comerciais diretos e diários partindo de Brasília, Recife, Fortaleza e São Paulo.

Para trafegar entre os geossítios, ou seja, as cidades que compõem a Chapada do Araripe, o indicado é alugar um carro. Por lá, é necessário seguir uma rota partindo de um triângulo.

Uma das pontas seria Juazeiro do Norte (e demais cidades, como Caririaçu), a outra ponta seria partindo de Barbalha ou Missão Velha, e na última ponta seria uma das seguintes cidades: Crato, Exu, Nova Olinda, Santana do Cariri, Assaré ou Potengi. Uma boa dica para apoio local seria visitar geoparkararipe.urca.br ou a página do facebook do Geoparque AQUI.

 

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