Por Lindenberg Junior

A névoa de fumaça sobre São Francisco. Foto/Crédito: AP / Jeff Chiu

Eu geralmente faço caminhadas de uma hora cinco vezes por semana em algum lugar em Los Angeles e, nos últimos dias, venho notando com muita clareza a diferença da qualidade do ar que respiro. Durante minhas caminhadas na segunda semana de setembro (2020) em L.A pude sentir o cheiro e ter a sensação da fumaça entrando pela minha garganta mesmo usando uma mascara – que tem sido de praxe nessa época de pandemia.

Os piores efeitos dos incêndios florestais que assolaram a costa oeste dos Estados Unidos são os diretos, ou seja, a perda de casas, a destruição do habitat natural e a morte tanto de pessoas quanto de inúmeros animais. Mas os efeitos da poluição secundária – da fumaça que obstrui o ar – não são menores.

Essa poluição decorrente dos incêndios florestais fez deixar as cidades da costa oeste do país com o titulo de “as mais poluídas do mundo”. Curiosamente, as mais poluídas cidades do mundo normalmente estão na Ásia, como Nova Delhi, Pequim e Dhaka. Nos últimos dias, porém, Portland teve uma qualidade do ar significativamente pior do que qualquer outra cidade do mundo. Já a qualidade do ar em outras cidades grandes da costa oeste como Seattle, Los Angeles e San Francisco não está tão ruim se comparado com Portland, mas muito ruim se comparado com qualquer outro lugar do mundo.

A exposição às minúsculas partículas do ar poluído, a longo prazo, aumenta o risco de asma, doenças pulmonares, ataques cardíacos e derrames. Mas mesmo a exposição de curto prazo pode levar a variados problemas respiratórios, segundo autoridades em saúde. E os incêndios florestais deste ano – alguns dos quais acontecem há cerca de um mês desde a data desse artigo, podem levar ainda semanas queimando. Na Califórnia, por exemplo, se compararmos os últimos cinco anos, a temporada de incêndios florestais pode ir até meados de novembro.

“Dois meses com este mesmo tipo de qualidade do ar vai ser realmente preocupante porque milhares pessoas serão afetadas”, disse Pawan Gupta, um cientista pesquisador da NASA’s Universities Space Research Association ao New York Times dias atrás.

A fumaça (e os fortes ventos têm ajudado a piorar a situação) é tao intensa que já se nota sua presença ao norte no Canadá  e em outros estados americanos como Nevada, Utah, Idaho, Wyoming e Montana. Equipes de combate a incêndios de outros estados americanos, inclusive do exterior, têm lutado incansavelmente para domar as chamas que já queimaram mais de cinco milhões de acres nessa temporada de 2020.

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