Na embriaguez dos diversos frevos, no batuque dos maracatus, nas marchinhas e cores dos blocos líricos, na imensidão dos bonecos gigantes, no calor de sol e de gente no Galo da Madrugada e nas ladeiras de Olinda, recifenses, olindenses e pessoas dos mais variados lugares do Brasil e do Mundo inebriam-se durante o Carnaval.

Em Recife e Olinda, as prévias de blocos tradicionais reúnem centenas de pessoas. Não é só o número de turistas que visitam as duas cidades nesse período que faz desse um dos maiores carnavais do Brasil. A expressividade da festa deve-se muito a união de manifestações culturais populares diversas. O Frevo, o Caboclinho, o Maracatu, o Samba e o Afoxé são expressões que podem ser vivenciados com intensidade durante os cinco dias da Festa de Momo.

Há 15 anos, a abertura oficial do Carnaval do Recife é feita com o encontro de Nações de Maracatu de Baque Virado no Marco Zero. O comando era do percussionista Naná Vasconcelos, falecido em 2016. Neste Carnaval, Naná receberá homenagens e os mestres de cada Nação colaborarão com os ensaios das outras.

“O maracatu representa muitas coisas e já vem de muito longe. No Carnaval, nós temos muito trabalho, mas a gente gosta de fazer. Não ter esse encontro de Nações na abertura seria muito ruim, por isso a gente lutou para manter”, afirma Marciel Agripino, presidente do Maracatu Estrela Dalva. É nesse momento que cada nação consegue projetar sua tradição e que os maracatus ganham visibilidade.

Quem faz as honras da abertura não oficial do Carnaval de capital pernambucana é o tradicional Galo da Madrugada, conhecido como maior bloco do mundo, que sai no Sábado de Zé Pereira e tem como alegoria maior o Galo Maestro. Este ano, assim como toda a decoração da cidade, o Galo será decorado com o grafite. O jornalista e artista plástico Flávio Barra e cinco assistentes começaram o trabalho de grafitagem da estrutura desde a quinta-feira (09.02). Com cerca de 15 toneladas, o Galo começa a ser montado na Ponte Duarte Coelho, área central do Recife, na quinta-feira (23).

A partir daí, quem já estava aproveitando as prévias e quem chegou na cidade na sexta ou sábado podem se divertir em vários polos culturais. Ouvir e cantar os frevos, sentir no coração a batida dos maracatus, ousar nas fantasias e brilhos e curtir os grandes shows que acontecem em palcos espalhados pela cidade.

Uma das homenagens do Carnaval de Recife de 2017 vai para o Caboclinho Carijós, agremiação de 120 anos, com sede do terreiro de jurema sagrada Centro Espírita Cigana Sary, localizado na Mangabeira, bairro da Zona Norte do Recife, entre os morros do Alto José do Pinho e da Conceição. A agremiação desfila com até 200 pessoas fantasiadas com o vermelho, branco e verde.

Em Olinda, na manhã do sábado, já tem ladeiras lotadas, blocos e troças sem encontrando nas estreitas ruas tomadas de cores e sons. A Cidade Alta é lugar certo para brincar durante a manhã e à tarde, quando é possível acompanhar os desfiles de agremiações tradicionais como Pitombeiras dos Quatro Cantos, Vassourinhas e Marins dos Caetés. Entre os maiores blocos, está o Eu Acho é Pouco, fundado em 1976. O tradicional dragão e a orquestra percorrem o Sítio Histórico no sábado e na terça. No espírito da defesa da democracia, a camisa do bloco deste ano tem um Fora Temer estampado.

Na meia noite do sábado para o domingo, o tradicional Homem da Meia Noite comanda a folia. Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2006, a figura mística de cerca de 3,5 metros de altura é símbolo do Carnaval da cidade. Sua aparição, com direito a muito frevo e serpentina, é aguardada ansiosamente pelos foliões.

Via Brasil de Fato

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