Por Lindenberg Junior

A TSA, o departamento governamental americano de segurança na área de transporte (Transportation Security Administration) está preparado para o que se espera, na semana do feriado de Thanksgiving de 2021, ser a semana mais movimentada dos últimos dois anos, 2020 e 2021. Em meados dessa mesma época em 2020, os Estados Unidos (e todo o resto do mundo) se preparava para o lançamento das primeiras vacinas (Pfizer e Moderna) e a grande maioria da população estava tanto ansiosa  e com muita esperança quanto também entediada e sem poder  celebrar o famoso feriado americano.

Um ano depois, nos últimos dias de novembro de 2021, já são cerca de 80% da população que reside  nos EUA com mais de 12 anos vacinada, incluindo 18% de adultos que já receberam um reforço. No dia 19 de novembro, o FDA e o CDC, inclusive, liberaram o reforço da Pfizer e da Moderna para todos os adultos, tornando-as amplamente disponíveis a tempo para a grande temporada de celebrações e viagens.

As companhias aéreas voltaram a sorrir com os voos lotados e os preços de tarifas pelo olho da cara. Já especularam como estão os valores para uma viagem doméstica de Los Angeles a NYC ou de Los Angeles para o Rio, por exemplo? Para se ter uma ideia, até meados de outubro era possível comprar uma passagem entre L.A para o Rio por menos de US$700, mas os que não compraram e decidiram comprar apenas em novembro ou dezembro não compraram (ou não irão encontrar) por menos do que o dobro desse valor ou mesmo o triplo, dependendo de certas datas.

“Houve praticamente uma completa recuperação das viagens aéreas domésticas (dentro dos Estados Unidos) dentro do período pós-covid-19, e se espera que o setor recupere os níveis pré-pandemia a partir do Thanksgiving e entrando dezembro e época de natal”, afirma Magali DaSilva, nossa consultora de viagens e agente há mais de 25 anos.  A companhias Delta e American, por exemplo, voltaram à lucratividade – apesar de esperarem uma receita  20% menor até o final de 2021. E os viajantes dentro dos EUA gastaram 46% a mais em viagens em comparação com a época de pré-pandemia.

E se a viagem for pela estrada? Já viram como estão os preços da gasolina, certo? Mesmo assim, espera-se que 48 milhões de residentes aqui dos EUA peguem seu carro para viajar. E para aqueles que estão pensando em alugar um carro, a má notícia é que o aluguel de automóveis subiu 75% em relação a 2019!  Empresas do setor, como a Hertz, viram suas vendas aumentarem 62% no mês de novembro (2021). Com os preços da gasolina em níveis máximos em sete anos, gigantes do petróleo como a Exxon e a Chevron também poderiam se beneficiar com a alta das viagens de carro.

Por outro lado, apenas cerca de 22% da população nos Estados Unidos planejam se hospedar em hotéis nessa temporada de “holidays”- como dizem os americanos – não somente para o Thanksgiving, como também a Black Friday.  “Os preços dos quartos aumentaram conforme a demanda se recuperou, mas as vendas no Hilton e Marriott ainda caíram em relação à pré-pandemia”, confirma Magali DaSilva. As reservas internacionais do Marriott despencaram 40% em relação a 2019, já que as viagens ao exterior continuam não sendo prioridade entre os americanos. Por sua vez, o Airbnb bombou no trimestre de julho a setembro de 2021 com os viajantes adotando estadias de longo prazo.

A jornada de recuperação no turismo não acabou e, embora as viagens de lazer domésticas nos EUA devam superar os níveis pré-pandemia em 2022, as viagens de negócios e internacionais – que constituem a maior parte das vendas de companhias aéreas e hotéis – não devem se recuperar totalmente até pelo menos 2024.

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