A farmacêutica sueca-britânica AstraZeneca, em parceria com a Universidade Oxford, anunciou nesta segunda-feira (23) que seus testes clínicos em estágio avançado, conduzidos no Reino Unido e no Brasil, mostraram que a sua vacina contra o coronavírus chegou a ter 90% de eficácia na prevenção da covid-19, sugerindo que o mundo poderia eventualmente ter pelo menos três vacinas eficazes.

A farmacêutica, em parceria com a Universidade de Oxford, se tornou a terceira grande desenvolvedora de vacina este mês a anunciar resultados iniciais encorajadores, seguindo a Pfizer e a Moderna, que disseram que suas vacinas eram cerca de 95% eficazes poucos dias antes desse novo anuncio. Os resultados da AstraZeneca são um sinal tranquilizador da segurança da vacina. Ele ficou sob escrutínio global depois que a AstraZeneca interrompeu temporariamente seus testes em setembro para investigar possíveis problemas de segurança depois que um participante na Grã-Bretanha desenvolveu uma doença neurológica.

A AstraZeneca e Oxford disseram que enviariam seus dados para reguladores na Grã-Bretanha, Europa e Brasil e buscariam autorização de emergência. Os desenvolvedores informaram que sua análise inicial foi baseada em 131 casos de coronavírus. Os testes usaram dois regimes de dosagem diferentes, um dos quais foi 90% foi eficaz na prevenção de covid-19 e o outro foi 62% eficaz.

O regime que foi 90% eficaz envolveu o uso de uma primeira dose pela metade e uma segunda dose padrão. De acordo com relatos, também não houve casos graves de coronavírus em ninguém que recebeu a vacina e estavam hospitalizados e ainda foi possível observar uma redução nas infecções assintomáticas, sugerindo que a vacina poderia reduzir a transmissão.

O grande diferencial dessa vacina, junto às outras duas americanas, está nos requisitos de armazenamento relativamente simples, o que seria um trunfo assim que fosse lançada. Apesar de exigir refrigeração, essa vacina pode ser mantida sem perder a efetividade com menos graus de refrigeração. Embora não tenha fornecido detalhes sobre por quanto tempo e em que temperatura ela pode ser mantida, a vacina da Moderna pode ser mantida por até um mês na temperatura de uma geladeira comum, e o da Pfizer podem ser mantidos por até 5 dias em refrigeradores convencionais ou em refrigeradores especiais por até 15 dias, mas, caso contrário, precisam de armazenamento ultracold.

As vacinas da Moderna e da Pfizer têm tecnologias inéditas e semelhantes, com base no RNA mensageiro do novo coronavírus. A vacina russa, a Sputnik V, usa um adenovírus humano como vetor; uma plataforma já testada com sucesso em outros imunizantes. Os resultados, segundo as farmacêuticas, são excelentes.

Os resultados da AstraZeneca/Oxford podem fortalecer significativamente o esforço global para produzir vacina suficiente para criar imunidade populacional: o preço da vacina, de US$3 a US$4, é uma fração de outras vacinas potenciais.

Quanto ao Brasil, o primeiro lote da CoronaVac, com 120 mil doses, chegou ao país na quinta-feira (19). A vacina é desenvolvida pelo laboratório Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan. O material foi importado da China pelo governo de São Paulo e desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

A CoronaVac é uma das quatro vacinas contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2) que estão sendo testadas no Brasil. O governo de São Paulo firmou acordo para a compra de 46 milhões de doses e para a transferência de tecnologia para o Instituto Butantan. Entretanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não autorizou a utilização da vacina, que está na terceira fase de testes, quando é aplicada em humanos. Até o momento a vacina mostrou segurança e eficácia, segundo os estudos.

Facebook Comments