Por Lindenberg Junior

À medida que o “lockdown” e as ordens de “fique em casa” vão terminando em muitos condados ao redor dos Estados Unidos, muitos de nós, residentes nesse país, estaremos, em nosso dia a dia, entre um local e o outro, em contato com superfícies que outras pessoas tocaram como maçanetas de portas, sacolas de compras, botões de caixa rápido, entre outros. Aqui vem à tona essa pergunta-título e que fez parte de um editorial do New York Times nesta quinta-feira, 28 de maio (2020).

Os primeiros pareceres científicos pareciam incentivar as pessoas a tratar o contato superficial com a máxima seriedade. Mais recentemente, pesquisas sugeriram que poucas pessoas pegam o vírus dessa maneira. Um fato consumado: o principal mecanismo de transmissão está no contato próximo com alguém que tem o vírus, como conversar cara à cara ou sentar-se próximo em um ambiente interno. Essas situações expõem as pessoas a uma carga viral suficiente para serem infectadas.

O editor do NY Times lembra que, mais recentemente, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA tentou esclarecer suas orientações sobre o assunto afirmando “poder ser possível que uma pessoa contraia a covid-19 tocando uma superfície ou objeto que contenha o vírus e, em seguida, tocando sua própria boca e nariz, e possivelmente os olhos, mas não se acredita que essa seja a principal maneira de o vírus se espalhar, e levanta a questão “você deve pensar na transmissão do vírus através de superfície?”.

E acrescenta, “não parece ser comum, mas pode ser possível, e pode ser a explicação mais provável para um surto em um shopping na China recentemente”.  Segundo o mesmo editor do NY Times, uma coisa a entender é que apenas tocar em partículas de vírus não é suficiente para se infectar, pois provavelmente se precisa tocar muitas partículas – e depois tocar seu rosto.

“Objetos que um pequeno número de outras pessoas tocam brevemente, como mantimentos e sacolas de compras, parecem apresentar um risco muito pequeno. É por isso que parei de limpar todos os objetos que entram em minha casa, como estava quando o lockdown começou”, diz o editor em seu editorial.

Em outras palavras, ele em seu parecer diz que no aspecto de risco, nos devemos em nos preocupar mais com conversas cara a cara com pessoas que estão fora de sua casa. e de um tempo prolongado em espaços fechados – como dentro de um supermercado, etc.

A repórter Tara Parker, também do NY Times, que produz pautas a partir desse mesmo editor adiciona “não precisamos ser paranóicos. Você pode sim pressionar o botão do elevador e outras superfícies. Só precisamos lavar as mãos em seguida e ficar atentos”. Essa repórter inclusive publicou um guia sobre transmissão de coronavírus em superfícies – que você pode ler em inglês para tirar dúvidas.

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