Os Estados Unidos mudaram sua decisão quanto à indicação da Argentina para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e agora vão privilegiar o Brasil. A informação de que a entrada do Brasil no grupo que reúne as maiores economias mundiais terá o apoio americano foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

“O anúncio americano de prioridade ao Brasil para ingresso na OCDE comprova uma vez mais que estamos construindo uma parceria sólida com os EUA”, escreveu Ernesto Araújo no Twitter na terça-feira (14). Ele ainda destacou que essa parceria com os Estados Unidos pode gerar resultados para a “transformação do Brasil”.

A OCDE funciona como uma espécie de clube dos 36 países mais ricos do mundo e atua na cooperação e discussão de políticas públicas e econômicas para guiar as nações associadas. Para fazer parte, é preciso seguir uma série de medidas econômicas liberais, como o controle fiscal e da inflação. Em troca, o país recebe um “selo” de investimento e pode se tornar mais atrativo.

Oficialmente, os Estados Unidos já entregaram uma carta à OCDE oficializando o apoio ao Brasil. A ideia é que o Brasil – e não a Argentina – seja o próximo país a ingressar no grupo. “Os EUA querem que o Brasil se torne o próximo país a iniciar o processo de adesão à OCDE. O governo brasileiro está trabalhando para alinhar as suas políticas econômicas aos padrões da OCDE enquanto prioriza a adesão à organização para reforçar as suas reformas políticas”, disse a embaixada dos EUA em Brasília.

Caso essa estratégia dê certo, o Brasil vai ficar com a vaga da Argentina, que havia sido indicada à OCDE pelos Estados Unidos em outubro de 2019. A indicação da Argentina pegou de surpresa o governo de Jair Bolsonaro, que, por apoiar os Estados Unidos e também estar trabalhando com base nas regras da OCDE, esperava ser priorizado pelo presidente americano Donald Trump.

Confira a nota do Ministério das Relações Exteriores:

O governo brasileiro recebeu com satisfação a notícia de que os EUA apresentaram hoje, ao Conselho da OCDE, proposta de início imediato do processo de acessão do Brasil.

Trata-se de passo fundamental para destravar o processo de expansão da organização. Esperamos que todos os membros da organização cheguem rapidamente a um entendimento que permita o início do processo de acessão do Brasil.

A posição dos EUA reflete o amadurecimento de uma parceria que vem sendo construída desde o início do governo Bolsonaro, baseada em coincidência de visões de mundo. Trata-se de relação estratégica de longo prazo, que se desenvolve em torno de três eixos principais: valores/democracia, crescimento econômico, e segurança/defesa.

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