Por Lindenberg Junior

Patrizia Reggiani durante seu julgamento em 1998. Foto: Agence France- Presse/Daniel Dal Zennaro

O filme com uma narrativa de Ridley Scott sobre o assassinato de Maurizio Gucci, organizado por sua ex-mulher Patrizia Reggiani, deve ser um dos preferidos do público americano no mês de novembro e talvez um dos mais vistos nos últimos dois meses do ano de 2021. Mas cremos que o fator número 1 para o sucesso do filme seja a participação e interpretação de Lady Gaga como Patrizia Reggiani, ex-esposa de Maurizio Gucci, e herdeira da fortuna da marca de luxo.

Em 1998, Reggiani – apelidada de “A Viúva Negra” pela imprensa italiana, foi condenada por tramar o assassinato de Gucci. Antes de se divorciar, Reggiani era uma excêntrica entre o jet set italiano. Uma vez ela chegou a dizer: “Prefiro chorar em um Rolls-Royce do que ser feliz em uma bicicleta”. Depois que Gucci foi baleado do lado de fora de seu escritório em Milão em 1995, Reggiani disse a amigos e repórteres que ela o queria morto. Em seu diário, no dia em que Gucci foi morto, havia a entrada de uma única palavra: “Paradeisos”, que em grego significa “paraíso”.

Em 1998, o NY Times chamou o julgamento de Reggiani de “a novela da vida real” e associou algumas das obsessões favoritas do país de Gucci: sexo, dinheiro, calçados de grife e astrologia. A vidente pessoal de Reggiani estava entre os co-conspiradores, admitindo que ela ajudou a contratar o homem que atirou em Gucci por instrução de seu cliente. Reggiani passou 16 anos na prisão. Desde que saiu,  foi frequentemente fotografada em Milão com um papagaio pousado em seu ombro.

Mas gostaria de acrescentar um detalhe que me chamou a atenção. Entre as minhas variadas leituras todas as manhas,  li um artigo do The Cut que faz referência à interpretação dos dois principais atores do filme, Adam Driver e Lady Gaga e, particularmente, a tentativa de replicar o sotaque italiano em uma cadência de inglês e mesmo outros idiomas por parte Lady Gaga.

O The Cut fez contato com profissionais italianos de linguística para perguntar sobre os sotaques de atores não- italianos. Anna De Fina, professora e chefe do departamento de italiano da Universidade de Georgetown, e uma nativa da Sicília, por exemplo, diz: “o italiano é uma língua em que cada sílaba, mais ou menos, tem a mesma duração”, explica. “É por isso que você tem a sensação de que o italiano é meio melódico, meio que cantante”.

A professora com especialidade em sociolinguística ainda explica dizendo: “O italiano também faz menos distinções nos sons das vogais – por exemplo, “sheep,” pode confundir com “ship” ou “ankle” pode confundir com “uncle”. O que também pode acontecer para nós brasileiros. “O inglês, por outro lado, é um idioma com esses mínimos detalhes na pronúncia do mesmo jeito que o russo: algumas sílabas tônicas vêm em intervalos regulares, pontuadas por sílabas não tônicas mais curtas”, complementa a professora.

Mas no fim das contas a professora siciliana diz que quando Lady Gaga fala, ela não perde a qualidade, mas que por isso mesmo pode parecer estranho para os italianos. House of Gucci é o primeiro filme de Gaga desde 2018, quando ela estrelou “A Star is Born” e que rendeu à multitalentosa artista uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Quem interpreta Maurizio Gucci  também é um ex-indicado ao Oscar, o ator Adam Driver. O elenco com um casting de luxo com Salma Hayek, que interpretará Pina Auriemma, além de Jared Leto, Jeremy Irons, Al Pacino e Jack Huston.

O filme tem estreia nos Estados Unidos em salas de cinema marcada para o dia 24 de novembro e um dia antes da quinta-feira de Thanksgiving em solo americano para depois seguir via streaming pelo EPIX e Paramount+. A data do filme coincide com o aniversário de 100 anos da famosa marca Italiana.

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