Já imaginou emagrecer cerca de 22,5% do peso corporal sem precisar recorrer a exercícios físicos? Essa é a impressionante proposta de um medicamento chamado tirzepatide. Fabricado pela empresa farmacêutica Eli Lilly, o remédio pode ser utilizado para tratar adultos com obesidade. Apesar de ainda estar em fase de testes, especialistas indicam que a agência reguladora Food and Drug Administration (FDA) deve aprovar o remédio para comercialização nos Estados Unidos em algum momento do próximo ano. 

O tirzepatide já é comercializado no mercado para outros propósitos. Sob o nome de Mounjaro, o medicamento foi desenvolvido, a princípio, para o tratamento da diabetes mellitus tipo 2 (DM2), obesidade, doença hepática não alcoólica e insuficiência cardíaca.

Se o tirzepatide for aprovado para o tratamento da perda de peso, ele pode se tornar o medicamento mais vendido de todos os tempos. De acordo com estimativas do analista do Bank of America Geoff Meacham, as vendas anuais de tirzepatide poderiam atingir um recorde de US$ 48 mil milhões. Já Colin Bristow, analista da UBS, estima que o medicamento atingiria US$ 25 mil milhões de dólares em vendas anuais.

Atualmente, o recorde de vendas de um medicamento é do Humira. Em 2021, o remédio faturou cerca de US$ 20,7 mil milhões de dólares. Fabricado pela AbbVie, o remédio é utilizado para o tratamento de artrite reumatóide

Como o tirzepatide funciona 

O remédio simula a ação de dois hormônios secretados pelo intestino, o GLP-1 e GIP que atuam no controle da glicose e a forma como o corpo quebra o açúcar e a gordura. A ação, por sua vez, promove a saciedade e reduz o apetite. 

Durante a fase 3 dos testes clínicos, foi avaliado que o medicamento se mostrou altamente eficaz na perda de peso. De acordo com os pesquisadores, o tirzepatide ajudou os pacientes a perder, em média, 22,5% do seu peso corporal. A maioria dos pacientes tinha um índice de massa corporal, ou IMC, de 30 ou superior. 

O medicamento para perda de peso é coberto por seguros médicos? Quanto custará?

A porta-voz da Eli Lilly recusou-se a comentar sobre o custo do tirzepatide. No entanto, é possível que a fabricante de medicamentos possa fixar o seu preço em cerca de US$ 13.000 por ano, ou cerca de US$ 1.100 por mês. Essa estimativa foi levantada por Dr. David Rind, médico-chefe do Institute for Clinical and Economic Review, grupo de investigação que ajuda a determinar preços justos para os medicamentos. 

Com o alto valor, muitas pessoas em estado de obesidade devem recorrer à seguradoras para ter acesso ao teriparatide. Historicamente, no entanto, muitos seguros médicos restringem o acesso a medicamentos para a perda de pesa apenas aos pacientes que atingem um determinado patamar, como um IMC superior a 30. 

Além disso, segundo o Dr. W. Scott Butsch, diretor de Medicina da Obesidade no Cleveland Clinic’s Bariatric & Metabolic Institute, muitos médicos ainda vêem a obesidade como um problema comportamental em vez de um problema de saúde. Essa crença, por sua vez, tornou as seguradoras relutantes em cobrir muitas das novas terapias.

Atualmente, o sistema de seguros de saúde Medicare não cobre medicamentos para a perda de peso. Os medicamentos anti-obesidade também não são um benefício obrigatório do Medicaid, embora alguns estados tenham optado por incluí-los. Já o America’s Health Insurance Plans (AHIP), grupo comercial que representa as companhias de seguros, recusou-se a dizer se apoiaria a cobertura do tirzepatide caso o medicamento fosse aprovado pelo FDA.

A obesidade é considerada uma doença crônica e, como qualquer outra doença nessa característica, espera-se que a maioria dos pacientes tome o medicamento durante toda a sua vida. Caso as seguradoras não cobrirem os custos do tirzepatide, muito provavelmente as únicas pessoas que serão capazes de pagar pelo medicamento por conta própria serão as muito ricas. 

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