Aos 54 anos, Mike Tyson retornou ao ringue para enfrentar Roy Jones Jr, de 51. (Foto: Joe Scarnici/Getty Images)

Após 15 anos aposentado dos ringues, Mike Tyson fez seu retorno no último sábado (28). Aos 54 anos, ele enfrentou Roy Jones Jr, outro veterano, de 51, no Staples Center, em Los Angeles. A luta terminou com um empate simbólico. Ainda  ofegante, mas com um sorriso de garoto estampado no rosto, o lendário pugilista deixou escapar que essa, provavelmente, ainda não será sua última luta.

Além das 58 lutas que compõem sua vasta carreira, o atleta é lembrado também pelo que fez fora dos campeonatos — incluindo uma longa sequência de confusões, polêmicas e crimes. Esses e outros fatores levaram Tyson da fortuna de US$ 400 milhões, que construiu através do esporte, à falência (incluída uma dívida de US$ 25 milhões). 

Tanto patrocínios quanto premiações renderam a Mike Tyson um montante considerável. Ele estreou profissionalmente em 1985, e no ano seguinte, com apenas 20 anos, tornou-se o mais jovem na história a ser campeão mundial dos pesos pesados. Daí em diante, até 1990, Tyson viu os cachês aumentarem vertiginosamente: de US$1,5 milhão, em 1986, até US$20 milhões, em 1988 — quantia que o colocou como um dos esportistas mais bem pagos da Terra.

Até quando perdia uma luta, Tyson ganhava. Ele levou US$ 6 milhões ao ser derrotado por Buster Douglas em 1990, uma derrota que muita gente considera o início da queda de Mike Tyson. Em certo sentido, essas pessoas têm razão. Em julho de 1991, ele foi detido sob suspeita de estuprar a modelo Desiree Washington. Em 1992, foi condenado a seis anos de prisão pelo crime. Tendo cumprido metade da pena, foi liberado em 1995 por bom comportamento. 

No mesmo ano, Mike Tyson voltou ao ringue, e de cara levou US$ 25 milhões, em luta contra Peter McNeeley. Em 1997, o atleta protagonizou um dos episódios mais agressivos da história do boxe, que ficou conhecido como “a luta da mordida”. Ali, ele mordeu a orelha do oponente, pelo que foi desclassificado e banido das competições por um ano, o que certamente prejudicou as finanças de Tyson.

Em 1999, “Iron Mike”, como ficou conhecido, foi preso de novo. Desta vez, o motivo foi uma briga de trânsito, que lhe rendeu três meses de encarceramento. Fora dos ringues, o pugilista construiu um vasto histórico de problemas com a lei, que incluem acusações de agressão e porte de drogas. Até o Brasil entrou para a lista.

Em de novembro de 2005, Mike Tyson agrediu um repórter em uma boate em São Paulo, sendo detido pela Polícia Militar. De acordo com o delegado responsável pelo caso, o cinegrafista estava filmando o atleta, que se irritou e pediu que este parasse de gravar, o que o repórter negou. Em reação, Tyson agrediu o cinegrafista e destruiu equipamento e arquivos do profissional.

Mas o pedido de falência do “Iron Mike” veio dois anos antes da confusão em solo brasileiro, quando o atleta tinha 37 de idade. Ele sempre culpou o ex-empresário, Don King, por má administração do dinheiro e desvio de verba. De acordo com Mike Tyson, o agente foi o gestor do dinheiro por anos, inclusive durante os encarceramentos.

Contudo, a ostentação característica do estilo de vida do boxeador colaborou para o esgotamento de sua fortuna. Mike Tyson possuía tigres siberianos, 111 carros de luxo e uma enorme mansão de 21 quartos e 24 banheiros. Estimativas do site “Celebrity Net Worth” contabilizam os gastos do atleta em:

  • US$ 4,5 milhões em carros e motos (19 foram presentes para amigos próximos); 
  • US$ 400 mil em animais como os tigres;
  • US$ 125 mil por ano para um treinador de animais;
  • US$ 300 mil em manutenção do gramado e de jardins;
  • US$ 240 mil por mês com a vida cotidiana;
  • US$ 230 mil em telefones celulares, pagers e contas telefônicas; 
  • US$ 100 mil por mês em joias e roupas;
  • US$ 2 milhões em uma banheira de ouro para a atriz Robin Givens, ex-exposa de Tyson.


Em 2005, depois de duas derrotas, Mike Tyson se aposentou do boxe. Antes disso, o atleta recebeu cheques de US$ 10 milhões, US$ 17,5 milhões e US$ 5 milhões por lutas. Uma participação no WWE (luta livre) como convidado lhe rendeu ainda US$ 3,5 milhões. Mas os problemas com a lei, a vida luxuosa e o vício em cocaína deixaram Tyson sem nada.

Ainda em 2005, ele declarou: “Toda minha vida foi um desperdício. Eu falhei. Só quero escapar. Estou muito envergonhado comigo e com minha vida. Quero ser um missionário. Quero acabar com essa parte da minha vida quando possível. Nesse país, nada de bom vai sair de mim. As pessoas me jogam lá em cima, e eu queria destruir essa imagem”. Para concretizar o fundo do poço no qual Iron Mike esteve, a filhinha do atleta, Exodus, morreu em 2009, aos quatro anos, em um acidente doméstico. A tragédia afundou o pugilista em depressão.

Entretanto, a vida de Mike Tyson teve uma nova reviravolta. Desta vez, ele se voltou para o empreendedorismo, vinculando seu nome a uma marca de um produto um tanto inusitado. Já que a maconha é liberada na Califórnia (para fins recreativos, desde 2018), Iron Mike criou o conglomerado “Tyson Holistic” para investir em produtos relacionados à erva. O “Tyson Ranch” (“Rancho Tyson”) é a repartição mais famosa da empresa.

Em abril de 2020, o boxeador declarou vender US$1 milhão todo mês. Ainda, Mike Tyson afirmou em seu podcast (“Hotboxin’”), usar uma quantidade mensal da produção de maconha para consumo próprio, equivalente a US$ 40 mil. Além da “Tyson Holistic”, Mike Tyson também deu palestras motivacionais, fez participações em filmes, e até em um espetáculo da Broadway, o que lhe conduziu à recuperação financeira. 

Para completar, o aplicativo de vídeos Triller pagou US$50 milhões pelos direitos da luta do último sábado, contra Roy Jones Jr. Segundo a imprensa americana, Tyson recebeu US$ 10 milhões pelo confronto (Jones recebeu US$ 1 milhão). O técnico de Mike Tyson, o brasileiro Rafael Cordeiro, afirmou que o atleta vai doar o dinheiro para a caridade.

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