A FDA (Food and Drug Administration) e o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), agências federais do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, informaram, na terça-feira (13), que recomendam a pausa na aplicação da vacina Janssen, da Johnson & Johnson, após seis pessoas que a receberam desenvolverem um distúrbio raro envolvendo coágulos sanguíneos.

O comunicado oficial, compartilhado no twitter da FDA, diz que “O CDC e a FDA estão revisando dados envolvendo seis casos relatados nos EUA de um tipo raro e grave de coágulo sanguíneo em pacientes que receberam a vacina. No momento, esses eventos adversos parecem ser extremamente raros”.

Segundo informações do canal CNBC, todos os casos ocorreram com mulheres entre 18 e 48 anos, com os primeiros sintomas aparecendo entre 6 a 13 dias depois da aplicação.

A medida é adotada menos de uma semana depois de reguladores europeus afirmarem que encontraram uma possível relação entre a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca e um problema raro de coágulos sanguíneos, que levou a um pequeno número de mortes.

A vacina da Janssen é a única que necessita de apenas uma dose, o que, na prática, permitiria imunizar o dobro de pessoas. Todas as outras precisam de duas doses, então a produção rende menos. 9% do total de vacinados nos EUA receberam a dose da Johnson & Johnson, a maioria da população foi vacinada com imunizantes da Pfizer e da Moderna.

Os resultados de pesquisas mostraram que após uma única aplicação, mais de 90% dos voluntários produziram uma resposta imunológica contra o vírus. Em testes preliminares, a vacina havia se mostrado bastante segura, registrando apenas efeitos leves, como fadiga, dores de cabeça e dor no local da aplicação.

Coincidentemente, ainda na terça-feira (13), em um artigo publicado na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, pesquisadores defendem que a Covid-19 deixe ser classificada como uma Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e passe a ser registrada como uma febre viral trombótica.

Os dez autores são especialistas em terapia intensiva, cardiologia, hematologia, virologia, patologia, imunologia e biologia molecular, que atuam em seis instituições de assistência médica e pesquisa científica no Brasil, entre elas Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná).

Segundo os pesquisadores, os estudos mostram que, ao contrário do que se pensava no começo da pandemia, a Covid-19 vai muito além dos quadros pulmonares. O novo coronavírus (Sars-CoV-2) seria o primeiro agente reconhecido por aumentar a formação de coágulos (também chamados de trombos) que podem obstruir a circulação.

A Covid-19 vai na contramão de outras doenças virais, como dengue e febre amarela, que podem provocar sangramentos e, por isso, são consideradas febres virais hemorrágicas.

Os pesquisadores da Fiocruz ressaltam que a Covid-19 é uma doença complexa, com manifestações em diversos órgãos, do cérebro ao aparelho gastrointestinal. A classificação de febre viral trombótica baseia-se no impacto comprovado da infecção sobre a coagulação sanguínea, que traz alto risco de morte. No entanto, outros componentes da enfermidade não devem ser esquecidos, como o grave comprometimento pulmonar.

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