Os podcasts se transformaram numa das grandes plataformas do momento. Estima-se que, hoje, 193 milhões de usuários consomem uma média de 16 horas de conteúdo em formato de áudio por semana. Temas como comportamento, investimentos, política, música, sexo e game estão entre os mais ouvidos e que jovens entre 27 e 35 anos são o maior público dessas plataformas.

Mas esses são apenas alguns dados que refletem o poder do áudio atualmente. A ascensão desse formato de conteúdo está apenas começando. Uma nova tendência em aplicativos de mídia sociais mostra que cada vez mais haverá redes sociais com conteúdos apenas em áudio, conectando e reunindo pessoas em todo o mundo.

E o timing não podia ter sido mais perfeito. À medida que longos meses de trabalho remoto passavam, somados ao isolamento social, as pessoas simplesmente começaram a se cansar de videoconferências e qualquer forma de contato com outra pessoa baseada apenas em vídeo.

O cansaço acontece principalmente porque é preciso um cenário, silêncio, privacidade e toda uma programação para entrar em videoconferência ou reuniões por vídeo. As pessoas cansaram. A maioria das pessoas hoje anseia por simplicidade e praticidade. Diante disso, redes sociais e aplicativos de áudio são uma ótima solução para esse problema.

O áudio mudou o cenário das mídias, mas já é usado há décadas para informar e entreter

O áudio é usado para dar notícias e compartilhar informações, curtir músicas, audiobooks e esportes há muitos anos, não é algo novo. Na verdade, os talk shows de rádio foram os primeiros antecessores do podcast contemporâneo.

O rádio ainda é fonte de informação, entretenimento e de grande audiência, mas os avanços na tecnologia e a introdução de smartphones colocaram um microfone nas mãos de qualquer pessoa com conexão à internet para transmitir sua mensagem ao mundo.

Com isso, cada vez mais plataformas estão criando conteúdo e podcasts ao vivo, arriscando e testando a audiência e o engajamento. Ao vivo significa que o conteúdo, de fato, não é pré-gravado, mas compartilhado em tempo real com o público. E tem gerado bons retornos até agora.

E o que dizer de mídias sociais de áudio? Ainda é tudo recente, mas tem conquistado um grande número de pessoas. Aplicativos populares como o Clubhouse se concentram no aqui e agora, fazendo acontecer encontros unicamente de áudios ao vivo, que desaparecem depois de finalizados – como se fosse, em analogia, os stories do instagram que somem em 24 horas – e não podem ser acessadas depois que o encontro termina.

A forma pela qual o áudio está moldando as mídias sociais e permitindo, por exemplo, que artistas forneçam shows de pré-visualização com duração limitada tem sido curiosa. Por exemplo, no caso de alguns cantores e bandas que lançam mão desse recurso, tem acontecido um fato interessante por parte do público: quem assiste ao show tem 67% mais chances de comprar ingressos para um evento ao vivo. É como se o conteúdo em áudio fosse uma “palhinha” do que estar por vir, e tem feito sucesso.

E no mundo dos esportes, o áudio também está com tudo! Uma das plataformas de maior sucesso que reúne pessoas falando sobre esse tema é a Locker Room. O aplicativo de mídia social somente de áudio conecta fãs de esportes, atletas e especialistas do setor em um espaço comum que conversam em tempo real, por exemplo.

O fato é apenas um: as pessoas amam se conectar. Seja por qual tipo de mídia, plataforma, aplicativo ou rede. Desde o Orkut, pessoas com semelhanças criam comunidades para trocar informações. No Facebook, WhatsApp e Telegram, isso foi adaptado e transformado nos grupos, que são um grande sucesso. No Instagram, artistas, especialistas dos mais variados nichos, profissionais e influenciadores acabam criando suas próprias comunidades com seus seguidores.

O áudio é apenas mais um formato que facilita a conexão entre pessoas. Cada plataforma tem seu público, mas uma coisa é certa: ele sempre estará lá. Resta saber se a tendência do conteúdo em áudio vai permanecer e por quanto tempo.

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