Por Lindenberg Junior

Com um trabalho artístico baseado em sua vida e quase autobiográfico, como ela própria define, Carmem Gusmão, ao longo de sua existência, sempre se interessou por culturas antigas, rituais, símbolos, signos, e a mãe natureza.

O aspecto psicológico do ser humano sempre a seduziu, fato que a fez cursar psicologia e mergulhar profundamente no universo mágico e místico de Carl Gustav Jung (Psicanalista, discípulo de Sigmund Freud). A literatura clássica, a filosofia, os textos bíblicos, enfim, o universo de sua cultura influenciam diretamente o seu trabalho artístico.

De acordo com Carmem, vários textos de “As Flores do Mal”, de Baudelaire, salpicam os sagrados corações de suas pinturas. Dos personagens sombrios do romance “Crime e Castigo” (Dostoiévski) pegou emprestado os medos e os pintou de azul. Em Pablo Neruda, buscou a metáfora até a exaustão (claro que continua buscando) e, muitas vezes, procurou o porquê do seu vermelho sangue na força da interrogação do “Processo” de Kafka.

Sua arte pode ser encontrada em museus e galerias ao redor do mundo, como por exemplo, o Museu de Arte Contemporânea Sofia Imber (Caracas/Venezuela), Galeria Paolo Barrile (Milão/Itália), Comitê das Artes de Tobago (Trinidad Tobago), Embaixada Brasileira (Lisboa/Portugal), Fundação Cultural Tancredo Neves (Belém/Brasil), Centro Municipal da Cidade (Buenos Aires/Argentina), e Artists Studio Gallery (Los Angeles/EUA).

Essa mineira de Governador Valadares, viveu parte de sua vida (entre 1988 e 1998) em Belém, no estado do Pará, próximo da Floresta Amazônica. Durante esse período, entre viagens e exposições de sua arte e busca de inspiração, uma experiência única marcou a sua vida espiritualmente, emocionalmente e artisticamente.

“Durante dois meses entre os índios Brasileiros Kayapós, vivi dias entre a floresta e o rio, entre a dança e os rituais, entre a pureza e a força de um povo que insiste em viver. Mergulhei no barro avermelhado que corre no leito dos rios e encontrei as sementes que germinam em mil cores e formas entre minhas telas e cerâmicas”, ela revela.

“Meu trabalho está alicerçado na minha vida. É quase autobiográfico. Tenho paixão por antigas culturas e sinais ritualizados. Na Amazônia brasileira, aprendi a pintar o corpo com as cores naturais das frutas. O tema constante em minhas pinturas é a natureza; árvores, pássaros, flores e montanhas”, prossegue Carmem.

Além de plástica há 45 anos e psicóloga, Carmem Gusmão também é Dream Builder Coach certificada pelo Life Mastery Institute em Los Angeles, fala inglês, português, italiano e espanhol. Vive em Michigan, mas já morou na Califórnia e na Flórida. Para conhecer seu trabalho, visite o site oficial da artista aqui.

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