Por Laís Oliveira

Música é arte, um código, uma linguagem universal que está presente em todas as culturas na história da humanidade. A música possui qualidades que influenciam as nossas dimensões emocionais e espirituais, não é à toa que os hieróglifos – da época do Egito Antigo e que representavam a palavra “música”, eram idênticos aos que representavam os estados de “alegria” e “bem-estar”. Mas você consegue entender por que músicas tocam nossas emoções?

Isso é um mistério até para os mais estudiosos e inteligentes cientistas que já se debruçaram sobre pesquisas para entender o poder da música na vida do homem. Até mesmo o pai da teoria da evolução, Charles Darwin, se dizia perplexo diante de nossa aptidão musical e como a música influencia nossas emoções. Para ele, tratava-se de uma “das mais misteriosas habilidades do ser humano”.

Muito provavelmente a música tenha sido calcada em associações feitas com os sons emitidos pelos animais, ajudando-nos a expressar nossos sentimentos antes de termos as palavras. Seria uma forma de “protolíngua”, que poderia ter aberto caminho para a fala há milhares de anos atrás.

Pesquisas antropológicas indicam que a música pode ter ajudado a moldar as sociedades humanas quando começamos a viver em grupos cada vez maiores. Dançar e cantar juntos ajudava os agrupamentos a serem mais altruístas e a terem uma identidade coletiva mais forte.

A música tem o poder de união, mas a participação ativa não é estritamente necessária para sentir seus benefícios. Simplesmente ouvir uma canção que produza um “frisson musical” pode aumentar o altruísmo e “elevar nosso espírito”.

Quem nunca sentiu que uma canção tocava profundamente seu coração no momento em que a escutou pela primeira vez? Seja a sensação de euforia em uma festa rodeada de amigos ou o choro solitário durante uma música melancólica? Uma música pode nos desfazer em pedacinhos, fazendo emoções aflorarem de maneira mais eloquente do que gestos ou palavras.

O poder de uma música pode ser comprovado mesmo que não tenhamos capacidade de explicá-la ou refletir sobre sua letra e melodia. Por exemplo, desde o ventre de suas mães, fetos e bebês completamente formados respondem a sons musicais colocados próximos à barriga materna.

Alguns especialistas já observaram um aumento de atividade cerebral do feto quando uma música é tocada para eles. Na 21ª semana de gestação, o feto já apresenta um desenvolvimento quase completo do seu aparelho auditivo, o que o torna capaz de identificar sons internos e externos. Por esse motivo, tudo que é falado ou tocado para o bebê a partir dessa semana pode ser identificado e memorizado por ele.

A música pode fazer bem não só ao bebê como para a mãe. Quando o bebê assimila o som que está sendo tocado, uma sensação de tranquilidade e conforto é produzida, deixando-o mais calmo e, consequentemente, a mãe experimenta menos sintomas de desconforto. Muitos profissionais acreditam, inclusive, no poder da música para ajudar a eliminar cólicas e outros sintomas desagradáveis que ocorrem na gestação.

De acordo com a Associação Americana de Musicoterapia (AMTA), o poder da música é amplo, pois ela melhora a qualidade de vida de pessoas saudáveis e atende às necessidades de crianças e adultos com algum tipo de deficiência ou doença. A música produz bem-estar, controla o estresse, reduz a dor, ajuda a expressar os sentimentos, melhora a memória, a comunicação e facilita a reabilitação física.

O som e a música produzem emoções que alteram a nossa fisiologia, nossos hormônios, o ritmo cardíaco e as pulsações. Utilizamos a música em muitos momentos, seja de forma consciente ou inconsciente e a utilização de música como terapia já ajuda milhares de pessoas diariamente no mundo inteiro.

Nossas ondas cerebrais são afetadas pelo som ao nosso redor e pelas músicas que ouvimos. O nosso humor também pode ser afetado pelo tipo de música que ouvimos ou cantamos. Uma canção triste pode nos deixar melancólicos, enquanto uma música alegre pode nos animar, nos dar coragem e trazer alguns momentos de felicidade. Uma música suave e harmônica nos acompanha nos momentos de relaxamento e estudo, e uma música rítmica nos estimula enquanto nos exercitamos.

Isso acontece porque as áreas cerebrais ativadas com a música e com as emoções são praticamente as mesmas. O cérebro produz algumas reações psicofisiológicas quando percebe os sons. Elas respondem com emoções que provocam alterações fisiológicas como o aumento da produção de neurotransmissores e outros hormônios que atuam sobre o sistema nervoso central.

A música é tão poderosa que é capaz de mudar a nossa atitude mental, transformar pessimismo e negatividade em otimismo e força de vontade, trazendo paz e harmonia em dias difíceis e relaxamento e bem-estar em momentos de estresse. Ela tem uma forte influência sobre todos os seres humanos em todos os níveis.

Seria possível para a humanidade viver sem música? Provavelmente não. A música colore a vida, pode sustentar dias difíceis, ajudar pessoas doentes, incluí-los socialmente, e ainda transmitir sensações poderosas e únicas. A música é uma linguagem universal, um idioma que pode não ser compreendido, mas é sentido.

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