Nesta terça-feira (17), a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que pessoas com sintomas do novo coronavírus não usem ibuprofeno para aliviá-los. O ibuprofeno é um medicamento que tem ação contra a inflamação (reação de defesa do organismo a uma agressão), dor e dor nas costas, além de alívio da dor após procedimentos cirúrgicos em odontologia, ginecologia, ortopedia, traumatologia e otorrinolaringologia.

O anúncio ocorreu após autoridades francesas terem alertado que os medicamentos anti-inflamatórios poderiam piorar os efeitos da covid-19. As advertências do ministro da Saúde da França, Olivier Veran, no fim de semana, seguiram um estudo recente publicado pela The Lancet na quarta-feira (11), com a hipótese de que uma enzima estimulada pelo ibuprofeno e outras drogas semelhantes pode facilitar e piorar as infecções por vírus.

O infectopediatra brasileiro Flávio Czernocha explicou, a um site do Brasil, que além do ibuprofeno, há suspeitas ainda em relação às drogas chamadas “inibidores da conversão da enzima da angiotensina” (IECA), usadas normalmente para o tratamento de pessoas que sofrem de pressão arterial.

Ele advertiu que o ibuprofeno, que é um dos anti-inflamatórios mais usados no mundo, aumenta a expressão de uma enzima das células do pulmão, a ECA2, justamente a que combina com o coronavírus, o seu receptor. Com mais enzimas, aumentará também a intensidade do vírus e a probabilidade de quadros mais graves da Covid-19.

Isso explicaria o motivo pelo qual hipertensos, pessoas com doenças cardíacas e diabéticos estarem sofrendo mais. É que os medicamentos tomados por esses pacientes dariam um empurrão à ação do coronavírus. Mas Czernocha lembrou que há casos como o de pacientes com deficiência de G6PD, erros inatos do metabolismo, que não podem usar paracetamol. Neste caso, o ideal é buscar auxílio profissional e conversar com um médico de segurança.

No Brasil, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse a jornalistas que a população não deveria suspender o uso da droga. “O risco de as pessoas pararem de tomar esses medicamentos por conta dessa notícia é muito pior do que o uso do medicamento. Porque se ela parar de tomar vai desequilibrar suas condições, sua pressão arterial. Vai ficar suscetível e, se tiver o coronavírus, aumentam as chances de ter complicações”, disse Gabbardo.

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