Pessoas vacinadas contra covid-19 têm a mesma probabilidade de espalhar a variante Delta que aqueles que não tomaram vacinas, de acordo com uma nova pesquisa no Reino Unido.

O estudo foi feito em 621 pessoas do Reino Unido com covid-19 em estado moderado e os cientistas descobriram que seu pico de carga viral era semelhante, independentemente do estado de vacinação, de acordo com um artigo publicado no dia 28 de outubro, no jornal médico The Lancet Infectious Diseases.

A pesquisa também descobriu que 25% dos contatos domiciliares vacinados ainda contraíram a doença enquanto 38% daqueles que não haviam recebido vacinas foram infectados.

Os resultados explicam porque a variante Delta é tão infecciosa, mesmo em países com índice de vacinação bem-sucedidos como EUA e Inglaterra, e porque os não vacinados não podem presumir que estão protegidos porque outros estão também estão vacinados. Aqueles que foram inoculados eliminaram o vírus mais rapidamente e tiveram casos menos graves, enquanto os não vacinados ficaram mais propensos a sofrer problemas de saúde graves e hospitalização.

“Nossas descobertas mostram que a vacinação por si só não é suficiente para evitar que as pessoas sejam infectadas com a variante Delta e a espalhem, principalmente em ambientes domésticos”, disse Ajit Lalvani, professor de doenças infecciosas do Imperial College of London que co-liderou o estudo.

A vacinação foi peça chave para reduzir a transmissão domiciliar da variante alfa – descoberta pela primeira vez no Reino Unido no final de 2020 – entre 40% e 50%, e os indivíduos vacinados infectados tinham uma carga viral mais baixa no trato respiratório superior do que aqueles que não. Já a variante Delta tem sido a cepa dominante globalmente já por algum tempo.

A pesquisa também mostrou que a imunidade total após a vacinação completa (duas doses) diminuiu para apenas três meses. Os autores disseram que não havia dados suficientes para aconselhar se isso deveria levar a uma mudança na política de reforço do Reino Unido e no mundo.

É válido lembrar que as terceiras doses ou “boost” estão sendo oferecidas em muitos países como EUA e Brasil a pessoas mais velhas e mais vulneráveis seis meses após a segunda vacina ser aplicada.

Facebook Comments