Quando a Kaiser Family Foundation, nascida nos EUA, conduziu uma pesquisa no início de 2021 e perguntou aos adultos vivendo na América se eles planejavam se vacinar, 23% disseram que não.

Mas uma porção significativa desse grupo – cerca de 25%, desde então, mudaram de ideia e optaram por se vacinar. No começo do segundo semestre de 2021, pesquisadores acompanharam e perguntaram a esses “convertidos” o que os levou a mudar de ideia. As respostas são importantes porque oferecem uma visão de como alguns milhões ainda não vacinados podem ser persuadidos a finalmente se vacinar.

Em primeiro lugar, um pequeno histórico: algumas semanas atrás, parecia plausível que a covid-19 pudesse estar em recuo permanente, pelo menos em comunidades com altas taxas de vacinação. Mas a variante Delta mudou a situação. O número de casos está aumentando em todos os 50 estados – no condado de Los Angeles, um dos maiores do país, por exemplo, na segunda semana de julho houve mais de 10 mil casos, o que levou novamente a uma ordem de uso de máscaras em lugares públicos desde sábado (17/07).

Embora as pessoas vacinadas estejam quase 100% livres de desenvolverem sintomas graves, a variante Delta colocou os não vacinados em maior risco de contrair o vírus – e consequentemente de precisarem ser hospitalizados e até morrerem.

A taxa de mortalidade da covid-19 depois do feriadão de 4 de julho nos EUA tem sido significativamente maior em estados com baixas taxas de vacinação do que naqueles com taxas mais altas. Em todo o país, mais de 99% das mortes recentes ocorreram entre pessoas não vacinadas, e mais de 97% das hospitalizações recentes ocorreram também entre os que não se vacinaram, de acordo com o C.D.C.

O que leva os não-vacinados a mudar de ideia e se vacinar? As pesquisas da Kaiser apontam três fatores principais.

1. Ver que milhões de pessoas (incluindo parentes e amigos) foram vacinados com segurança. Isso sugere que enfatizar a segurança das vacinas ao invés de apenas o perigo da doença, pode ajudar a persuadir mais pessoas.

2. Ouvir mensagens pró-vacina de médicos e profissionais da saúde no geral. Para muitas pessoas que foram vacinadas, as mensagens de especialistas e da mídia de massa foram convincentes. Mas muitos outros, especialmente aqueles sem diploma universitário – parecem ainda não confiar. Para eles, ouvir diretamente de pessoas que conhecem pode ter um impacto maior. E nesse caso seus médicos podem ajudar.

3. Compreender que não estar vacinado traz alguns impedimentos. Há, no momento, um debate turbulento sobre os mandatos de vacinas. Depende muito de leis de âmbito federal, estadual e mesmo municipal, mas, por exemplo, alguns empregadores poderão até exigir a comprovação de vacinado para contratar alguém.

Por fim, a interessante pesquisa da Kaiser sugere que esses fatos podem influenciar um número significativo de céticos a mudarem de ideia e escolherem se vacinar. O que, no fim, será bom para todos, na verdade.

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