Sim, ainda há muita coisa que não sabemos sobre o novo coronavírus. Mas há diversas lições que o mundo inteiro pode ensinar sobre como reduzir drasticamente o número de novos casos de covid-19.

Por exemplo, é preciso usar uma máscara para passar um tempo perto de alguém que não faz parte do seu lar. É necessário minimizar ao máximo o tempo em espaços internos com aglomeração. É preferível realizar o maior número possível de atividades ao ar livre. Deve-se lavar as mãos com frequência. E, caso esteja doente, você deve ficar em casa, porém isolado  dos membros de sua própria família.

Os EUA e outros governos ao redor do mundo podem retardar a disseminação do vírus incentivando todos esses cuidados, bem como testando a população e fazendo rastreamento de pessoas que provavelmente têm o vírus, mas são assintomáticas.

Os últimos seis meses mostraram repetidamente o valor dessas etapas de cuidados. Os países e regiões que os tomaram evitaram surtos e reduziram minimamente o número de casos. Veja a Coréia do Sul e o Vietnã, ou ainda alguns dos lugares mais atingidos nas primeiras ondas da pandemia: China, a área metropolitana de Nova York e grande parte da Europa Ocidental.

No caso dos EUA, nas últimas semanas de junho, no entanto, o vírus começou a se espalhar pelo sul e oeste, bem como em alguns outros países. E não há nenhum mistério real sobre o porquê. Muitas pessoas afrouxaram as medidas de segurança e as orientações de saúde pública e se reuniram em restaurantes, bares, igrejas, academias e locais de trabalho (às vezes porque seus empregadores os pressionavam a fazê-lo).

Anthony Fauci, principal especialista em doenças infecciosas do governo, disse ao congresso dos EUA na terça-feira, 23 de junho: “As próximas semanas serão críticas e vão exigir nossa capacidade de lidar com os surtos que estamos vendo no Arizona, na Flórida, no Texas e em outros estados”. Se os surtos não forem revertidos, criarão uma nova onda de pessoas infectadas poderão espalhar o vírus para as demais.

Se os EUA terão sucesso nesta próxima etapa não é uma questão de epidemiologia ou ciência de laboratório. É uma questão de vontade política. E isso nem sequer vai exigir novos e severos bloqueios na maioria dos lugares.

Existem maneiras de socializar e ser responsável ao mesmo tempo, mas, nos EUA (e também em outros países), as pessoas parecem incapazes de traçar a linha entre o que está certo e o que não está. Para muitas, a questão da pandemia parece ser binária – ou elas estão totalmente presas ou saem de casa e não tomam precauções.

Mais de 2.300.000 pessoas nos Estados Unidos foram infectadas com o coronavírus e pelo menos 121.500 morreram (números estimados até 20 de junho). Embora o número de novas mortes tenha diminuído, o vírus continua circulando amplamente no país. À medida que os estados passam a reabrir parcialmente suas economias, milhares de novos casos ainda estão sendo identificados a cada dia e a verdadeira normalidade continua sendo uma visão distante (todos os dias, mais eventos amados são apagados do calendário).

A Califórnia quebrou um recorde diário de novos casos de coronavírus com mais de 6.000 infecções relatadas na segunda-feira (22) – a maior contagem de um dia no estado desde que a pandemia atingiu os EUA. Na última semana, o estado elevou o número total de infecções para mais de 88.000. As autoridades também relataram 34 mortes adicionais, aumentando o número de mortes para 3.171 – a maior parte do total do estado.

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