Por Clélio Berti

Quando falamos em sexualidade, logo nos vem em mente o paradigma: penetração. Parcela significativa da sensorialidade desenvolvida na sexualidade perde-se, quer seja pela pressa, quer seja pela inabilidade dos amantes. Como não perceber as expressões do olhar? Como não perceber o cheiro do perfume? Como não deitar-se com a expressão do olhar? Como não perceber as expressões faciais de alegria e excitação? Como não sentir o ritmo cardíaco seu e de sua parceira alterar-se acelerando e reduzindo? Como perceber todas as regiões do corpo e não só os órgãos genitais?

A sexualidade envolve todo ser humano. O corpo, as emoções e a mente deverão envolver-se com sintonia. O ser humano deverá entregar-se por completo, para poder vivenciar as riquezas da sensorialidade sexual. Entretanto, não é possível vivenciar as diferentes nuances do sexo, se a relação for medíocre no tempo ou na sensibilidade. Como fazer? É o tema do nosso artigo.

O tempo médio do ato sexual para os norte-americanos é de 12 minutos e para os brasileiros é de 15, a depender da faixa etária. Ora, uma relação sexual com esse tempo é a miséria sensorial. O tempo é insuficiente para despertar todos os sentidos. Fazemos o sexo como pobres animais irracionais. Jogamos o potencial prazeroso pela janela.

Uma relação sadia e prazerosa não deverá durar menos de 40 minutos. O ideal é de pelo menos 90 minutos. Com esse tempo, podemos despertar todas as sensações. Começamos com a ativação dos órgãos sexuais. Ampliaremos a consciência para usar o olfato, o tato, o paladar, a audição. Organizaremos os pensamentos e as emoções. O que antes era um simples contato do aparelho genital, agora é a expressão da totalidade do ser. É um mergulho em queda livre no prazer máximo.

É importante ressaltar que essa experiência poderá ser vivida com outras sensações e não só com a sexualidade. A cada vivência prazerosa dessa magnitude, o ser manifesta-se. Há o sentimento de plenitude e a vida toma sentido. Como uma experiência tão gratificante, o indivíduo busca repete-la. A repetição reforça o prazer. Um indivíduo nessas condições, será mais alegre, acreditará na vida, terá menos doenças (o sistema imunológico está mais ativo), terá relacionamentos mais ricos, será mais produtivo no trabalho e o desempenho sexual será extraordinário. Mas não é suficiente só querer. É preciso desenvolver técnicas para aumentar o rendimento. A vontade sem ação é inócua.

Para conseguir uma ereção forte por 90 minutos sem ejacular, há vários exercícios. Desenvolver a musculatura genital e, simultaneamente, controlar a respiração é uma das técnicas. Inspira-se lentamente. Com os pulmões cheios, contraem-se os esfíncteres do ânus e da uretra. Expira-se e com os pulmões vazios, novamente, contraem-se os esfíncteres. A contração deverá permanecer até que os pulmões fiquem cheios ou vazios. Precisando expirar ou inspirar, cessa a contração dos esfíncteres.

Repete-se o exercício por 10 a 15 minutos todos os dias da semana. Quando mais fortes forem as contrações e mais profunda a respiração, melhores serão os resultados. Esse exercício reforçará a musculatura genital sobre controle da respiração.

No ato sexual, quando se aproxima do orgasmo, o indivíduo deverá diminuir o ritmo dos movimentos e efetuar as respirações profundas. Após breves instantes, a excitação cairá um pouco. Intensifica-se o ritmo dos movimentos. Chegando próximo ao orgasmo, repete-se a desaceleração. Ficar-se-á navegando próximo ao orgasmo aumentando ou diminuindo o ritmo para a excitação aumentar ou diminuir.

Depois do domínio da técnica, o indivíduo poderá prolongar a relação sexual por tempos consideráveis. Durante esse período a criatividade dos amantes é fundamental. Usar o olfato, os lábios, a língua, as mãos, os pés, os pelos, o tato, a audição, a voz e a respiração. Essa é apenas uma técnica. Há de se destacar que há outras complementares para serem utilizadas conjunta ou separadamente. Quanto maior o universo dominado, tanto melhor o desempenho geral.

*Clélio Berti vive em Campinas, Brasil e entre os livros que já escreveu esta “Um caminho para o Autoconhecimento – Ícone Editora Brasil”. Clélio pertence à organização Universidade de Ioga do Brasil.

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