Na quinta-feira (13), a China relatou detecção do vírus da covid-19 em uma remessa transcontinental de asas de frango congeladas vindas do Brasil. As declarações geraram preocupação ao redor do mundo, em particular, nos Estados Unidos, que tem grande população de consumidores das famosas “bufallo wings”. Os temores levaram a imprensa americana a focar bastante no ocorrido durante quinta e sexta (13 e 14 de agosto), incluindo entrevistas com especialistas para verificar a veracidade da informação proferida pela China.

Angela Rasmussen, virologista da Universidade de Columbia, disse que a probabilidade de contrair o vírus em alimentos — especialmente congelados e embalados, é extremamente baixa. As diretrizes do Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA afirmam que “não há evidências que sugiram que o manuseio ou consumo de alimentos esteja associado à Covid-19”. A principal via de transmissão do vírus é de pessoa para pessoa, através de espirros, tosse, fala, ou mesmo respirando.

O pesquisador da Universidade de Yale Brandon Ogbunu tampouco demonstrou preocupação, mas aconselhou a comunidade medica e cientifica a permanecer atenta às formas de cruzamento de fronteiras internacionais do coronavírus. Ainda assim, salientou que é quase certo que seja conduzido apenas por pessoas, ao invés dos produtos comerciais enviados por elas.

As asas de frango foram examinadas na quarta, dia 12 de agosto, no distrito de Longgang, em Shenzhen, onde as importações foram testadas para detecção da presença de material genético do coronavírus, ou RNA. Várias amostras retiradas da embalagem externa de frutos do mar congelados, algumas das quais foram enviadas do Equador, recentemente testaram positivo para RNA do vírus nas províncias chinesas de Anhui, Shaanxi e Shandong.

Procedimentos laboratoriais que buscam RNA também formam a base da maioria dos testes de coronavírus realizados em pessoas. Mas o RNA é apenas um substituto para a presença do vírus, que pode deixar para trás pedaços de seu material genético mesmo após ter sido destruído, disse o pesquisador de Yale.

Para provar que um vírus perigoso persiste em alimentos ou embalagens, os pesquisadores precisariam isolá-lo e comprovar em laboratório que ele ainda pode se replicar. Esses experimentos são logisticamente desafiadores, pois requerem pessoal especialmente treinado e não fazem parte do pipeline de testes típico.

Depois que as amostras retiradas da superfície da carne testaram positivo, os funcionários realizaram testes semelhantes em várias pessoas suspeitas de entrar em contato com o produto. Uma série de outros produtos embalados também foi testada. Todas as amostras analisadas até agora foram negativas para RNA de coronavírus, de acordo com um comunicado divulgado pelo Escritório Central de Prevenção e Controle de Epidemias de Shenzhen na China.

Contudo, a recente descoberta alertou os consumidores sobre produtos congelados importados, em particular nos EUA, líder absoluto no numero de casos de covid-19 confirmados. O CDC americano, por sua vez, alertou que devemos continuar a lavar as mãos e ficar atentos às superfícies onde muitas pessoas tocam, e lembrou que é a proximidade com outras pessoas que, de fato, facilita a transmissão.

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