Apenas nos primeiros seis dias de abril, mais de 5% dos residentes nos Estados Unidos receberam pelo menos uma dose da vacina contra covid-19. Ao todo, aproximadamente 1/3 terço da população já recebeu pelo menos a primeira imunização. Em base per capita, isso é mais do que em qualquer outro grande país além da Grã-Bretanha. Canadá, Europa Continental, Austrália, China, Índia, Rússia e Brasil que estão muito atrás.

Porém em doses administradas por cada 100 da população, enquanto os EUA estão em segundo com 58, em seguida vem a Grã-Bretanha com 56, segundo dados do New York Times, o ranking de países que mais vacinou comparando com o número de pessoas para cada 100 segue com França com 18, Alemanha com 17, Canadá com 17, Brasil com 10, China com 10, Rússia com 8, México com 7, Índia com 6, Austrália com 3, e Japão com apenas 1 vacinado a cada 100.

Não é difícil entender que sem a aceleração da vacinação, o número de novos casos de covid-19 nos EUA quase que certamente teria disparado nos meses de março e abril, como aconteceu em grande parte do mundo, como foi o caso de vários países na Europa Continental. Em vez disso, os novos casos da doença nos EUA estagnaram. Eles permanecem altos, mas o aumento previsto na primavera (que aqui nos EUA começou no dia 21 de março) não aconteceu – até a data desse artigo pelo menos.

Na primeira semana de abril de 2021, o país atingiu os três milhões de vacinados por dia, mas, segundo epidemiologistas, uma distribuição mais equitativa de vacinas salvaria mais vidas. Em muitas comunidades de baixa renda – entre raças, mas desproporcionalmente negros e latinos, menos pessoas receberam vacinas do que nas comunidades mais ricas. Pense desta forma: muitas pessoas de baixo risco e com boas condições financeiras receberam uma ou duas vacinas, em contrapartida, muitas pessoas idosas em comunidades mais pobres ainda não foram sido vacinadas. O problema também é complexo e a logística também privilegia os com maior grau de escolaridade e mais bem informados.

Na Califórnia por exemplo, existe um wesbite do estado – www.myturn.ca.gov em que você monitora se pode ser vacinado e onde está disponível sua dosa – de acordo com o seu zip code (CEP), mas muitos latinos e afroamericanos de baixa renda desconhecem ou não estão usando por falta de acesso à internet. Também existe outro fator: o da disponibilidade das pessoas e da atitude. Por exemplo, uma pessoa mais informada e que saiba dos seus direitos pode marcar uma data disponível para se vacinar e conversar, solicitando ao patrão, a ausência no trabalho em um dia mais próximo. Em contrapartida, o não tão bem informado fica esperando um dia de folga de trabalho para conciliar a data e poder se vacinar.

O fato é que os epidemiologistas nos EUA recomendam que esse número diário médio de vacinados chegue ao patamar de 4 milhões. E isso pode não ser impossível. Por que? Juntas, Johnson & Johnson, Moderna e Pfizer entregarão mais de 4 milhões de doses por dia durante essa primavera no país. Não há nenhuma boa razão para que as vacinas permaneçam armazenadas quando o mundo está em uma corrida contra variantes mais contagiosas e graves do vírus. E um aumento no surto ainda nessa primavera não pode ficar descartado quando a economia começa a abrir mais e mais daqui para a frente.

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