Por Mileni D’Alberti

A vida acaba de lhe presentear com um livro de páginas em branco no qual você será o personagem principal e autor. Sorte sua!

Estamos perto de um novo ano e já começamos a pensar em um novo começo. Fazer planos, escrever metas – e até começar a se exercitar três vezes por semana, tudo isso faz parte desse espírito de renovação. Mas e a sua casa? Já pensou em “limpar a área”, se desfazer dos entulhos e coisas que não funcionam mais ou não são mais necessárias?

Atire a primeira pedra quem nunca acumulou trastes velhos. Sabe aquele telefone celular que quebrou há um tempão e você continua guardando? A pecinha do liquidificador que quebrou e você ficou de comprar outra? E até aquele vestido que você gosta tanto, mas que já tem dez anos de uso no guarda-roupa?

Quantas coisas já sem utilidade para você ou, no caso de roupas, que você já não veste, e ainda está dentro da sua casa? Coisas entulhadas sem serventia, acumulo de papeis, livros que nem sequer foram abertos, roupas que nunca foram usadas. Abra suas gavetas e revire o quarto e vai achar. Você já se perguntou qual a necessidade de acumular tanta coisa que nunca usa?

Mais importante: já questionou o quanto essas tranqueiras sem utilidade podem estar afetando sua vida?

Os seguidores do Feng-Shui, por exemplo, proclamam que a bagunça é a inimiga número um da prosperidade. Segundo essa tradição milenar chinesa, guardar coisas que não usamos barra o fluxo de energia ao nosso redor e carrega o ambiente, podendo trazer doenças, desequilíbrio emocional e perdas financeiras. Isso inclui jornais e revistas velhas (que supostamente enfraquecem nosso poder criativo), livros ultrapassados, roupas que raramente usamos (de acordo com esse pensamento, as roupas retém nossa energia, e esta deve circular sempre, se renovar) e principalmente utensílios e aparelhos eletrônicos quebrados.

Pessoalmente, não sei se compro as ideias de Feng-Shui. Sendo uma cientista por profissão, sou cética quanto a crenças envolvendo ocultismo e ideias não comprovadas em geral. Mas também como cientista, sei que os seres humanos são feitos de energia. Sendo assim, não é de se admirar que a energia de outras pessoas, seres e objetos afetem a nossa própria.

Energia é como eletricidade invisível e inodora, mas experimente botar o dedo na tomada… com certeza vai sentir! Porém os efeitos são mais sutis. Tantas vezes estamos em um lugar cheio de energia negativa, as coisas não acontecem e a gente não se dá conta do porquê.

Não é coincidência você conseguir trabalhar melhor num escritório limpo. Eu removo a papelada da mesa e imediatamente consigo pensar melhor. Há uma sensação deliciosa em se livrar de coisas que não tem utilidade. A diferença está no ar, literalmente. Bagunça dificulta a chegada de coisas novas, pois ocupa nosso espaço, tempo e atenção. Um provérbio chinês trata exatamente disso: “Ter muito é estar confuso”.

Repare como sua casa, quarto ou escritório “estranhamente” reflete como você está se sentindo por dentro. Num sentido mais geral, reflete sua vida. Que o diga minha amiga Hannah, com seu quarto parecendo ter sido varrido por um furacão. Assim é a vida dela, seu “normal” estado mental. A boa notícia é que, arrumando-se o ambiente, ganha-se mais controle sobre o próprio humor. A partir daí as coisas fluem mais facilmente.

Os objetos que guardamos também simbolizam as nossas lembranças. Manter laços com a nossa história é bom e saudável, mas só até certo ponto. Quando vivemos de lembranças presas, não abrimos espaço em nossas vidas para o novo. Cada coisa tem seu valor em um certo tempo, mas há de se deixar para trás o que passou. Da mesma forma como nos apegamos a velhos objetos, também não conseguimos nos desfazer de antigos sentimentos, medos e ideias ultrapassadas.

Se pudermos dar adeus ao conteúdo de nossas gavetas, eventualmente será mais fácil jogar fora velhos sentimentos. Seja como for, essas “pirações” mostram como somos ligados à matéria e como ela pode reger nossa vida. Não espere muito para colocar em prática o desapego. Junte as velharias dentro de uma caixa bem grande e a carregue até o lixo mais próximo com um sorriso no rosto! Como opção, você também pode procurar um centro de doação mais próximo (aqui na Califórnia temos os Goodwill, Salvation Army, etc). Diga sim ao desapego e sinta-se reenergizado!

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