Por Lindenberg Junior

O FB Live “Com Vocês” é o novo projeto semanal da Soul Brasil, que acontece às quintas-feiras. Até a data desse artigo, havíamos concluído 5 edições, sendo a de 30 de julho a última até então. Em todos os episódios, de uma forma ou de outra, as palavras “reinventar” ou “inovar” vieram à tona nas falas de nossos convidados. Obviamente, em tempos de pandemia, lockdowns e quarentenas, nada mais natural do que essas duas palavras terem destaque. 

Nos últimos dias, em artigos de revistas e jornais americanos, além de reportagens na TV, pude observar algumas dessas inovações. O tema sobre ideias de reinvenção me fascina, e foi esta a razão principal para escrever este artigo. Se você precisa de um pouco de inspiração, talvez o texto aqui seja muito interessante para você.

As reinvenções em questão têm um particular: todas são adaptações para se adequar a um ambiente ao ar livre, ou “outdoor”. Posso começar com exemplos dados em nossas lives. Na primeira edição, com capoeiristas, foi mencionada a opção de aulas de capoeira em parques. Já na live seguinte, entre cineastas, o cinema ao ar livre, adotado em algumas cidades da Europa recentemente, foi mencionado. Agora, na quinta edição, o pastor Miguel Albanez comentou sobre uma brasileira que adaptou um truck para servir de salão de beleza móvel. 

Ainda sobre se reinventar, uma psicoterapeuta da Califórnia vem atendendo seus clientes em uma floresta, com cadeiras a dois metros de distância. Uma trupe de cabaret em Grand Rapids, no estado de Michigan, vai às casas das pessoas e realiza apresentações nas calçadas e quintais. Uma empresa da Pensilvânia, vendedora de gazebos, passou a realizar reuniões com o time de vendedores e atender aos clientes ao ar livre. Onde mais? Em um gazebo. Até mesmo o governo americano inovou ao realizar a cerimônia para novos cidadãos americanos em frente a um tribunal federal em Boise, Idaho.

Em San Francisco, vários restaurantes inovaram, introduzindo bebidas “to go”. O chef e dono do Café Envy, por exemplo, quis garantir que os coquetéis para viagem fossem uma boa opção para os clientes que quisessem  ir para casa e relaxar. E deu certo! Para ele e outros na Bay Area. Afinal, as bebidas geram lucro muito maior que a comida aqui nos Estados Unidos, e vem sendo uma válvula de escape para dias difíceis. Já o restaurante Soba Ichi, inovou criando kits de refeições pré-prontos para fazer em casa e empacotados para dois. Em Los Angeles, tenho visto muitos restaurantes improvisarem em seus estacionamentos, colocando mesas distantes entre si e criando um ambiente natural para atrair clientes.

Na tentativa de manter a escola — para estudantes entre 12 e 18 anos — mais segura para professores e alunos (e seus pais), os diretores da Aspire Scholar Academy, da cidade de Provo (Utah), não convencidos de que as aulas internas não seriam seguras neste outono americano (quando começa o ano letivo nos EUA), mesmo com o uso de máscaras, compraram 33 tendas e as instalaram no estacionamento da escola (que funciona anexa a uma igreja). “As crianças não querem o Zoom”, disse um membro do conselho diretivo da escola. E complementou: “Eles querem ficar juntos”. A escola disse aos pais que os alunos precisarão de protetor solar e, eventualmente, roupas apropriadas para dias frios e neve, e que planeja “incorporar a natureza ao redor” durante as aulas.

Por outro lado, a pandemia de Covid-19 ameaça a sobrevivência de organizações educacionais em todo os Estados Unidos. Nesse caso, nos referimos às que fornecem educação ambiental e científica ao ar livre para estudantes do ensino fundamental e médio, com 63% desses grupos incertos sobre sua capacidade de reabrir as portas, de acordo com um estudo divulgado em junho pelo Lawrence Hall of Science da UC Berkely.  Segundo os pesquisadores, cerca de 4 milhões de jovens haviam perdido a oportunidade de participar desses programas, e o numero poderia subir para 11 milhões até dezembro de 2020, se essas organizações não conseguirem reabrir.  Lembrando que o impacto na Califórnia é ainda maior do que a nível nacional. 

Marc Bermane, psicologo e professor em uma universidade de Chicago, além de especialista em influência dos fatores ambientais no cérebro e o comportamento, disse em abril (pico da pandemia), que, se uma grande cidade não tem espaço verde suficiente para a quantidade de pessoas que moram nela, isto poderia acarretar em um problema de saúde pública. Segundo o professor, o contato com a natureza não é uma comodidade, mas sim, uma necessidade. Por fim, esse período incomum serve para nos reconectarmos, nos reinventarmos e nos adaptarmos a novo tempos. Nós brasileiros somos seres humanos bem criativos e, ao meu ver, o contato com a natureza muitas vezes nos faz pensar melhor e inspira com mais naturalidade. Coloquemos em pratica essa criatividade!

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