A internet transformou a indústria da música ao ampliar o acesso ao público, fortalecer o streaming e criar novas oportunidades para artistas independentes. Spotify, YouTube, TikTok, SoundCloud e outras plataformas mudaram a maneira de divulgar, descobrir e consumir música, enquanto o rádio continua relevante nos Estados Unidos. Em 2026, streaming, redes sociais, algoritmos e ferramentas digitais estão cada vez mais integrados à carreira dos artistas.
Por Laís Oliveira

A internet democratizou a divulgação musical e permitiu que artistas independentes alcançassem públicos maiores.
A música está em um momento completamente novo neste mundo contemporâneo. O rádio ainda existe, mas o streaming e as novas plataformas de música mudaram a forma como as pessoas consomem música e proporcionaram um ambiente mais democrático para o ouvinte e o músico. Agora, artistas famosos e desconhecidos, com ou sem investimento de grandes gravadoras, podem divulgar seu trabalho musical nas mesmas plataformas e alcançar públicos potencialmente grandes no ambiente digital.
Essa transformação deixou de ser apenas uma tendência. Em 2025, a receita mundial da música gravada chegou a US$ 31,7 bilhões, crescimento de 6,4% em relação ao ano anterior. O streaming respondeu por 69,6% de toda a receita global da música gravada, enquanto as assinaturas pagas alcançaram 837 milhões de usuários em todo o mundo.
Quem costumava ouvir no rádio suas canções e artistas prediletos passou a contar também com aplicativos e plataformas como Spotify, YouTube Music, SoundCloud, Deezer e Apple Music, entre outros. Entre os atrativos estão a agilidade na escolha, o poder de repetir a música que se gosta e a opção de organizar playlists de artistas favoritos e ouvir quando quiser — sem precisar esperar a música A ou B tocar.
A lógica, entretanto, ficou ainda mais ampla. Em 2026, a descoberta musical acontece por meio de playlists editoriais, recomendações algorítmicas, vídeos curtos, redes sociais, rádios digitais, conteúdo criado por fãs e até sistemas de inteligência artificial.
O que os brasileiros ouvem?
Os dados mais recentes mostram que o Brasil se tornou um dos mercados musicais mais importantes do mundo. Segundo o Global Music Report 2026, da IFPI, a indústria fonográfica brasileira cresceu 14,1% em 2025, fazendo o país subir para a 8ª posição entre os maiores mercados de música gravada do mundo. Na América Latina, o crescimento foi de 17,1%, e o streaming respondeu por 88,1% das receitas de música gravada da região.
O Spotify também registrou uma expansão significativa dos artistas brasileiros. Segundo dados divulgados pela própria plataforma em 2026, artistas brasileiros geraram aproximadamente R$ 2 bilhões em royalties no Spotify durante 2025, um crescimento de 24% em relação ao ano anterior. O número de artistas brasileiros que geraram mais de R$ 1 milhão na plataforma mais que dobrou nos últimos três anos.
O cenário também mostra que a música brasileira passou a ter maior alcance internacional. De acordo com o Spotify, o português foi, em 2025, o idioma que mais cresceu entre aqueles que geraram mais de US$ 100 milhões na plataforma, com alta de 26% em relação ao ano anterior e de 51% em dois anos. O funk foi o gênero que mais cresceu globalmente entre aqueles que movimentaram mais de US$ 50 milhões, com expansão de 36%.
Esses números mostram uma mudança importante em relação aos dados de 2019. Naquele período, levantamentos do mercado brasileiro destacavam variações de consumo de gêneros como pop, samba e sertanejo entre Spotify, YouTube e rádio. Em 2026, entretanto, o mercado é muito mais fragmentado e internacionalizado, tornando menos útil uma comparação baseada apenas em rádio e duas plataformas digitais.
Além disso, artistas brasileiros passaram a utilizar o ambiente digital não apenas para conquistar o público nacional, mas também para exportar música. Dados da Luminate mostram que o Brasil chegou à 8ª posição no ranking de Export Power no primeiro semestre de 2026, impulsionado por artistas como Alok e Anitta.
O rádio ainda tem espaço na era do streaming
Isso não quer dizer que o rádio vai morrer, assim como se afirmava com a televisão, a revista e outras mídias tradicionais. Estes meios estão, na verdade, se adequando à necessidade de gerações que buscam cada vez mais conteúdo de qualidade e entretenimento.
O streaming de rádio está aí para provar isso. As emissoras passaram a disponibilizar sua programação também pela internet, permitindo que o conteúdo seja consumido pelo celular, computador, aplicativos e sistemas de entretenimento dos automóveis.
Nos Estados Unidos, o rádio continua tendo um peso significativo. Dados da Nielsen e Edison Research mostram que, no quarto trimestre de 2025, o rádio representou 61% do tempo diário de escuta dentro do universo de áudio suportado por publicidade, enquanto o streaming de música respondeu por 15%.
Ao mesmo tempo, o áudio digital continua crescendo. O Infinite Dial 2026, da Edison Research, apontou que 81% dos americanos com 12 anos ou mais ouviam áudio digital mensalmente, o equivalente a aproximadamente 233 milhões de pessoas, enquanto 76% ouviam semanalmente.
No caso dos músicos, especialmente os desconhecidos ou independentes, as plataformas digitais se tornaram aliadas na divulgação de trabalhos e, para muitos, um dos principais meios de alcançar públicos maiores.
Isto porque os custos e as barreiras de entrada da indústria tradicional continuam sendo relevantes. A divulgação em rádio, campanhas de marketing, relações com gravadoras, produção física e outros mecanismos tradicionais podem exigir investimentos elevados.
A internet, por outro lado, permite que um artista grave uma música, distribua o lançamento internacionalmente e comece a construir uma audiência sem necessariamente estar contratado por uma grande gravadora.
Então resta a milhares de artistas divulgarem seu trabalho da forma que podem e de acordo com seus orçamentos.
Quais as vantagens de investir na música pela internet?
Mesmo artistas de renome mundial têm escolhido divulgar novas músicas, singles e álbuns em plataformas digitais devido ao grande alcance e à possibilidade de rápida divulgação graças às redes sociais.

Spotify, YouTube, SoundCloud e outras plataformas mudaram a maneira como as pessoas descobrem e consomem música.
Ninguém joga para perder na grande indústria da música. Plataformas como Spotify, Apple Music, SoundCloud, Bandcamp, Tidal, Deezer, Amazon Music e YouTube Music disputam a atenção dos consumidores e procuram manter sua relevância em um mercado cada vez mais competitivo.
Algumas plataformas citadas em versões anteriores desta matéria, como Google Play Music, deixaram de existir e foram substituídas por outros serviços. O mesmo vale para determinadas ferramentas de distribuição que foram encerradas, incorporadas ou passaram por mudanças de modelo de negócio. Por isso, em 2026, é importante verificar a situação atual de cada serviço antes de escolher uma plataforma para distribuição.
Para músicos menos conhecidos, também existem plataformas e serviços especializados em distribuição digital. Nos Estados Unidos, entre as opções utilizadas por artistas independentes estão Amuse, DistroKid, CD Baby, TuneCore, Ditto, UnitedMasters e outros distribuidores.
O UnitedMasters, por exemplo, oferece atualmente distribuição para mais de 150 serviços de música e ferramentas de marketing para artistas independentes, além de recursos relacionados a parcerias com marcas e sincronização.
O fato é que a internet mudou para sempre o cenário da indústria da música e vários artistas vêm sabendo usar as novas tecnologias digitais.
Por outro lado, alguns artistas com menos conhecimento têm tido dificuldades quando se trata de escolher e/ou usar as plataformas mais eficazes para promover sua música.
Em 2026, essa escolha ficou ainda mais complexa. Não basta simplesmente colocar uma música no Spotify ou no YouTube. O artista precisa pensar em distribuição, direitos autorais, redes sociais, vídeos, playlists, relacionamento com fãs, dados de audiência, divulgação e estratégias para transformar ouvintes ocasionais em uma base de fãs.
Como escolher as melhores plataformas para divulgar música?
No meio de tantas ofertas, é essencial ter um entendimento claro de como lidar com estas três perguntas:
1) Quais comunidades são as mais populares entre o seu público-alvo?
2) Por que elas são poderosas, ou seja, quais são suas capacidades e recursos?
3) Quais são as circunstâncias apropriadas para se colocar um plano em ação?
Em 2026, uma quarta questão também ganhou importância: como os algoritmos e os dados de audiência podem ajudar a identificar e alcançar novos ouvintes? A resposta varia de acordo com o estilo musical, a localização do público e o estágio da carreira do artista.
Spotify e a divulgação de artistas
Spotify, YouTube, SoundCloud e outras plataformas mudaram a maneira como as pessoas descobrem e consomem música. Em 2018, o rapper norte-americano Drake lançou o álbum Scorpion, que rapidamente se tornou um fenômeno global.
Quem abriu o Spotify em qualquer lugar do mundo na semana do lançamento viu a imagem do Drake como capa de várias playlists. Muita gente então se perguntou: quanto se paga para colocar um artista na capa de uma playlist oficial do Spotify?
A resposta continua sendo que não existe a possibilidade de simplesmente pagar para ser colocado em uma playlist editorial oficial do Spotify.
O processo atual é mais sofisticado. Artistas e equipes podem enviar uma música inédita para consideração editorial por meio do Spotify for Artists. A plataforma informa que todos os artistas e suas equipes utilizam a mesma ferramenta de apresentação, enquanto os editores analisam informações sobre a música, gênero, contexto e outros dados.
O Spotify também possui playlists editoriais, playlists editoriais personalizadas e playlists geradas por algoritmos, como Discover Weekly, Release Radar e Daily Mix.
Além disso, a plataforma criou ferramentas de promoção como o Discovery Mode, que permite que artistas e gravadoras sinalizem músicas prioritárias para os sistemas de recomendação. O recurso não exige pagamento antecipado, mas o Spotify cobra uma comissão sobre os streams gerados em determinados contextos de Discovery Mode.
Isso mostra como a indústria mudou. A disputa não acontece apenas para conseguir espaço em uma rádio ou em uma playlist. Agora, artistas também competem pela atenção dos algoritmos, pela retenção dos ouvintes e pelo engajamento nas redes sociais.
Em uma analogia rápida, a mesma divulgação de trabalho numa rádio tradicional poderia necessitar de investimentos elevados e depender de decisões de programadores. No ambiente digital, o artista possui mais caminhos para apresentar sua música, embora a concorrência pela atenção seja enorme.
Como os americanos descobrem novas músicas?
Quando falamos dos EUA, a descoberta musical está hoje dividida entre várias plataformas. Spotify, YouTube, redes sociais, amigos e familiares e rádio AM/FM desempenham papéis importantes.
Um levantamento da Edison Research sobre descoberta musical mostrou que o Spotify se tornou uma das principais fontes utilizadas pelos americanos para acompanhar novidades musicais. Em 2024, 48% dos americanos com 12 anos ou mais disseram utilizar o Spotify para descobrir ou aprender sobre música, enquanto YouTube e rádio AM/FM também continuavam relevantes.
Entre os americanos que consideram importante acompanhar novidades musicais, 82% utilizavam amigos ou familiares como fonte, 70% utilizavam YouTube e 50% utilizavam rádio AM/FM. Entre os jovens de 12 a 34 anos, Instagram e TikTok também apresentavam forte influência na descoberta musical.
Isso ajuda a explicar por que o rádio continua relevante mesmo com a enorme expansão do streaming. Se há Spotify, YouTube, TikTok, SoundCloud e outras plataformas, por que ainda aderir a um formato que oferece menos possibilidades de escolha? A resposta está justamente na quantidade de opções disponíveis.
Os dados revelam que, para muitas pessoas, a disponibilidade de tanta música pode transformar a escolha em uma tarefa. Em vez de procurar individualmente entre milhões de faixas, parte do público prefere que outra pessoa ou um sistema faça essa seleção. A maioria das pessoas simplesmente não quer passar o tempo todo escolhendo o que ouvir. Elas querem que a música seja uma experiência passiva, tranquila, algo para se ter ao fundo enquanto cozinham, limpam, dirigem, relaxam, enfim, vivem suas vidas.
São tantas opções que muitos preferem sentar e ter outra pessoa — um DJ, uma lista de hits baseada em gráficos, um algoritmo, uma playlist ou qualquer autoridade confiável — assumir o controle colocando o que ele deve escutar. É por isso que os serviços de streaming estão cada vez mais parecidos com o rádio.
Rádio, streaming e a liberdade de escolha

Mesmo com o crescimento das plataformas digitais, o rádio continua relevante para a descoberta de novas músicas nos Estados Unidos.
Essa divisão de opiniões e diferentes formas de escolher o que ouvir é uma característica bastante democrática da era digital. Pode ser que você queira apenas ligar o rádio e ir fazer alguma coisa; pode ser que queira montar uma playlist com um artista ou estilo específico; pode ser que queira uma lista de músicas prontas para sua festa.
Pode também descobrir uma música por um vídeo no TikTok ou Instagram, ouvi-la no YouTube, salvá-la no Spotify e depois encontrar outros artistas semelhantes por meio de recomendações algorítmicas. Seja qual for sua vontade, há opções para todo mundo, de qualquer idade, geração e gosto musical.
A transformação também é econômica. Em 2025, o mercado global de música gravada voltou a registrar crescimento, enquanto o streaming continuou como principal motor da indústria. Ao mesmo tempo, formatos físicos também cresceram: a receita mundial com formatos físicos aumentou 8% e o vinil teve alta de 13,7%, mostrando que a digitalização não eliminou completamente o interesse por produtos musicais físicos.
Nos Estados Unidos, o mercado também demonstra que o consumidor não abandonou completamente os formatos tradicionais. Segundo a RIAA, a receita da música gravada no país chegou a US$ 11,54 bilhões em 2025, alta de 3,1%. O streaming respondeu por US$ 9,47 bilhões, enquanto o vinil cresceu 9,3% em receita.
Assim, a internet não simplesmente substituiu a antiga indústria da música. Ela criou uma indústria mais ampla, na qual rádio, streaming, redes sociais, algoritmos, shows, produtos físicos e comunidades digitais convivem e disputam a atenção do público. E essa transformação ainda está acontecendo.
FAQ — Perguntas frequentes
1. Como a internet mudou a indústria da música?
A internet ampliou o acesso à música, facilitou a divulgação de artistas e permitiu que músicos independentes alcançassem públicos maiores por meio de plataformas digitais, redes sociais, playlists e serviços de distribuição. Em 2025, o streaming já representava 69,6% da receita mundial da música gravada.
2. O streaming substituiu o rádio?
Não. O streaming mudou significativamente a forma de consumir e descobrir música, mas o rádio continua relevante, especialmente nos Estados Unidos. Dados recentes mostram que o rádio ainda representa a maior parcela do tempo de escuta dentro do áudio suportado por publicidade no país.
3. Quais plataformas podem ser usadas por artistas independentes?
Entre as plataformas de música estão Spotify, SoundCloud, Bandcamp, YouTube Music, Deezer, Amazon Music, Apple Music e Tidal. Para distribuição digital, artistas independentes podem utilizar serviços como Amuse, DistroKid, CD Baby, TuneCore, Ditto e UnitedMasters, entre outras opções disponíveis em 2026.
4. Por que o streaming é importante para músicos independentes?
Porque permite disponibilizar músicas para públicos potencialmente maiores sem depender exclusivamente dos meios tradicionais de divulgação. O crescimento dos artistas brasileiros no Spotify mostra essa transformação: em 2025, artistas brasileiros geraram aproximadamente R$ 2 bilhões em royalties na plataforma.
5. Como os ouvintes escolhem músicas na era digital?
Os ouvintes podem escolher músicas individualmente, criar playlists, utilizar listas produzidas por plataformas, receber recomendações de algoritmos, descobrir artistas pelas redes sociais ou ouvir rádio. A variedade de opções permite diferentes formas de consumo de acordo com o gosto, a idade e o momento.



