Brasileira de 26 anos é detida pelo ICE no aeroporto de Los Angeles antes de embarcar em voo de L.A. para o Havaí. O caso de Renata Mietto alerta sobre os riscos de viagens domésticas para imigrantes com status irregular e esclarece as regras do REAL ID nos EUA.

Viagens domésticas nos Estados Unidos podem representar riscos migratórios para imigrantes em situação irregular.
O que deveria ser uma viagem especial em família para comemorar o aniversário da mãe acabou se transformando em um pesadelo para a brasileira Renata Alves Mietto, de 26 anos (2026), detida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX). A prisão aconteceu em 27 de agosto de 2026, quando Renata se preparava para embarcar em um voo doméstico com destino ao Havaí.
Segundo sua mãe, Márcia Rilda Alves dos Reis, a jovem apresentou o passaporte, passou normalmente pelos procedimentos de segurança da TSA e chegou ao portão de embarque. Foi nesse momento que agentes do ICE à paisana a abordaram. O episódio ganhou repercussão nacional e internacional, principalmente porque Renata vivia nos Estados Unidos havia aproximadamente dez anos e, segundo familiares, não possuía antecedentes criminais.
Quem é Renata Mietto e como ela perdeu seu status migratório?
Renata chegou aos Estados Unidos em 2016, aos 16 anos, para estudar. Concluiu o ensino médio americano e estudou Artes Cênicas na Utah Valley University, no estado de Utah. Posteriormente, mudou-se para Los Angeles, onde desenvolveu atividades como atriz e empreendedora. Também passou a administrar uma empresa de limpeza que, segundo relatos publicados pela imprensa no Brasil como a CNN, chegou a empregar mais de 20 pessoas.
Entretanto, sua situação migratória mudou. De acordo com informações divulgadas pela família, Renata perdeu seu status migratório regular aproximadamente dois anos antes da prisão, supostamente após receber orientação jurídica equivocada. As autoridades americanas confirmaram que seu período autorizado de permanência havia expirado.
É importante esclarecer que não foi possível confirmar que tipo específico de visto Renata recebeu originalmente, nem os detalhes administrativos que resultaram na perda de seu status. Estudar nos Estados Unidos, por si só, não garante permanência indefinida no país.
Mais de um mês detida e uma família em sofrimento
Após a prisão, Renata passou por diferentes instalações de detenção migratória, incluindo um centro em Adelanto, na Califórnia, antes de ser transferida para El Paso, no Texas. Sua mãe denunciou condições difíceis de confinamento, problemas de higiene, sofrimento emocional e uma transferência prolongada durante a qual, segundo seu relato, a filha permaneceu algemada e sem alimentação adequada.
A defesa tentou obter sua liberação, mas o pedido foi negado. Segundo informações divulgadas até 7 de outubro (data desse artigo), Renata continuava sob custódia enquanto seu processo migratório avançava, e a família buscava uma solução para sua saída dos Estados Unidos. Constatamos que a próxima audiência de Renata está prevista para 13 de outubro de 2026 e buscaremos dar um novo update a este artigo.
O alerta: voos domésticos também podem representar riscos migratórios

Passaporte brasileiro e REAL ID permitem a identificação para voos domésticos, mas não garantem status migratório regular.
Muitos brasileiros acreditam que, por estarem viajando entre dois estados americanos, não precisam se preocupar com a imigração. Essa percepção pode ser perigosa. O Havaí neste caso, faz parte dos EUA. Portanto, um voo de Los Angeles para Honolulu é considerado doméstico e normalmente não envolve o controle de passaportes utilizado em chegadas internacionais.
Entretanto, isso não impede que autoridades federais de imigração realizem abordagens ou detenções em aeroportos, desde que observadas as exigências legais aplicáveis. O caso de Renata demonstra que passar pela segurança da TSA não significa receber autorização ou garantia de permanência no país. Para brasileiros que entraram legalmente, mas permaneceram além do prazo autorizado, perderam o status de estudante ou turista ou estão enfrentando processos migratórios, uma viagem aparentemente simples pode representar um risco significativo.
REAL ID: o que mudou e por que ele não protege contra o ICE?
Desde 7 de maio de 2025, passageiros adultos precisam apresentar um documento compatível com o REAL ID ou outra identificação aceita pela TSA para embarcar em voos domésticos. Em fevereiro de 2026, entrou em vigor o sistema TSA ConfirmID, que permite a passageiros sem identificação aceita solicitar uma verificação alternativa mediante uma taxa de US$ 45.
ICE e TSA: brasileiros precisam conhecer a diferença
A TSA (Transportation Security Administration) é responsável pela segurança dos transportes e pela verificação de identidade dos passageiros. Já o ICE (Immigration and Customs Enforcement) atua na fiscalização das leis federais de imigração. Embora tenham funções distintas, informações de passageiros podem ser utilizadas pelas autoridades migratórias.
Antes de comprar uma passagem nos EUA, o que o brasileiro deve considerar?
Quem possui dúvidas sobre seu status migratório deve buscar orientação jurídica individualizada antes de viajar, especialmente nas seguintes situações:
A)Visto vencido ou permanência irregular: ter entrado legalmente não significa que a autorização de permanência continue válida.
B)Perda do status de estudante: interromper estudos ou deixar de cumprir exigências do programa pode afetar o status F-1.
- C) Processo de imigração pendente: um pedido de Green Card, asilo ou mudança de status não garante automaticamente proteção contra detenção.
- D) Ordem de deportação anterior: mesmo uma viagem doméstica pode apresentar riscos elevados.
- E) Proteções temporárias: pessoas com TPS, DACA ou parole também devem verificar sua situação individual antes de embarcar.

Brasileiros com visto vencido, perda de status, processo de imigração pendente ou ordem de deportação devem buscar orientação jurídica antes de viajar.
O principal ensinamento do caso de Renata é que uma viagem de lazer não deve ser planejada sem considerar as consequências migratórias. Isso não significa que todo imigrante sem status será preso em um aeroporto, mas que o risco existe e precisa ser levado a sério. A história da jovem brasileira também mostra como uma situação migratória não resolvida pode afetar anos de estudos, trabalho, planos profissionais e convivência familiar.
FAQ – Perguntas Mais Frequentes
- Brasileiros sem Green Card podem viajar de avião dentro dos EUA?
Sim, dependendo da situação migratória. O Green Card não é obrigatório para todos os passageiros. Entretanto, pessoas sem status regular ou com processos migratórios específicos podem enfrentar riscos de abordagem e detenção.
- O passaporte brasileiro substitui o REAL ID?
Sim. Um passaporte brasileiro válido é aceito pela TSA como documento de identificação para voos domésticos. Isso não significa que o portador esteja autorizado a permanecer nos Estados Unidos.
- O ICE pode prender um imigrante dentro de um aeroporto americano?
Sim, quando existe fundamento legal para a detenção. Isso pode acontecer mesmo depois que o passageiro passou pelo controle de segurança da TSA.
- Quem entrou com visto de estudante e perdeu o status pode viajar para o Havaí?
O voo é doméstico, mas a perda do status pode expor a pessoa à fiscalização migratória. É recomendável consultar um advogado antes de viajar.
- Quem possui REAL ID pode ser detido pelo ICE?
Sim. O REAL ID é um documento de identificação, não uma autorização migratória permanente.
- Quem está aguardando o Green Card pode viajar dentro dos Estados Unidos?
Depende da situação migratória, do tipo de processo pendente e de eventuais ordens anteriores. Um pedido pendente não garante, por si só, proteção contra detenção.
- Como localizar um brasileiro detido pelo ICE?
Familiares podem consultar o sistema oficial Online Detainee Locator System e buscar assistência jurídica.



