O governo dos Estados Unidos anunciou um programa piloto que permitirá a estrangeiros pagar US$ 750 para obter uma entrevista de visto de turismo ou negócios mais rapidamente. A medida faz parte de uma série de mudanças migratórias implementadas pela administração Trump, que vêm gerando debates sobre custos, acessibilidade e impacto no turismo internacional.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a criação de um novo serviço premium para solicitantes de vistos de turismo e negócios. O anúncio oficial foi feito em 9 de junho de 2026. A iniciativa permitirá que estrangeiros paguem US$ 750 adicionais para tentar obter uma entrevista consular de forma acelerada.
Apesar do valor elevado, o pagamento não garante a aprovação do visto, nem mesmo assegura uma vaga permanente. O benefício oferecido é apenas a possibilidade de acessar uma entrevista em prazo reduzido, algo que tem se tornado cada vez mais difícil diante das longas filas em diversos consulados americanos pelo mundo.
Como funcionará o “Fast Pass” para vistos
Segundo comunicado publicado no Federal Register, o programa piloto será aplicado inicialmente aos vistos B1 (negócios) e B2 (turismo).
O novo serviço funcionará como um complemento opcional à taxa regular de solicitação de visto, atualmente fixada em US$ 185.
Na prática, o candidato poderá reservar uma entrevista prioritária, mas terá entre cinco e dez minutos para concluir o pagamento da taxa premium. Caso o pagamento não seja realizado dentro desse prazo, a vaga será liberada novamente para outros candidatos.
O programa está previsto para funcionar entre 1º de julho e 31 de dezembro, em postos consulares selecionados e com número limitado de vagas.
Longas filas motivaram a criação do programa
O Departamento de Estado justificou a medida citando os extensos tempos de espera enfrentados por candidatos em diversos países.
Em algumas embaixadas e consulados, o tempo de espera para uma entrevista pode ultrapassar 12 meses, dificultando viagens urgentes, compromissos de negócios e participação em grandes eventos internacionais.
A expectativa do governo americano é receber cerca de 25.700 solicitações por ano, gerando aproximadamente US$ 19,3 milhões em arrecadação adicional.
Especialistas questionam a medida
A iniciativa tem recebido críticas de especialistas em turismo e hospitalidade.
Para Alan Fyall, professor e vice-diretor da Rosen College of Hospitality Management, da Universidade da Flórida Central, a medida pode aumentar ainda mais a sensação de incerteza para visitantes internacionais.
Segundo ele, o turismo depende de previsibilidade e segurança. A criação de uma espécie de “fila premium” para vistos é considerada incomum no cenário internacional.
Especialistas destacam que poucos países cobram valores extras tão elevados apenas para acelerar o agendamento de entrevistas consulares.
As mudanças de Trump para turistas e viajantes internacionais
Desde o retorno de Donald Trump à presidência em 2025, a política migratória dos Estados Unidos passou por diversas alterações que afetam turistas, estudantes, profissionais e visitantes temporários.
Entre as principais medidas anunciadas estão:
Taxas migratórias adicionais
O Congresso aprovou dezenas de novas taxas relacionadas à imigração, justificadas como forma de incentivar o cumprimento das regras migratórias.
Uma das mais debatidas foi a chamada “Visa Integrity Fee”, uma taxa adicional de US$ 250 prevista para determinados solicitantes de visto. Apesar de anunciada, sua implementação ainda enfrenta resistência de representantes da indústria do turismo.
Exigência de comprovação de residência
Outra mudança importante passou a exigir que candidatos solicitem vistos em seus países de residência habitual, dificultando a utilização de consulados em terceiros países para acelerar processos.
Na prática, especialistas afirmam que isso pode ampliar ainda mais os tempos de espera em determinadas regiões.
Possíveis garantias financeiras

Especialistas alertam que taxas extras podem tornar os Estados Unidos menos competitivos como destino turístico
O governo também propôs exigir depósitos ou garantias financeiras de até US$ 15 mil para determinados viajantes, com o objetivo de reduzir casos de permanência além do prazo autorizado.
Fiscalização ampliada de redes sociais
Outra proposta anunciada prevê a análise de históricos de redes sociais de viajantes provenientes de dezenas de países. A medida ainda enfrenta questionamentos e não foi totalmente implementada.
Como as filas de visto impactam o turismo nos EUA
Representantes do setor turístico americano afirmam que os longos tempos de espera vêm prejudicando a competitividade dos Estados Unidos como destino internacional.
Segundo líderes da indústria do turismo, muitos viajantes acabam escolhendo outros países que oferecem processos de entrada mais rápidos e menos burocráticos.
O argumento é simples: turistas costumam priorizar destinos que oferecem conveniência, previsibilidade e facilidade de acesso.
Com eventos globais, festivais, shows e competições esportivas atraindo visitantes de última hora, atrasos na emissão de vistos podem representar perda de receitas para hotéis, companhias aéreas, restaurantes e atrações turísticas.
O que isso significa para brasileiros?
Para brasileiros que pretendem visitar os Estados Unidos, o novo programa poderá representar uma alternativa para quem enfrenta dificuldades para encontrar datas disponíveis para entrevista.
No entanto, é importante destacar que:
- O pagamento dos US$ 750 não garante aprovação do visto;
- O valor será adicional à taxa consular tradicional;
- O programa terá vagas limitadas;
- Nem todos os consulados participarão da iniciativa;
- A análise de elegibilidade continuará seguindo os mesmos critérios consulares.
FAQ — Perguntas Frequentes
1. O novo pagamento de US$ 750 garante o visto americano?
Não. O valor serve apenas para tentar obter uma entrevista mais rapidamente. A decisão sobre a aprovação do visto continua sendo feita normalmente pelo oficial consular.
2. Quanto custará o processo ao todo?
O solicitante deverá pagar a taxa tradicional de US$ 185 mais a taxa premium de US$ 750, totalizando US$ 935.
3. Brasileiros poderão utilizar o programa?
A expectativa é que sim, mas o Departamento de Estado informou que a iniciativa será oferecida apenas em postos consulares selecionados.
4. Quando o programa começa?
O programa piloto está previsto para funcionar entre 1º de julho e 31 de dezembro.
5. As regras para aprovação do visto mudaram?
Não. O programa altera apenas a velocidade de acesso à entrevista. Os critérios de análise permanecem os mesmos.




