O show do intervalo do Super Bowl é um dos maiores palcos da música mundial e mostra como uma apresentação aparentemente “gratuita” pode gerar enormes retornos financeiros depois. Artistas como Usher, Rihanna e Lady Gaga transformaram minutos no palco em aumento de audiência, streams, vendas e oportunidades de negócios.

 

Por Lindenberg Junior

O show do intervalo do Super Bowl é muito mais do que entretenimento: é uma gigantesca vitrine para artistas.

O show do intervalo do Super Bowl é muito mais do que entretenimento: é uma gigantesca vitrine para artistas.

O Super Bowl, que acontece todos os anos em uma sede diferente nos Estados Unidos e está entre os eventos esportivos mais assistidos do mundo, também se tornou um dos maiores palcos da indústria musical.

Aqui, porém, não vamos falar do jogo. O foco é o mundialmente famoso show de música que acontece no intervalo, seus valores de produção e, principalmente, a enorme exposição que ele proporciona aos artistas.

Um dos exemplos mais interessantes é o do cantor americano Usher, que subiu ao palco do Super Bowl LVIII, realizado em 11 de fevereiro de 2024, em Las Vegas. A NFL, a Apple Music e a Roc Nation anunciaram oficialmente Usher como atração principal do intervalo daquele evento.

A questão que chama atenção é que o artista não recebe necessariamente um grande cachê tradicional pela apresentação. O modelo do Super Bowl é diferente de um show convencional: a NFL e seus parceiros cobrem custos relacionados à produção, enquanto o artista recebe pagamentos previstos em acordos sindicais e outros benefícios relacionados à apresentação.

Por que artistas aceitam fazer o Super Bowl sem um grande cachê?

Mas é justamente aqui que quero chegar.

Para um artista de grande porte, a principal recompensa pode não estar no dinheiro recebido “up front”, ou seja, imediatamente pela apresentação. O verdadeiro valor está na exposição global.

Uma apresentação de poucos minutos pode colocar o artista diante de dezenas ou até centenas de milhões de espectadores, além de gerar enorme repercussão nas redes sociais, plataformas de streaming, imprensa e mercado de shows.

Essa exposição pode se transformar em dinheiro de várias outras formas: aumento no número de reproduções das músicas, crescimento nas vendas de álbuns e singles, novos contratos, maior procura por ingressos, valorização de cachês e fortalecimento da marca pessoal.

Em outras palavras, o artista pode não ganhar milhões diretamente pelo show, mas a apresentação pode ajudar a gerar milhões depois do show.

Rihanna e o efeito Super Bowl nas plataformas de música

A Rihanna no Super Bowl de 2023 é um dos exemplos mais conhecidos desse fenômeno.

A apresentação da cantora se tornou um dos maiores eventos musicais da história do intervalo do Super Bowl e alcançou uma audiência gigantesca nos Estados Unidos. O impacto não ficou restrito à televisão: a repercussão também apareceu nas plataformas digitais.

De acordo com dados divulgados na época, as reproduções do catálogo de Rihanna no Spotify dispararam depois da apresentação. Segundo levantamento citado pelo Hypebot, os streams aumentaram 349%, enquanto a música “Bitch Better Have My Money”, usada na abertura do show, registrou crescimento de 1.796%.

O caso demonstra como uma apresentação de poucos minutos pode funcionar como uma gigantesca campanha de divulgação para todo o catálogo de um artista.

Mais do que promover uma música específica, o Super Bowl pode levar novos ouvintes a conhecerem trabalhos antigos, estimulando streams, vendas, shows e outros negócios relacionados à carreira.

Lady Gaga também sentiu o impacto após o Super Bowl

Rihanna teve forte impacto nas plataformas de streaming após seu show no Super Bowl de 2023.

Rihanna teve forte impacto nas plataformas de streaming após seu show no Super Bowl de 2023.

Outro exemplo é Lady Gaga, que se apresentou no intervalo do Super Bowl em 2017.

Na ocasião, a cantora registrou um aumento superior a 1.000% nas vendas digitais de músicas e álbuns nos Estados Unidos no dia da apresentação, segundo dados da Nielsen Music divulgados pela imprensa. Gaga vendeu aproximadamente 150 mil unidades digitais naquele domingo, contra cerca de 15 mil no dia anterior.

O efeito também apareceu em outras plataformas. Segundo dados divulgados na época, o catálogo da cantora teve forte crescimento nas reproduções e algumas de suas músicas apresentaram aumentos ainda maiores.

Ou seja, novamente, o principal retorno do Super Bowl não estava necessariamente no pagamento pela apresentação, mas naquilo que aconteceu depois que as câmeras foram desligadas.

O verdadeiro valor de uma oportunidade “gratuita”

É exatamente por isso que o Super Bowl oferece uma importante lição para artistas, profissionais criativos, empreendedores e até pequenos negócios.

Às vezes, uma oportunidade aparentemente gratuita pode ter um valor muito maior quando analisamos o que ela pode gerar no futuro.

No mundo dos negócios criativos, é comum pensar apenas no dinheiro que pode ser recebido imediatamente. É o chamado “up front”, o pagamento feito agora.

Mas existe também o valor indireto: novos clientes, maior audiência, venda de ingressos, novos contratos, publicidade, streaming, seguidores, reconhecimento de marca e outras oportunidades.

O Super Bowl mostra isso de maneira extremamente clara.

Às vezes, fazer algo simplesmente “de graça” pode ser uma jogada muito inteligente — desde que exista uma estratégia para aproveitar o que vem depois.

Para nós, criativos, artistas e profissionais de diferentes áreas, a lição é simples: nem sempre devemos avaliar uma oportunidade apenas pelo dinheiro que ela coloca no bolso agora. É preciso considerar também todas as possibilidades que aquela exposição pode abrir depois.

FAQ — Perguntas frequentes

1. Os artistas recebem cachê para cantar no Super Bowl?
O modelo não funciona como um show tradicional. O artista não costuma receber um grande cachê convencional pela apresentação, enquanto custos de produção e obrigações previstas em acordos profissionais e sindicais são tratados dentro da estrutura do evento.

2. Por que artistas aceitam se apresentar no Super Bowl sem um grande cachê?
Principalmente pela enorme exposição. O artista pode alcançar uma audiência gigantesca e transformar essa visibilidade em mais streams, vendas, ingressos para shows, contratos e oportunidades comerciais.

3. Quem foi o artista do show do intervalo do Super Bowl de 2024?
O cantor Usher foi o principal artista do Apple Music Super Bowl LVIII Halftime Show, realizado em 11 de fevereiro de 2024, em Las Vegas.

4. Rihanna ganhou dinheiro com sua apresentação no Super Bowl?
O principal benefício da apresentação de Rihanna não foi apenas o pagamento relacionado ao evento, mas a enorme exposição gerada para sua carreira e seu catálogo musical. Após o show, suas músicas registraram forte aumento nas reproduções em plataformas digitais.

5. O Super Bowl pode aumentar as vendas e os streams de um artista?
Sim. O caso de Lady Gaga é um exemplo documentado: após sua apresentação em 2017, as vendas digitais de suas músicas e álbuns nos EUA cresceram mais de 1.000% no dia do evento, segundo dados da Nielsen Music.