Depois de transformar o mercado financeiro brasileiro e se consolidar como um dos maiores bancos digitais das Américas, o Nubank agora mira um dos mercados mais competitivos do mundo: os Estados Unidos. A instituição já recebeu aprovação regulatória inicial para operar no país e aposta no mesmo modelo digital que revolucionou o sistema bancário no Brasil.

Com 115 milhões de clientes no Brasil, o Nubank chega à nova etapa como uma das maiores fintechs das Américas.
O mercado bancário dos Estados Unidos é considerado um dos mais difíceis para novos concorrentes. Diversas fintechs e bancos internacionais tentaram conquistar consumidores americanos nos últimos anos, mas muitos acabaram desistindo diante da forte concorrência, da regulamentação rigorosa e do domínio das grandes instituições financeiras.
Agora, quem pretende enfrentar esse desafio é o Nubank, conforme publicado no dia 21 de julho de 2026 pela revista Forbes. O banco digital nasceu da visão do colombiano David Vélez, mas encontrou no Brasil o ambiente ideal para transformar uma ideia inovadora em realidade. Fundado em 2013 e lançado ao público em 2014, o Nubank revolucionou o setor financeiro brasileiro ao oferecer serviços digitais com menos burocracia e tarifas reduzidas, tornando-se hoje uma das maiores instituições financeiras da América Latina.
Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, a movimentação chama atenção. Muitos já utilizam ou utilizaram o Nubank no Brasil e agora acompanham a possibilidade de ver a marca atuar também no mercado americano.
Um desafio que poucos conseguiram superar
Entrar no sistema bancário americano não tem sido tarefa simples.
Nos últimos anos, grandes instituições internacionais e fintechs encerraram ou reduziram suas operações nos Estados Unidos. O espanhol BBVA vendeu sua operação americana ao PNC em 2021. No mesmo ano, a fintech alemã N26 deixou o país poucos anos após sua chegada. Mais recentemente, a britânica Monzo encerrou suas operações americanas, enquanto a Revolut tenta uma nova estratégia buscando uma licença bancária.
Nem mesmo a Chime, considerada a principal fintech criada nos Estados Unidos, conseguiu dominar o mercado. Após mais de uma década de operação e bilhões de dólares investidos, a empresa ainda possui menos de 5% de participação no segmento bancário voltado ao consumidor.
Esse histórico reforça por que muitos analistas classificam o mercado americano como uma verdadeira fortaleza para novos participantes.
Aprovação regulatória marca o início da nova etapa

A entrada definitiva no mercado americano dependerá do cumprimento das exigências regulatórias previstas para 2027
Apesar desse cenário, o Nubank decidiu avançar.
Em janeiro de 2026, a empresa recebeu aprovação condicional para obter uma licença bancária federal nos Estados Unidos. A autorização estabelece um cronograma regulatório: o banco deverá aportar capital próprio na operação americana até fevereiro de 2027 e iniciar suas atividades até meados do mesmo ano.
Caso cumpra todas as exigências, a instituição dará um dos passos mais importantes de sua história desde a abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York, em dezembro de 2021.
Um modelo que transformou o sistema bancário brasileiro
A estratégia do Nubank é baseada justamente no modelo que impulsionou seu crescimento no Brasil.
Quando iniciou suas operações, em 2014, cinco grandes bancos concentravam aproximadamente 80% do mercado brasileiro. O Nubank começou oferecendo apenas um cartão de crédito sem anuidade e atendimento totalmente digital.
Ao longo dos anos, ampliou seu portfólio para conta digital, investimentos, empréstimos, seguros e outros serviços financeiros, tornando-se referência em experiência do cliente e inovação tecnológica.
Hoje, o banco soma cerca de 115 milhões de clientes no Brasil, além de 15 milhões no México e quase 5 milhões na Colômbia.
Em 2025, registrou aproximadamente US$ 16 bilhões em receita e US$ 3 bilhões de lucro líquido, resultados impulsionados por um modelo operacional essencialmente digital, que reduz custos de atendimento e aumenta a eficiência da operação.
Atualmente, o Nubank possui valor de mercado estimado em US$ 68 bilhões, acima dos cerca de US$ 38 bilhões registrados quando estreou na Bolsa de Nova York.
David Vélez aposta novamente em desafiar os céticos
À frente dessa nova expansão está David Vélez, cofundador e CEO do Nubank.
Nascido em Medellín, na Colômbia, o empresário de 44 anos trabalhou no mercado de private equity e concluiu um MBA na Universidade Stanford antes de decidir criar sua própria empresa.
Sua escolha pelo Brasil foi estratégica. Vélez identificou no sistema financeiro brasileiro um ambiente altamente concentrado, com tarifas elevadas e pouca concorrência — cenário que abriu espaço para uma proposta totalmente digital.
A decisão transformou não apenas o setor bancário brasileiro, mas também sua trajetória pessoal. Hoje, sua fortuna é estimada em cerca de US$ 13 bilhões, tornando-o um dos empresários mais ricos da América Latina.
Embora reconheça que entrar no mercado americano seja um desafio diferente daquele enfrentado no Brasil e em outros mercados emergentes, Vélez demonstra confiança de que o Nubank pode repetir parte do sucesso alcançado na América Latina.
O que a expansão significa para brasileiros nos EUA
A possível chegada do Nubank aos Estados Unidos desperta interesse especialmente entre brasileiros que vivem no país.
Milhões de imigrantes já conhecem a plataforma e utilizam seus serviços quando mantêm contas e investimentos no Brasil. Uma operação bancária americana poderá ampliar as possibilidades de integração financeira entre os dois países, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre quais produtos estarão disponíveis ao público nos EUA.
Por enquanto, o processo depende do cumprimento das exigências regulatórias e da autorização definitiva das autoridades americanas.
Se a estratégia terá sucesso em um dos mercados mais competitivos do planeta, somente os próximos anos poderão responder. Mas, independentemente do resultado, a iniciativa representa mais um capítulo da trajetória de uma empresa que nasceu de uma ideia colombiana, encontrou no Brasil o ambiente para crescer e agora busca espaço entre os gigantes do sistema financeiro americano.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. O Nubank já pode operar nos Estados Unidos?
Ainda não. A empresa recebeu uma aprovação condicional e precisa cumprir exigências regulatórias, incluindo aportar capital até fevereiro de 2027 e iniciar as operações até meados do mesmo ano.
2. Quem fundou o Nubank?
O Nubank foi fundado por David Vélez, empresário colombiano que escolheu o Brasil para lançar o banco digital ao lado dos cofundadores Cristina Junqueira e Edward Wible.
3. Quantos clientes o Nubank possui atualmente?
A instituição reúne cerca de 115 milhões de clientes no Brasil, além de aproximadamente 15 milhões no México e quase 5 milhões na Colômbia.
4. Por que o mercado bancário dos EUA é considerado tão difícil?
O setor é altamente competitivo, possui forte regulamentação e é dominado por grandes instituições financeiras. Diversas fintechs internacionais já encerraram ou reduziram suas operações no país.
5. O Nubank oferecerá os mesmos serviços nos EUA?
Ainda não há confirmação. A empresa não divulgou quais produtos serão disponibilizados ao mercado americano após o início das operações.



