Um passeio por Nova York logo após os atentados de 11 de setembro revela uma cidade marcada pela memória, pela arte e pela diversidade cultural. Kátia Moraes compartilha suas impressões sobre o World Trade Center, museus, igrejas, restaurantes e casas de música, além de comparar o ritmo intenso de Manhattan com a tranquilidade da Califórnia.
Por Kátia Moraes

O Memorial & Museu Nacional do 11 de Setembro homenageia as vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001
Fiquei ali olhando para o World Trade Center, sentindo um silêncio por dentro. Quase todas as pessoas estavam em silêncio. O único barulho vinha do tráfego da Church Street. O céu estava nublado, e uma chuvinha caía sobre os turistas que liam as placas colocadas nos muros de arame em volta de onde ficavam as Twin Towers, as Torres Gêmeas. As placas contavam a história dos prédios e apresentavam os nomes das pessoas que haviam falecido. Os vendedores da Fulton Street sussurravam os preços das camisetas que estavam vendendo quando as pessoas passavam.
Achei que estava tudo errado. Que ninguém deveria estar ali com suas câmeras e sua curiosidade, e que todos estavam desrespeitando alguma coisa. Liguei para meu marido pelo celular e contei o que estava sentindo. Estar ali era importante para me lembrar do que os atos de radicalismo podem fazer com a humanidade.
Arte, cultura e experiências em Nova York
A exposição The Cremaster Cycle, de Matthew Barney, no Museu Guggenheim, foi uma viagem. A mostra reunia esculturas, pinturas, desenhos, fotografias e cinco longas-metragens que exploravam o processo criativo. Que experiência abstrata! Minha visita à St. Patrick’s Cathedral foi um presente para minha mãe, que mora no meu coração. É um lugar incrível. Eu já a tinha visto da rua, mas a catedral é especial por dentro.
Minha visita ao Lincoln Center e ao Metropolitan Opera House também foi maravilhosa. Fiquei feliz em saber que Carlinhos Brown e outros artistas brasileiros menos conhecidos do grande público, como Selma do Coco, Lactomia, Mundo Livre S/A, Vanildo de Pombos, Mestre Ambrósio, DJ Dolores e Orchestra Santa Massa, Mestre Salustiano e Timbalada, se apresentariam em julho. O show se chamava Brasil: Além da Bossa.
Restaurantes tradicionais e sabores da Big Apple
Comi muito bem no Elaine’s, um restaurante italiano tradicional localizado em Uptown Manhattan, onde Robert Altman e Lou Lombardo, editor de muitos de seus filmes, costumavam se encontrar. O lugar tem muita história para contar e provavelmente estaria cheio de homens fumando charutos se não fosse a nova lei contra o fumo nos restaurantes. Acho que as pessoas não estavam gostando muito dessa lei em Nova York.
Meu estômago ficou muito contente com a comida do restaurante francês Balthazar. A experiência me lembrou muito a Colombo, um restaurante tradicional no centro do Rio de Janeiro, onde muitos artistas gostavam de ir no início do século XX. Infelizmente, não tive tempo de comer no Sushi Samba. Será que, no final da noite, umas tainhas peladas dão um show de samba?
Música ao vivo e vida noturna em Manhattan
Assisti a uma banda de dez pessoas no Café Wha? depois do meu show no Sounds of Brazil com o Latin Project. O guitarrista começou tocando Brasileirinho e Noites Cariocas na guitarra baiana. Também tive o prazer de ouvir a voz de Barbara Mendes e encontrei muita gente legal, incluindo o brasileiro DJ True, que conheci na conferência de Dance Music em Miami. Só fiquei triste por não ter ido ao Cielo, um clube de música eletrônica que, segundo me disseram, tinha um som maravilhoso.
Legenda da imagem original: Catedral de Saint Patrick, em Manhattan.
Nova York ou Califórnia: dois estilos de vida diferentes
A selva de concreto é muito atraente, mas me sinto em paz na Califórnia. Ficaria deprimida vivendo naquele ritmo acelerado, no meio de tantos prédios. Ao mesmo tempo, a variedade e a qualidade do entretenimento oferecido em Nova York não chegam aos pés do que Los Angeles pode oferecer.
Enquanto andava pelas ruas da Big Apple, pensei no quanto gosto de estar perto da natureza. As montanhas, o oceano e os espaços abertos de Los Angeles me confortam e diminuem minha ansiedade. Por outro lado, as pessoas em Nova York parecem ter muito mais senso de humor. Elas não se levam tão a sério. Tenho a impressão de que entendem melhor os seres humanos por interagirem com muita gente o tempo todo.
Caetano Veloso escreveu uma canção sobre São Paulo que diz: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”. Talvez eu esteja tendo um ataque narcisista.
* Katia Moraes é cantora, compositora e artista carioca. Ela vive em Los Angeles desde 1990 e é uma colaboradora de longa data da Soul Brasil. O artigo foi editado do original escrito poucos anos depois do triste episódio de 11/7 – @brazilianheartbykatiamoraes
1. O que visitar em Nova York além dos pontos turísticos tradicionais?
Nova York oferece museus como o Guggenheim, espaços culturais como o Lincoln Center, igrejas históricas como a Catedral de Saint Patrick, restaurantes tradicionais e casas de música ao vivo. Explorar diferentes bairros também ajuda a conhecer outras facetas da cidade.
2. Onde fica o local das antigas Torres Gêmeas em Nova York?
O local das antigas Torres Gêmeas fica em Lower Manhattan, onde hoje está o complexo do World Trade Center e o Memorial do 11 de Setembro, dedicado à memória das vítimas dos atentados de 2001.
3. Quais atrações culturais de Nova York valem a visita?
O Guggenheim, o Lincoln Center e a Metropolitan Opera House são referências culturais da cidade, com experiências ligadas às artes visuais, à música e às apresentações cênicas. A programação e a disponibilidade variam conforme a época da visita.
4. Como é a diferença entre viver em Nova York e em Los Angeles?
Nova York é conhecida pelo ritmo urbano intenso, pela densidade de seus bairros e pela diversidade de opções culturais e gastronômicas. Los Angeles oferece uma combinação de vida urbana, praias, montanhas e espaços ao ar livre, características que podem agradar a quem busca maior contato com a natureza.
5. Onde encontrar informações para planejar uma viagem a Nova York?
É possível consultar guias turísticos, páginas oficiais das atrações e conteúdos sobre bairros, museus e experiências na cidade. Brasileiros que vivem nos Estados Unidos também podem aproveitar recursos de planejamento para organizar passeios, transporte e ingressos com antecedência.





