Brasileiras que vivem no exterior e sofrem violência doméstica podem contar com o Disque 180 Internacional, um canal oficial do governo brasileiro que funciona em 16 países. O serviço oferece orientação, acolhimento e encaminhamento, inclusive para mulheres que vivem nos Estados Unidos.

 

O serviço atende mulheres que vivem nos Estados Unidos e em outros 15 países

O serviço atende mulheres que vivem nos Estados Unidos e em outros 15 países

Você sabia que casos de violência contra mulheres brasileiras que vivem fora do país podem ser denunciados por meio do Disque (Ligue) 180 Internacional? O serviço foi criado diante do aumento de relatos de brasileiras vítimas de violência doméstica no exterior, muitas delas envolvidas em relacionamentos com parceiros estrangeiros.

Atualmente, o Disque 180 Internacional está disponível em 16 países, por meio de uma parceria entre o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e a Secretaria de Políticas para as Mulheres, vinculada ao Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

 

O que é o Disque 180 Internacional e por que ele importa para quem mora nos EUA

Para brasileiras que vivem nos Estados Unidos — especialmente na Califórnia, onde há uma das maiores comunidades brasileiras do país — o Disque 180 Internacional funciona como uma ponte de orientação e acolhimento, oferecendo:

  • Informações sobre direitos

  • Orientação em casos de violência doméstica

  • Encaminhamento para redes de apoio locais e autoridades competentes

  • Apoio por meio das representações diplomáticas brasileiras

O serviço é fundamental para mulheres que, muitas vezes, não dominam o inglês, desconhecem as leis locais ou se encontram isoladas socialmente.

Relacionamentos iniciados pela internet exigem cautela

O alerta vem do Departamento Consular de Brasileiros no Exterior, que recomenda cautela a brasileiras que iniciam relacionamentos com estrangeiros pela internet, especialmente quando o vínculo evolui rapidamente para viagens internacionais ou mudança de país.

Segundo a diretora do Departamento, Luiza Lopes da Silva, há situações em que mulheres criam grandes expectativas em torno de relacionamentos virtuais, ignorando alertas de amigos e familiares:

“Há mulheres que se enchem de esperanças, formam uma opinião e nem mesmo familiares e amigos conseguem fazê-las desistir de uma viagem, pois elas depositam todas as expectativas no relacionamento virtual.”

Relacionamentos iniciados pela internet podem envolver riscos quando não há informação e apoio.

Relacionamentos iniciados pela internet podem envolver riscos quando não há informação e apoio.

Relatos recebidos pelo Itamaraty revelam situações de risco

Por meio do Disque 180 Internacional e também das representações diplomáticas brasileiras, o Itamaraty recebe relatos de mulheres que iniciam relacionamentos pela internet utilizando ferramentas automáticas de tradução. Em alguns casos, o casal não compartilha um idioma em comum, o que dificulta a comunicação e amplia os riscos.

Segundo os relatos, parte dessas mulheres acaba envolvida em relações marcadas por interesse migratório, ameaças e violência.

A cidadania brasileira também é alvo de interesse

A diretora do Departamento Consular chama atenção para um ponto pouco discutido:

“Para nós, brasileiros, é difícil entender, porque pensamos que uma cidadania cobiçada é a americana ou europeia. Mas a brasileira também é, e nossas compatriotas descobrem isso da maneira mais dura.”

Um dos fatores citados é que brasileiros não precisam de visto para entrar em diversos países da União Europeia, o que desperta o interesse de estrangeiros que buscam esse benefício por meio do casamento.
Há relatos de relacionamentos que duram apenas o tempo necessário para a obtenção de vistos, alguns deles marcados por coerção, dependência emocional e violência.

Importante: não se trata de generalização

O próprio Itamaraty ressalta que a violência doméstica não pode ser generalizada. Existem inúmeros relacionamentos saudáveis, baseados em afeto e respeito, iniciados pela internet ou em outros países.

O objetivo das autoridades não é desestimular relacionamentos interculturais, mas reforçar a importância da informação, da prevenção e da rede de apoio, para que menos brasileiras sejam vítimas de violência no exterior.

Como buscar ajuda

Em situações de risco imediato, a recomendação é procurar também as autoridades locais.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. O Disque 180 Internacional funciona nos Estados Unidos?
Sim. O serviço atende brasileiras que vivem nos EUA e pode orientar sobre redes de apoio e consulados.

2. Posso ligar mesmo sem estar em situação extrema de violência?
Sim. O canal também oferece orientação preventiva e informações sobre direitos.

3. O atendimento é em português?
Sim, o atendimento é feito em português.

4. O Disque 180 substitui a polícia local?
Não. Ele orienta e encaminha, mas em casos de emergência é essencial acionar o 911 ou autoridades locais.

5. O serviço é confidencial?
Sim. As informações são tratadas com sigilo.