O brasileiro Bira Almeida, conhecido mundialmente como Mestre Acordeon, teve o dia 18 de outubro proclamado oficialmente como seu dia na cidade de Berkeley. A homenagem reconhece seus 30 anos de contribuição cultural à região da Baía de San Francisco e seu papel fundamental na internacionalização da capoeira nos Estados Unidos.
Na sexta-feira, 10 de outubro de 2008, recebi um e-mail de uma das alunas de Mestre Acordeon informando que o prefeito de Berkeley, Tom Bates, declararia oficialmente o dia 18 de outubro como o “Dia do Mestre Acordeon”.
Tanto o prefeito quanto a cidade de Berkeley prestaram homenagem ao renomado brasileiro Bira Almeida – também conhecido como Mestre Acordeon – por seus 30 anos de contribuição cultural à região da Baía de San Francisco.
Coincidentemente, essa mesma semana marcou o 30º aniversário de Mestre Acordeon ensinando nos Estados Unidos. Imediatamente respondi ao e-mail de Ingrid Dries-Daffner e agendei uma entrevista com esse carismático embaixador cultural brasileiro e lenda viva da capoeira.
Entrevista com Mestre Acordeon
SB – Mestre, primeiro nos diga onde o senhor nasceu e como começou na capoeira?
MA – “Eu nasci lá na Bahia, cidade do Salvador. Terra boa hospitaleira que todo mundo dá valor. Me criei na capoeira, escutando o berimbau. Que gemia bem tocado, lá no fundo do quintal. Bimba foi meu professor, no Nordeste de Amaralina. Quem me ensinou a malandragem de dobrar de uma esquina…”
Ele respondeu com o início de uma música gravada em 1986. Explicou que nasceu em Salvador, na Bahia, e cresceu imerso no universo da capoeira, ouvindo o som do berimbau e treinando com Mestre Bimba, uma das maiores lendas da capoeira.
SB – Quantos anos o senhor tem, há quanto tempo vive nos EUA e há quantos anos pratica capoeira?
MA – Tenho 65 anos, moro há 30 anos nos Estados Unidos e tenho 50 anos de experiência na capoeira.
SB – Como o senhor define a capoeira de forma resumida?
MA – A capoeira é uma forma de arte que envolve movimento, música e elementos de filosofia prática. É a arte de enfrentar o perigo com um sorriso no rosto.
SB – Qual foi sua sensação ao chegar aos EUA e como estava a capoeira há 30 anos?
MA – Quando cheguei aqui, em 1978, estava convencido de que a capoeira estava em declínio, quase à beira da extinção. Mestre Bimba havia falecido pouco antes, e a capoeira parecia desamparada.
No entanto, surpreendentemente, ela ressurgiu no cenário nacional e internacional, tornando-se mais vital do que nunca. Superou preconceitos e resistiu a tentativas de diluir suas raízes afro-brasileiras, unindo pessoas do mundo todo.
SB – Fale sobre o antes e o agora, e a internacionalização da capoeira.
MA – A prática da capoeira no exterior repercutiu fortemente no Brasil e impulsionou o surgimento de centenas de novas escolas e mestres.
A capoeira deixou de ser vista como “coisa de negro”, perseguida por lei e rejeitada pela elite brasileira, para se tornar um símbolo de expressão cultural e sobrevivência para pessoas de todas as origens.
Hoje, também é campo de estudo em áreas como antropologia, filosofia, história e etnomusicologia no mundo inteiro.
SB – Como o senhor vê a internet em relação à capoeira?
MA – A globalização trouxe benefícios e desafios. A capoeira provou ser uma arte de sobrevivência, mudando sua “roupagem” ao longo da história.
Em conclusão, a verdade é que a capoeira vai muito bem e continua se fortalecendo a cada dia.
SB – Como o senhor vê a capoeira no futuro?
MA – Com a ajuda dos pioneiros e da nova geração, vejo a capoeira alcançando um novo nível de reconhecimento. Em poucas palavras: sucesso total!
O Dia do Mestre Acordeon em Berkeley
Em 18 de outubro de 2008, o prefeito Tom Bates declarou oficialmente o “Dia do Mestre Acordeon” em Berkeley.
Desde sua chegada à região da Baía, em 1978, Mestre Acordeon impactou crianças e adultos de diferentes origens. Participou do primeiro Brazilian Carnival SF e desenvolveu o Projeto Kirimurê, oferecendo programas educacionais para crianças carentes em Salvador.
Após dez anos ensinando no Capoeira Arts Café (1997–2007), a United Capoeira Association mudou-se para o Brasarte World Dance Center, em Berkeley.
Em reconhecimento aos seus 30 anos de trabalho contínuo na Costa Oeste, a cidade oficializou o 18 de outubro como seu dia.
Após décadas ensinando na Califórnia e pelo mundo, Bira Almeida aposentou-se e passou a viver no estado do Arizona.
Este artigo foi republicado em 2018, após publicação original em edição impressa/digital de 2011.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Quem é Mestre Acordeon?
É o nome artístico de Bira Almeida, mestre de capoeira baiano que ajudou a difundir a capoeira nos Estados Unidos.
2. Por que 18 de outubro é o Dia do Mestre Acordeon?
Porque a cidade de Berkeley proclamou oficialmente a data em 2008, reconhecendo seus 30 anos de contribuição cultural.
3. Onde Mestre Acordeon nasceu?
Em Salvador, Bahia, um dos principais berços da capoeira.
4. Quem foi o mestre de capoeira de Acordeon?
Ele foi aluno de Mestre Bimba, criador da Capoeira Regional.
5. Qual a importância da capoeira nos EUA?
A capoeira se tornou símbolo da cultura brasileira, atraindo milhares de praticantes e fortalecendo a identidade da comunidade brasileira no exterior.
