Entrar em uma universidade nos Estados Unidos envolve várias etapas e é diferente do processo brasileiro. Neste guia baseado em experiências reais, o jornalista Lindenberg Junior explica como funciona o “Going to College”, os custos envolvidos, bolsas de estudo, FAFSA, escolha da universidade, Community College e estratégias para economizar.
Por Lindenberg Junior

O processo para entrar em uma universidade nos Estados Unidos é diferente do modelo brasileiro e envolve várias etapas.
Entrar em uma universidade nos Estados Unidos é um processo que envolve muito mais do que simplesmente escolher uma instituição e fazer uma prova de seleção.
Diferentemente do modelo brasileiro, o processo americano pode considerar histórico escolar, atividades extracurriculares, redações, cartas de recomendação, testes padronizados quando exigidos, perfil acadêmico, situação financeira e outros critérios definidos por cada universidade.
Este artigo é praticamente um pequeno guia sobre o processo de entrar em uma universidade nos Estados Unidos e é baseado em experiências vividas por nossa família.
Começamos dizendo que é bastante diferente do processo no Brasil e pode ser complexo, principalmente quando o estudante precisa encontrar formas de financiar os estudos.
O custo também é um dos principais pontos a considerar. De acordo com dados do College Board para 2025-26, o orçamento médio anual estimado é de US$ 30.990 para estudantes de graduação em universidades públicas de quatro anos pagando tuition in-state, US$ 50.920 para estudantes out-of-state e US$ 65.470 em instituições privadas sem fins lucrativos de quatro anos. Esses valores incluem não apenas tuition e taxas, mas também moradia, alimentação, livros, transporte e outras despesas.
Por isso, entender cada etapa com antecedência pode fazer uma diferença significativa no planejamento acadêmico e financeiro da família.
Uma experiência pessoal com o “Going to College”
Sendo brasileiro e tendo chegado aos EUA já depois de ter me formado em jornalismo em Recife, nunca tive que passar por esse processo.
Mas, vivendo há mais de vinte anos em Los Angeles, Califórnia, e com filho americano — nascido em 1995 — fui passo a passo procurando me inteirar com essa cultura de “Going to College”.
Em 2012, quando meu filho Giovanni estava cursando o último ano de High School, o chamado Senior Year, tive que, junto com minha esposa Magali, correr atrás de informações para ajudar nosso filho a concretizar o sonho de entrar em uma universidade na área de seu interesse: Drama & Performance Arts.
Ao mesmo tempo, precisávamos entender as alternativas financeiras disponíveis, incluindo bolsas de estudos e diferentes formas de auxílio.
Essa experiência mostrou que, para muitas famílias, escolher uma universidade envolve duas decisões simultâneas: qual instituição faz sentido academicamente e como pagar por ela.
É preciso estudar longe de casa?

Custos com mensalidade, moradia, alimentação e livros devem ser planejados antes da escolha da universidade.
Uma das coisas que não concordo no que diz respeito a esse processo de “Going to College” é a ideia de que o estudante, ao entrar na universidade, necessariamente precisa estudar longe de casa, deixando a cidade onde cresceu, os pais e os amigos.
Nos vários livros que já li sobre o assunto, não encontrei nada que dissesse que um jovem de 17 ou 18 anos tenha que ir para uma universidade a 1.000 milhas de sua casa, especialmente considerando os gastos adicionais que isso pode representar.
Essa escolha, porém, depende da realidade de cada família e do projeto acadêmico do estudante.
Uma universidade próxima de casa pode significar economia com moradia, alimentação e transporte, enquanto estudar longe pode proporcionar outras experiências e acesso a programas acadêmicos específicos.
O importante é colocar esses custos e benefícios na conta antes de tomar a decisão.
Quando começar a procurar uma universidade americana?
Por tradição, muitas famílias americanas começam a pesquisar universidades, visitar campus e organizar informações quando o filho está no Junior Year, o terceiro ano do High School.
Há famílias que começam ainda antes, durante o Sophomore Year ou até mesmo no Freshman Year.
Minha opinião, baseada na experiência que tive, é que começar no início do último ano do High School pode funcionar, mas é necessário dedicação e tempo para pesquisar universidades, entender os requisitos, organizar documentos, preparar redações e buscar formas de financiamento.
Hoje, plataformas como a Common App ajudam a organizar esse processo. A plataforma informa que mais de 1 milhão de estudantes utilizam anualmente o sistema para se candidatar a mais de 1.100 instituições participantes.
O guia oficial da Common App recomenda que estudantes comecem reunindo materiais como histórico escolar, lista de atividades, trabalho e responsabilidades, além de verificar os requisitos específicos de cada universidade.
Sites importantes para pesquisar universidades, bolsas e auxílio financeiro
Uma das primeiras recomendações para quem começa a pesquisar é utilizar fontes oficiais e plataformas conhecidas.
1. Federal Student Aid
O antigo endereço studentaid.ed.gov foi incorporado ao atual sistema do governo federal, disponível em StudentAid.gov.
É o principal ponto de partida para informações sobre FAFSA, bolsas federais, Federal Pell Grant, Federal Work-Study e empréstimos estudantis federais. O FAFSA também é utilizado por estados, universidades e alguns programas privados para determinar elegibilidade a auxílio financeiro.
2. Fastweb
O Fastweb continua sendo uma plataforma conhecida para pesquisar scholarships e oportunidades de auxílio financeiro.
O estudante pode criar um perfil e receber indicações de bolsas compatíveis com suas características e interesses.
3. Merit scholarships e bolsas universitárias
O texto original mencionava o Meritaid/Cappex. Como plataformas e serviços mudaram ao longo dos anos, é importante consultar diretamente as universidades e seus escritórios de financial aid para verificar as bolsas disponíveis.
Muitas universidades oferecem bolsas baseadas em mérito acadêmico, liderança, esportes, artes ou outros critérios.
4. FinAid
O FinAid continua sendo um recurso conhecido para informações sobre financiamento da educação superior, embora estudantes devam sempre confirmar valores, regras e programas diretamente com o governo ou com a universidade.
FAFSA: o que é e quem deve preencher?

Bolsas, financiamentos, FAFSA e outras formas de auxílio podem ajudar a reduzir os gastos com a faculdade.
O FAFSA — Free Application for Federal Student Aid — é o formulário utilizado para solicitar determinados tipos de auxílio financeiro para educação superior nos Estados Unidos.
Ele pode dar acesso a programas como Pell Grants, Federal Work-Study e empréstimos estudantis federais, além de ser utilizado por estados e instituições de ensino na avaliação de auxílio financeiro.
É importante corrigir uma informação comum: FAFSA não é obrigatório para entrar em uma universidade.
Ele é necessário quando o estudante deseja solicitar determinados tipos de auxílio financeiro que utilizam essas informações.
Também é importante observar que nem todo estudante estrangeiro ou brasileiro é elegível ao auxílio federal. As regras federais definem categorias específicas de cidadãos e eligible noncitizens. Por exemplo, residentes permanentes e determinadas pessoas com status migratórios específicos podem ser elegíveis, enquanto estudantes com determinados vistos, como F-1/F-2 e J-1/J-2, não são considerados eligible noncitizens para FAFSA federal.
Portanto, o status migratório do estudante deve ser considerado antes de planejar o financiamento.
Quando preencher o FAFSA?
O calendário do FAFSA mudou ao longo dos anos e as datas devem ser verificadas para cada ciclo.
Para o ano acadêmico 2026-27, por exemplo, o formulário federal podia ser enviado a partir de 1º de outubro de 2025, enquanto os prazos para auxílio estadual e institucional variavam de acordo com o estado e a universidade.
Por isso, não é recomendável utilizar a antiga informação do artigo de que o processo deveria simplesmente ser concluído até abril.
A melhor estratégia é verificar três prazos:
- prazo federal;
- prazo do estado;
- prazo de prioridade da universidade.
Algumas bolsas e programas têm prazos anteriores ao prazo federal final.
Como aumentar as chances de conseguir bolsas?
Uma das principais regras é começar cedo.
A Common App recomenda que o estudante organize antecipadamente seu histórico, atividades, requisitos, redações e cartas de recomendação. Cada universidade pode estabelecer exigências diferentes.
Também vale pesquisar universidades que ofereçam bolsas compatíveis com o perfil do estudante.
Não existe uma estratégia universal de “aplicar onde há menos competição”. O mais importante é pesquisar os critérios específicos de cada instituição e bolsa.
Além das bolsas por necessidade financeira, existem oportunidades baseadas em mérito, desempenho acadêmico, esportes, artes, liderança e outras atividades.
Estratégias para economizar dinheiro no College
Entre meus estudos e análises cheguei a algumas importantes conclusões. Aqui apresento cinco pontos que considero relevantes — mas que devem ser avaliados de acordo com a situação de cada estudante e família.
1. Compare universidades públicas e privadas
A universidade pública não é automaticamente mais barata para todos.
Para estudantes residentes no estado, as universidades públicas de quatro anos costumam apresentar valores de tuition inferiores aos das universidades privadas. Porém, estudantes out-of-state podem pagar valores significativamente maiores.
Em 2025-26, por exemplo, o College Board registrou média de US$ 11.950 em tuition e taxas para estudantes in-state em universidades públicas de quatro anos, contra US$ 31.880 para estudantes out-of-state e US$ 45.000 em universidades privadas sem fins lucrativos.
Por isso, compare sempre o custo total, e não apenas a tuition.
Moradia, alimentação, transporte, livros e taxas também podem alterar completamente a conta.
2. Analise todas as taxas e custos adicionais
A universidade pode apresentar uma lista de custos que vai muito além da tuition.
Entre os gastos podem estar:
- tuition;
- taxas acadêmicas;
- housing;
- alimentação;
- livros;
- transporte;
- seguro de saúde;
- materiais;
- taxas específicas de programas;
- despesas pessoais.
Algumas instituições permitem que o estudante solicite dispensa de determinados serviços quando possui cobertura própria, enquanto outras têm regras específicas.
Por isso, é importante ler cuidadosamente a documentação financeira da universidade antes de aceitar a matrícula.
3. Uma universidade menos cara não significa necessariamente uma formação inferior

Community Colleges e universidades públicas podem ser alternativas para economizar durante a formação acadêmica.
Estar em uma universidade é importante, mas o nome da instituição não é o único fator que determina a experiência acadêmica ou profissional de um estudante.
Uma universidade menos cara pode fazer sentido se oferecer o curso, estrutura, oportunidades de estágio e condições financeiras adequadas ao estudante.
A decisão deve considerar curso, qualidade acadêmica, localização, oportunidades profissionais, bolsas, custo total e perspectivas depois da graduação.
4. Community College pode ser uma alternativa para reduzir custos
Uma estratégia bastante utilizada nos Estados Unidos é começar em um Community College e posteriormente solicitar transferência para uma universidade de quatro anos.
Dependendo do estado, instituição e acordo de transferência, o estudante pode cursar disciplinas básicas por um custo menor e depois transferir os créditos.
Mas é fundamental verificar antecipadamente quais créditos serão aceitos pela universidade de destino.
A Common App também mantém recursos específicos para estudantes que pretendem fazer transferência, incluindo informações sobre avaliação de créditos e processos de transferência.
5. Pense no custo da universidade e no que acontece depois da graduação
Na hora de decidir por uma universidade americana, é importante considerar não apenas o desejo de estudar em determinada instituição, mas também o impacto financeiro da escolha.
Os custos universitários nos EUA podem ser elevados e, quando existe financiamento por empréstimos, a dívida pode acompanhar o estudante depois da graduação.
Por isso, antes de aceitar um pacote de auxílio, compare:
custo total da universidade − bolsas/grants + empréstimos + despesas de moradia e alimentação = valor que realmente será necessário financiar.
O College Board estima que o orçamento anual médio de um estudante de uma universidade pública de quatro anos, in-state, foi de US$ 30.990 em 2025-26, enquanto o orçamento médio de um estudante out-of-state foi de US$ 50.920.
Isso mostra por que a escolha da instituição e da localização pode ter impacto financeiro muito grande.
Como economizar nos livros da universidade?
Um dos gastos consideráveis durante a universidade são os textbooks.
O texto original mencionava o aluguel de livros pela Amazon e a economia de até 80% anunciada na época. Como os serviços e condições comerciais mudaram desde 2011, essa informação específica não deve ser apresentada como regra atual.
Hoje, vale comparar:
- compra de livros novos;
- livros usados;
- aluguel;
- versões digitais;
- livros disponibilizados pela própria universidade;
- bibliotecas;
- plataformas de acesso digital;
- materiais de segunda mão.
Antes de comprar um livro, verifique se a edição exigida pelo professor é realmente necessária e se existe uma alternativa autorizada mais barata.
A experiência de Giovanni
A experiência que motivou este artigo teve um resultado bastante positivo.
Giovanni da Silva estudou no Hamilton High School of Performance Arts, em Los Angeles, e em 2013 foi aceito por sete das nove universidades para as quais enviou candidatura.
Ele acabou escolhendo a Syracuse University, em Nova York, para estudar Musical Theater e se graduou em 2017.
Desde então, vive entre Nova York e Los Angeles e trabalha em diferentes projetos na área do show business.
A experiência da família mostra justamente como o processo pode envolver uma combinação de pesquisa, planejamento acadêmico, escolhas financeiras e preparação pessoal.
O processo de “Going to College” exige planejamento
Entrar em uma universidade americana é um processo que pode parecer complexo, especialmente para famílias brasileiras que não cresceram dentro do sistema educacional dos Estados Unidos.
Mas o caminho fica mais organizado quando é dividido em etapas:
- Pesquisar universidades e cursos
- Verificar requisitos de admissão
- Organizar histórico escolar e atividades
- Preparar redações e recomendações
- Verificar testes exigidos
- Pesquisar bolsas e grants
- Preencher o FAFSA, quando aplicável
- Comparar os pacotes de auxílio financeiro
- Calcular o custo total
- Escolher a universidade e concluir a matrícula
A Common App oferece atualmente um roteiro oficial para estudantes de primeiro ingresso que passa justamente por etapas como reunir documentos, criar a conta, adicionar universidades, verificar requisitos, preparar redações e enviar as candidaturas.
O processo exige pesquisa e organização. Quanto antes a família começar, mais tempo terá para comparar opções e evitar decisões financeiras tomadas às pressas.
FAQ – Universidade nos Estados Unidos
Como funciona o processo para entrar em uma universidade nos EUA?
O processo varia de acordo com a instituição, mas pode envolver histórico escolar, atividades extracurriculares, redações, cartas de recomendação, testes e outros requisitos. Plataformas como a Common App permitem que estudantes enviem candidaturas para várias universidades participantes.
Brasileiros podem estudar em universidades nos Estados Unidos?
Sim. Brasileiros podem se candidatar a universidades americanas, mas os requisitos e custos dependem da instituição e do status migratório do estudante. A possibilidade de receber auxílio financeiro federal também depende das regras de elegibilidade.
O FAFSA é obrigatório para entrar na faculdade?
Não. O FAFSA é um formulário para solicitar determinados tipos de auxílio financeiro. Ele é utilizado pelo governo federal e também pode ser utilizado por estados e universidades na avaliação de ajuda financeira.
Community College é mais barato que uma universidade de quatro anos?
Em muitos casos, sim. O College Board registrou para 2025-26 uma média de US$ 4.150 em tuition e taxas para estudantes de Community Colleges públicos in-district, contra US$ 11.950 em universidades públicas de quatro anos para estudantes in-state. Porém, os valores variam por estado e instituição.
Quanto custa estudar em uma universidade nos EUA?
Os custos variam muito. Em 2025-26, o orçamento médio anual estimado foi de US$ 30.990 para estudantes in-state em universidades públicas de quatro anos, US$ 50.920 para out-of-state e US$ 65.470 para universidades privadas sem fins lucrativos de quatro anos.




