Moradores denunciaram operações conduzidas por equipes mascaradas e sem identificação oficial, motivando a criação da medida
Los Angeles County deu um novo passo, nesta terça-feira (02), para aprovar uma medida que proibirá agentes da lei — incluindo oficiais federais de imigração — de utilizarem máscaras enquanto atuam em áreas não incorporadas do condado. A proposta, aprovada por 4 votos a 0, com uma abstenção, ainda precisará passar por uma segunda votação na próxima semana e deve entrar em vigor em janeiro de 2026.
O texto também determina que todos os agentes de segurança utilizem identificação visível e deixem claro a qual órgão pertencem. A medida é uma resposta direta às queixas de moradores, que relataram operações de imigração conduzidas por equipes encapuzadas, em veículos descaracterizados e sem identificação oficial.
Desde o início das operações federais no verão, agentes armados — muitos com o rosto coberto por balaclavas, golas altas ou máscaras de esqui — têm realizado detenções em esquinas, lava-rápidos e estacionamentos de lojas como Home Depot. Em diversos casos, os oficiais se recusaram a informar se atuavam em nome do órgão federal responsável por imigração.
A supervisora Janice Hahn, que liderou a iniciativa, afirmou que o condado precisa garantir transparência e responsabilidade no exercício do poder policial. “Se isso levar a uma disputa com o governo federal nos tribunais, acho que vale a pena lutar por isso.“Se isso levar a uma disputa com o governo federal nos tribunais, acho que vale a pena lutar por isso.” declarou.
Conflito legal previsto entre condado e governo federal
Especialistas ouvidos pelos supervisores ressaltaram que a medida provavelmente será contestada na Justiça pelo governo Trump. A procuradora do condado, Dawyn Harrison, afirmou que a administração federal deverá argumentar que leis locais não podem limitar a atuação de agentes federais, já que a Constituição estabelece precedência das normas federais.
Do lado do governo, a justificativa para o uso de máscaras foi reforçada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). A secretária assistente Tricia McLaughlin afirmou que os agentes precisam se disfarçar para evitar exposição de seus nomes e possível risco de serem “doxados”.
Apesar da previsão de embates jurídicos, a maioria dos supervisores defendeu o avanço da proposta. A supervisora Lindsey Horvath, coautora da medida, reforçou que o padrão de identificação é necessário para preservar a confiança do público. “Se você detém o poder de um distintivo aqui, deve ser visível, responsável e identificável para as pessoas a quem serve.” disse.
A única abstenção veio da supervisora Kathryn Barger, que ressaltou dúvidas quanto à legalidade do projeto. “A minha preocupação é que estamos a apresentar uma moção que provavelmente acabará em tribunal, e questiono se é mesmo legal fazermos isso” afirmou em uma sessão anterior.
Hilda Solis lidera resposta do condado contra mudanças na regra de “public charge”
A supervisora Hilda L. Solis liderou a aprovação de uma moção que posiciona oficialmente o Condado de Los Angeles contra as mudanças propostas pela administração Trump na regra de “public charge”. A medida surge paralelamente ao debate local sobre operações de agentes federais mascarados e reforça o compromisso do condado com políticas de proteção a comunidades imigrantes.
A supervisora Lindsey Horvath reforçou que agentes devem ser claramente identificáveis para manter a confiança do público
A regra de “public charge” permite que autoridades federais neguem residência permanente a imigrantes que utilizarem serviços públicos como Medicaid, assistência alimentar e apoio à moradia. Para Solis, as alterações planejadas aumentariam o medo entre famílias imigrantes e afastariam até mesmo crianças cidadãs norte-americanas de serviços essenciais. Ela afirmou que o condado “não permitirá que famílias imigrantes tenham de escolher entre acessar cuidados de saúde, alimentar seus filhos e proteger seu futuro”, destacando que as mudanças criariam “medo e confusão”.
Solis também lembrou que estudos da UCLA e da Duke University demonstraram que a versão anterior da regra, implementada em 2019, ampliou desigualdades de saúde e reduziu a procura por cuidados médicos. Esse cenário contribuiu para maiores índices de doença e morte durante a pandemia de COVID-19, evidenciando os impactos negativos de políticas que desestimulam o acesso a serviços básicos.
A moção determina que o condado envie uma carta de oposição à Delegação do Congresso de Los Angeles, além de orientar o Office of Immigrant Affairs a preparar uma resposta detalhada durante o período de comentários públicos. Também exige que departamentos de saúde, serviços sociais e habitação desenvolvam estratégias de comunicação para orientar a população e que a Procuradoria do Condado monitore possíveis litígios, participando de ações judiciais quando necessário.
A segunda votação está prevista para a próxima semana. Caso seja aprovada novamente, a proibição começará a valer no início de 2026.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Por que L.A. está tentando proibir agentes de imigração de usarem máscaras?
A medida busca aumentar transparência, após relatos de operações federais com agentes encapuzados e sem identificação, o que gerou receio nas comunidades.
2. A medida vale para agentes federais como os do ICE?
Especialistas afirmam que o governo federal provavelmente contestará a regra, alegando que leis federais têm precedência sobre normas locais.
3. O que é a regra de “public charge”?
É um critério migratório que pode negar residência permanente a imigrantes que usem benefícios públicos como saúde, alimentação e assistência à moradia.
4. Por que Hilda Solis se opõe às mudanças propostas pelo governo Trump?
Ela afirma que as mudanças criariam medo e fariam famílias evitarem serviços essenciais, afetando até crianças cidadãs norte-americanas.
5. O que significa L.A. ser uma “cidade-santuário”?
Significa que as autoridades locais adotam políticas que limitam a cooperação com a fiscalização federal de imigração, priorizando serviços públicos e direitos de imigrantes.
