Pioneira do surfe feminino brasileiro, Andrea Lopes foi a primeira brasileira a vencer uma etapa da elite mundial, em 1999, e conquistou quatro títulos brasileiros profissionais. Em 2026, ela segue ligada ao alto rendimento como treinadora da seleção brasileira e mantém sua escola de surfe na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde trabalha com diferentes públicos e busca ampliar a presença feminina no esporte.
Andrea Lopes construiu uma das trajetórias mais marcantes do surfe feminino brasileiro. A carioca começou a surfar ainda na adolescência e entrou para o circuito mundial em 1991, tornando-se a primeira brasileira a competir na elite internacional da modalidade. Em 1999, alcançou outro feito histórico ao vencer uma etapa do então WCT, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O resultado fez dela a primeira brasileira a conquistar uma etapa da principal divisão mundial do surfe.
No circuito brasileiro profissional, Andrea conquistou quatro títulos nacionais. Os registros históricos da Associação Brasileira de Surf Profissional apontam as conquistas em 1999, 2001, 2002 e 2006.
Além dos resultados, a carreira de Andrea ficou marcada pela participação na construção do surfe feminino no país. Durante os anos de competição, ela também desenvolveu iniciativas voltadas às mulheres, como o projeto Girls Go Surf, criado em 2003 para oferecer clínicas de surfe exclusivamente para o público feminino.
Uma trajetória marcada por desafios e pela preocupação com saúde
Parte importante da história de Andrea também envolve os desafios enfrentados durante o período em que competia profissionalmente. Em relatos sobre sua carreira, a surfista conta que passou por um quadro de anorexia nervosa associado à forte cobrança e às restrições alimentares impostas durante a preparação para as competições. O problema a afastou das ondas por um período e modificou sua relação com treinamento, alimentação e desempenho esportivo.
A experiência passou a fazer parte de sua atuação profissional. Andrea utiliza a própria trajetória em palestras e trabalhos de desenvolvimento pessoal, abordando temas como superação, saúde, bem-estar, esporte e pressão por resultados. Em vez de tratar o alto rendimento apenas como uma busca por títulos, sua atuação passou a destacar também a importância do equilíbrio físico e mental.
A mudança de perspectiva acompanhou a transição de Andrea para uma nova etapa profissional. Depois de encerrar a participação nas competições profissionais, ela passou a investir mais intensamente em empreendedorismo, treinamento e formação de atletas. Seu próprio currículo registra 2011 como o ano de encerramento de sua carreira nas competições profissionais.
Escola de surfe na Barra da Tijuca
A experiência acumulada no esporte acabou dando origem à Andrea Lopes Surf School, criada em 2014 e instalada na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Atualmente, a escola trabalha com crianças e adultos, desde iniciantes até surfistas intermediários e avançados.
A proposta atual vai além de ensinar o aluno a ficar de pé na prancha. A metodologia da escola é dividida em três níveis, chamados Espuma, Onda Verde e Onda Laranja, de acordo com o estágio de desenvolvimento do praticante. As aulas podem ser individuais, em dupla ou em pequenos grupos de até quatro alunos por professor.
A escola também trabalha conhecimentos relacionados às condições do mar, vento, segurança e preparação física. Entre as atividades oferecidas estão surfe, stand-up paddle, canoa havaiana e yoga. A estrutura também inclui experiências de surf trips e clínicas especiais.
O trabalho de Andrea com a formação de novos surfistas também ganhou uma dimensão maior nos últimos anos. Ela passou a atuar diretamente na formação de atletas dentro da Confederação Brasileira de Surf, especialmente no desenvolvimento do surfe feminino.
Andrea Lopes ganha novo papel no surfe brasileiro em 2026
Em 2025, Andrea foi selecionada para o Programa MIRA, iniciativa do Comitê Olímpico do Brasil voltada ao desenvolvimento profissional de treinadoras esportivas. Segundo a CBSurf, ela foi a primeira representante do surfe a participar do programa de mentoria, que busca ampliar a presença feminina em funções técnicas no esporte de alto rendimento.

Em 2026, Andrea Lopes atua como treinadora e participa da formação de novos talentos do surfe brasileiro.
A atuação ganhou ainda mais destaque em 2026. Em abril, Andrea integrou a comissão técnica brasileira nos Jogos Sul-Americanos da Juventude Panamá 2026. O Comitê Olímpico do Brasil destacou que ela e Neymara Carvalho eram as únicas treinadoras mulheres do Brasil nas modalidades de shortboard e bodyboard durante a competição.
O Brasil terminou a participação no surfe dos Jogos Sul-Americanos da Juventude com sete medalhas, sendo três de ouro, duas de prata e duas de bronze. A presença de Andrea na comissão técnica reforçou uma mudança que vem ocorrendo no esporte: mulheres que fizeram história como atletas também passam a ocupar posições de liderança, treinamento e desenvolvimento de novos talentos.
Ainda em 2026, Andrea fez parte da equipe técnica brasileira no Pan-Americano de Surf realizado no Panamá. A comissão contou com Paulo Moura, Guga Arruda e Andrea Lopes, entre outros profissionais. A seleção brasileira terminou o campeonato com 14 medalhas, incluindo seis de ouro, e conquistou o tetracampeonato por equipes na gestão da Confederação Brasileira de Surf.
O incentivo à participação feminina
A trajetória de Andrea acompanha uma transformação mais ampla do surfe feminino brasileiro. A modalidade ganhou espaço desde a época em que ela competia e, atualmente, as mulheres ocupam posições de destaque tanto entre atletas quanto nas comissões técnicas.
Na própria CBSurf, Andrea participa de iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de novas surfistas. Em um projeto de formação de talentos femininos, ela integrou a equipe técnica responsável pelo acompanhamento e treinamento de jovens atletas, com atividades que incluíam sessões de surfe, preparação técnica e análise de desempenho.
A experiência também aparece na atuação da escola. Segundo a própria Andrea Lopes Surf School, a proposta é atender diferentes níveis de experiência e criar um ambiente de aprendizado que combine segurança, técnica e desenvolvimento físico.
Para Andrea, ensinar surfe significa transmitir conhecimentos que vão além da execução das manobras. O aluno precisa aprender a observar o mar, compreender as condições de vento e ondas e desenvolver segurança para tomar decisões dentro da água.
Essa visão ajuda a explicar por que a carreira da surfista não terminou quando ela deixou as competições profissionais. A experiência adquirida durante décadas dentro do esporte passou a ser utilizada na formação de novos atletas, na preparação de treinadores e na criação de oportunidades para que mais mulheres encontrem espaço no surfe.
De atleta pioneira a treinadora
A história de Andrea Lopes hoje está menos ligada à quantidade de títulos conquistados e mais ao legado que ela continua construindo. Depois de abrir caminho para as brasileiras no circuito internacional, ela passou a atuar na formação de atletas, na gestão de uma escola de surfe e em projetos voltados ao desenvolvimento feminino.
Em 2026, sua presença na comissão técnica brasileira nos Jogos Sul-Americanos da Juventude e no Pan-Americano de Surf mostra essa mudança de papel. Andrea continua ligada à competição, mas agora também participa dos bastidores responsáveis por preparar quem está chegando.
Para uma modalidade que passou décadas ampliando a participação feminina, a trajetória de Andrea representa uma transição importante: de atleta que precisava conquistar espaço nas ondas para treinadora que ajuda a criar caminhos para a próxima geração.
FAQ – Perguntas Frequentes
Quem é Andrea Lopes?
Andrea Lopes é uma surfista brasileira pioneira no cenário internacional. Foi a primeira brasileira a ingressar no circuito mundial, em 1991, e a primeira brasileira a vencer uma etapa da elite mundial, em 1999.
Quantos títulos brasileiros profissionais Andrea Lopes conquistou?
Andrea Lopes conquistou quatro títulos brasileiros profissionais, em 1999, 2001, 2002 e 2006.
Quando Andrea Lopes venceu uma etapa do circuito mundial?
A vitória aconteceu em 1999, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Andrea tornou-se a primeira brasileira a vencer uma etapa da principal divisão mundial do surfe.
Andrea Lopes ainda trabalha com surfe?
Sim. Em 2026, ela atua como treinadora ligada à seleção brasileira e continua à frente de sua escola de surfe na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Onde funciona a escola de surfe de Andrea Lopes?
A Andrea Lopes Surf School funciona na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, oferecendo aulas para crianças e adultos em diferentes níveis de experiência.




