O brasileiro Matheus Silveira, de 30 anos, detido pelo ICE durante entrevista para obtenção do green card, firmou um acordo de saída voluntária dos Estados Unidos. Ele permanece sob custódia em um centro de detenção na Califórnia enquanto aguarda a conclusão do processo, prevista para o fim de janeiro ou início de fevereiro de 2026. Apesar de não sofrer deportação formal, Matheus ficará impedido de retornar ao país por dez anos. A família aguarda a liberação e denuncia condições precárias durante o período de detenção.

 

Matheus Silveira foi abordado por agentes do ICE dentro de um escritório do USCIS, em San Diego.

Matheus Silveira foi abordado por agentes do ICE dentro de um escritório do USCIS, em San Diego.

O brasileiro Matheus Silveira, 30, que foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE) durante uma entrevista para obtenção do green card, firmou um acordo de saída voluntária do país. Ele segue sob custódia do ICE enquanto aguarda a conclusão dos procedimentos, prevista entre o final e início de fevereiro de 2026. Mesmo sem uma ordem formal de deportação, Matheus agora fica impedido de retornar ao território norte-americano por dez anos.

Detido desde 24 de novembro de 2025, Matheus está no Centro de Detenção de Otay Mesa, em San Diego, na Califórnia. Segundo a mãe dele, Luciana de Paula, o termo de autodeportação foi assinado na terceira semana de janeiro, após orientações recebidas durante o processo. A família vive agora a expectativa pela liberação e retorno do brasileiro ao Brasil. “Dois meses ele nessa situação é muito tempo, é muito tempo pra mim, é muito tempo pra ele, é muito tempo pra todos nós. Então, a gente só tá pensando agora na chegada dele aqui, urgente, o mais rápido possível”, afirmou.

A prisão ocorreu durante uma entrevista para obtenção do green card, realizada em um escritório do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS). Matheus estava acompanhado da esposa, Hannah Silveira, cidadã americana e veterana do Exército dos Estados Unidos, com quem se casou em agosto de 2024.

Segundo Hannah relatou ao portal americano Newsweek, a entrevista correspondia à etapa final do processo de ajuste de status migratório e já havia sido aprovada quando a agente informou que havia “pessoas no corredor” aguardando o casal. Em seguida, quatro agentes do ICE entraram na sala e efetuaram a prisão, sob a justificativa de que havia um mandado relacionado à permanência de Matheus no país após o vencimento do visto de estudante do tipo F-1.

Durante o período em que permanece detido, Hannah relata que o marido perdeu peso e enfrenta condições consideradas inadequadas. Segundo ela, a alimentação fornecida “não é suficiente para um homem adulto, como se servissem lanches estudantis”. Ela também afirma que Matheus está em uma cela com capacidade para 16 camas, mas que, devido à superlotação, chegou a dormir no chão por vários dias.

Casado com a americana Hannah Silveira, veterana do Exército dos EUA, ele aguardava a regularização migratória

Casado com a americana Hannah Silveira, veterana do Exército dos EUA, ele aguardava a regularização migratória

Impacto familiar e decisão de deixar os EUA

Antes da prisão, o casal vivia em San Diego e planejava abrir um negócio em Minneapolis, no estado de Minnesota. Com a detenção e o acordo de saída voluntária, os planos foram interrompidos. Segundo Hannah, a decisão agora é deixar definitivamente os Estados Unidos e recomeçar a vida no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro.

“Eu não me sinto mais segura, não me sinto mais em casa. A América está quebrada”, afirmou Hannah ao Newsweek, ao explicar os motivos que a levaram a desistir de permanecer no país onde nasceu.

Hannah Silveira se alistou no Exército dos Estados Unidos em 2014 e foi dispensada dois anos depois por motivos médicos. Durante o período de serviço, atuou como combat medic (enfermeira de combate). Atualmente, trabalhava como advogada na Califórnia, mas sua formação não é reconhecida no Brasil, o que deve exigir uma mudança de carreira após a mudança do casal.

Já Matheus havia iniciado estudos voltados para o setor da aviação e pretendia se tornar piloto.

Debate sobre práticas migratórias

A prisão de um imigrante durante uma entrevista oficial para obtenção do green card reacendeu o debate sobre as práticas de fiscalização migratória nos Estados Unidos. Especialistas em imigração observam que, embora a detenção de pessoas em situação irregular tenha respaldo legal, historicamente entrevistas de ajuste de status eram consideradas ambientes de baixo risco para prisões.

Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes criticam a estratégia, argumentando que ela cria um clima de medo, desencoraja a regularização e afeta famílias binacionais — inclusive aquelas com vínculos diretos com as Forças Armadas dos EUA.

Autoridades federais, por outro lado, sustentam que a lei migratória deve ser aplicada independentemente do local ou da fase do processo, reforçando que o overstay — permanência além do prazo do visto — continua sendo uma infração administrativa passível de detenção.

O casal pretendia abrir um negócio em Minneapolis, mas agora planeja recomeçar a vida no Brasil.

O casal pretendia abrir um negócio em Minneapolis, mas agora planeja recomeçar a vida no Brasil.

FAQ – Perguntas Frequentes

Por que Matheus Silveira foi preso durante a entrevista do green card?
Segundo o ICE, ele foi detido por ter permanecido nos EUA após o vencimento do visto de estudante, mesmo estando em processo de regularização.

Ele cometeu algum crime nos Estados Unidos?
De acordo com a família, Matheus não possui antecedentes criminais. O caso envolve uma infração administrativa migratória.

O que é saída voluntária?
É um mecanismo legal que permite ao imigrante deixar os EUA sem deportação formal, mas geralmente impõe restrições de retorno.

Matheus poderá voltar aos EUA no futuro?
Pelo acordo firmado, ele fica impedido de retornar ao país por até dez anos.

Casos como esse são comuns em entrevistas de green card?
Especialistas afirmam que, embora legalmente possíveis, detenções durante entrevistas eram raras em anos anteriores.