Um homem da Carolina do Norte se declarou culpado por usar inteligência artificial e bots para gerar bilhões de reproduções falsas em plataformas de música. O esquema desviou mais de US$ 8 milhões em royalties e é considerado o primeiro caso do tipo nos Estados Unidos.
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Em um caso considerado inédito no sistema judicial dos Estados Unidos, Michael Smith, de 54 anos, declarou-se culpado no dia 19 de março de 2026 por liderar um esquema de fraude em plataformas de streaming de música utilizando inteligência artificial (IA).
A acusação foi formalizada pelo Departamento de Justiça norte-americano. Smith admitiu participação em uma conspiração para cometer fraude eletrônica, crime que pode resultar em até cinco anos de prisão. Ele também concordou em devolver mais de US$ 8 milhões obtidos ilegalmente.
Como funcionava o esquema de fraude com músicas geradas por IA
De acordo com as autoridades, entre 2017 e 2024, Smith criou centenas de milhares de músicas geradas por IA. Essas faixas eram então reproduzidas artificialmente por meio de contas automatizadas — os chamados bots.
O objetivo era simular atividade real de usuários em plataformas como:
- Spotify
- Apple Music
- Amazon Music
- YouTube Music
Cada reprodução gerava pagamentos de royalties, desviando recursos que deveriam ir para artistas legítimos.
Segundo a investigação, Smith operava uma estrutura robusta:
- Mais de 1.000 contas automatizadas (bots)
- Cerca de 661.440 reproduções por dia
- Receita anual superior a US$ 1,2 milhão
Estratégias para evitar detecção
Para não levantar suspeitas, o acusado utilizava técnicas sofisticadas:
- Distribuição de reproduções entre milhares de músicas diferentes
- Uso de VPNs para mascarar localização
- Criação de múltiplas contas em serviços de nuvem
Documentos judiciais revelam que, já em 2017, Smith operava 52 contas em serviços de nuvem, cada uma com cerca de 20 perfis falsos nas plataformas.
Impacto direto sobre artistas e a indústria musical
O modelo de pagamento das plataformas de streaming funciona por meio de um fundo coletivo de royalties, dividido proporcionalmente conforme o número de reproduções.
Isso significa que a fraude teve um efeito direto:
quanto mais streams falsos, menor o repasse para artistas reais.
O procurador federal Jay Clayton destacou o impacto do esquema:
“Embora as canções e os ouvintes fossem falsos, os milhões de dólares que Smith roubou eram reais. Milhões de dólares em direitos de autor que Smith desviou de artistas e titulares de direitos reais e merecedores.”
Ele reforçou ainda:
“Michael Smith criou milhares de músicas falsas utilizando inteligência artificial e, em seguida, reproduziu essas músicas falsas milhares de milhões de vezes.”
Confissão e próximos passos do caso
Smith se declarou culpado perante o juiz federal John G. Koeltl, em Nova York. A sentença está prevista para o dia 29 de julho de 2026.
Apesar do limite legal de até cinco anos de prisão, a decisão final será definida pelo juiz responsável pelo caso.
As investigações contaram com atuação do FBI e da unidade de crimes cibernéticos e fraudes complexas do Ministério Público.
Por que esse caso é considerado um marco
Este é o primeiro caso criminal nos EUA envolvendo fraude em streaming com uso massivo de inteligência artificial, o que abre precedente para:
- Novas regulamentações sobre IA na indústria musical
- Maior fiscalização das plataformas de streaming
- Debates sobre monetização e autenticidade digital
Especialistas apontam que o caso pode redefinir os limites entre tecnologia, criação artística e crime digital.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. O que exatamente Michael Smith fez?
Ele criou músicas com inteligência artificial e usou bots para reproduzi-las bilhões de vezes, gerando royalties fraudulentos.
2. Quanto dinheiro foi desviado?
Mais de US$ 8 milhões em pagamentos de royalties.
3. Esse tipo de crime já havia ocorrido antes?
Não dessa magnitude. Este é considerado o primeiro caso criminal do tipo nos EUA.
4. Como as plataformas pagam os artistas?
Os royalties vêm de um fundo dividido proporcionalmente conforme o número de reproduções.
5. Qual pode ser a pena do acusado?
Até 5 anos de prisão, além da devolução dos valores obtidos ilegalmente.
