A relação entre mãe e filho influencia profundamente a formação emocional do indivíduo. A partir dessa vivência, desenvolvemos uma “mãe interna”, que molda autoestima, vínculos afetivos e padrões de relacionamento. Compreender essa dinâmica, inclusive com o auxílio da astrologia, é um passo essencial para o autoconhecimento e o amadurecimento emocional.

 

Por Fabienne Lopez

Criamos uma mãe interna a partir das vivências da infância.

Criamos uma mãe interna a partir das vivências da infância.

Nada mais evidente do que reconhecer que a relação entre mãe e filho constitui uma das bases mais importantes para o desenvolvimento da criança, tanto no aspecto físico quanto emocional. As marcas desse vínculo acompanham o indivíduo até a vida adulta, em um processo conhecido como introjeção, no qual a pessoa se apropria inconscientemente das características dessa relação, incorporando-as à própria estrutura emocional.

Duas mães: a externa e a interna

Todos nós temos duas mães:

  • uma de carne e osso, externa;

  • outra emocional, interna — que nasce da primeira.

Essa afirmação pode soar intensa, mas seu significado é simples: a forma como suprimos nossas necessidades emocionais na vida adulta tem origem na maneira como fomos “nutridos emocionalmente” por nossas mães durante a infância.

A partir dessas experiências, criamos uma “mãe interna”, construída com base nas mensagens aprendidas nos primeiros anos de vida. Essa figura interna passa a servir como estrutura da vida emocional, funcionando como um verdadeiro barômetro da autoestima.

A mãe interna e a autoestima

A “mãe interna” mede o quanto uma pessoa consegue viver plenamente sua personalidade ou, ao contrário, transferir para os outros a responsabilidade por suas carências emocionais.

  • Quando o convívio com a figura materna foi positivo, o indivíduo tende a suprir suas necessidades emocionais de forma saudável, madura e responsável.

  • Quando houve um descompasso entre as necessidades emocionais da criança e o tipo de atenção recebida, o adulto pode passar grande parte da vida tentando preencher, externamente, aquilo que não foi vivido de forma harmônica.

Nesse caso, surge a tendência de buscar nos outros a compensação pelas necessidades não atendidas internamente.

Relações repetitivas e dependência emocional

É nesse contexto que se originam relacionamentos de dependência, além de neuroses, mágoas e ressentimentos. Essas dinâmicas tendem a se repetir:

  • com o mesmo tipo de pessoa,

  • em situações semelhantes,

  • levando aos mesmos resultados.

Mesmo assim, muitas vezes juramos que, na próxima vez, tudo será diferente.

Como a astrologia pode ajudar nesse processo

A astrologia pode auxiliar esse processo de autoconhecimento de três formas principais:

1. Modelo emocional

Traçando o retrato do modelo emocional da pessoa, sua sensibilidade, receptividade e a forma como se relaciona com o feminino interno e externo.

2. Relação com a mãe

Descrevendo como a mãe exerceu sua função, o tipo de infância e o ambiente emocional que cercaram a formação do indivíduo, além dos possíveis reflexos dessa vivência na vida adulta.

A autoestima está diretamente ligada à forma como fomos nutridos emocionalmente.

A autoestima está diretamente ligada à forma como fomos nutridos emocionalmente.

3. Desenvolvimento do signo lunar

Ajudando o indivíduo a desenvolver as qualidades do seu signo lunar. Na prática, é raro existir apenas a “Mãe Perfeita” — protetora e nutridora — ou apenas a “Mãe Terrível” — controladora e repressiva.
Na realidade, esses polos se alternam, mesmo que um deles predomine.

Construindo a mãe interna na vida adulta

Desenvolver a autoestima e suprir nossas necessidades emocionais é um processo longo, que pode durar a vida inteira. Assim como a relação mãe–filho foi construída na infância, a relação com nossa mãe interna também precisa ser construída ao longo da vida adulta.

Exercício de autoconhecimento

Como primeiro passo, experimente o seguinte exercício:

  1. Com dez palavras ou frases curtas, descreva sua mãe como você a via quando criança.

  2. Relembre:

    • o que era importante para ela;

    • como expressava emoções;

    • como demonstrava afeto;

    • como lidava com as dificuldades da vida.

  3. Identifique características marcantes da personalidade dela.

Depois, reflita:

  • Com quais adjetivos você se identifica?

  • Quais gostaria de desenvolver, modificar ou abandonar, preservando o lado positivo das qualidades?

Para concluir, no Dia das Mães, aproveite para homenagear também a sua mãe interna.

* Fabienne Lopez é uma astróloga brasileira que reside a vários anos na área da baia de São Francisco. Ela foi uma colaboradora frequente da Soul Brasil magazine durante dois anos, entre os anos de 2005 e 2006 – Fabienne_at_astro-brasil.com

FAQ – Perguntas Frequentes

1. O que é a “mãe interna”?
É a representação emocional internalizada da relação com a mãe na infância.

2. Como a relação materna afeta a vida adulta?
Ela influencia autoestima, forma de amar, dependência emocional e padrões de relacionamento.

3. Relações difíceis com a mãe podem ser ressignificadas?
Sim. O autoconhecimento permite reconstruir a relação com a mãe interna.

4. Qual o papel da astrologia nesse processo?
A astrologia ajuda a compreender o modelo emocional e o feminino interno por meio do signo lunar.

5. Esse processo de cura emocional tem fim?
Não necessariamente. É um caminho contínuo de amadurecimento e consciência.