Baiana de origem, Katia Gidi reconstruiu sua trajetória nos Estados Unidos sem abrir mão da identidade cultural. Entre desafios, gastronomia e comunidade, sua história revela os bastidores reais do chamado “sonho americano”.
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Ao lado do marido Beto, Katia Gidi transformou o Clube do Dendê em um ponto de encontro da cultura baiana nos Estados Unidos
Antes de cruzar fronteiras, a vida de Katia Gidi estava estruturada no Brasil. Baiana, ela construiu carreira como secretária executiva e atuou por anos na Secretaria da Fazenda, em Salvador. Foi também na capital baiana que conheceu o marido, Beto, alagoano que havia se mudado para a cidade.
O casal seguiu junto por mais de uma década até decidir recomeçar a vida fora do país — uma mudança que redefiniria completamente seus caminhos.
A chegada aos Estados Unidos aconteceu em 1989, em um contexto bem diferente do atual cenário migratório. Dois anos depois, em 1991, nasceu o filho do casal, Diego, já em solo americano.
• O início exigiu adaptação e resiliência
• Houve necessidade de recomeço profissional
• Realidade comum a brasileiros que deixam carreiras consolidadas
Comunidade brasileira e fortalecimento cultural na Califórnia
Foi em San Diego, na Califórnia, que Katia começou a reconstruir sua trajetória, aproximando-se da comunidade brasileira local.
Nesse processo, conheceu Steve Spencer, afro-americano apaixonado pela cultura brasileira — especialmente a baiana —, com quem colaborou na realização de eventos culturais. Katia atuava como apoiadora, contribuindo para a difusão da cultura brasileira.
Na década de 1990, quando a presença brasileira ainda era menos estruturada, ela ajudou a organizar eventos que se tornaram referência:
• San Diego Brazilian Carnaval
• Eventos culturais com artistas brasileiros
• Fortalecimento da identidade brasileira no exterior
“Uma das referências que tenho marcante na minha vida e durante o tempo do Clube do Dendê foi a visita do ator Lázaro Ramos na minha casa para comer uma moqueca”, relembra.
Clube do Dendê e a força da gastronomia baiana
Paralelamente, Katia construiu sua própria identidade dentro da comunidade, especialmente ao lado do marido, com o Clube do Dendê.
Foi nesse contexto que ela se tornou conhecida, principalmente nos anos 1990, pela produção de comidas típicas baianas, como:
• Acarajé
• Moqueca
Essas iguarias ganharam destaque entre brasileiros e estrangeiros, consolidando sua presença cultural.
Entre os eventos promovidos estava o tradicional:
• Caruru de Cosme e Damião, realizado anualmente desde 1990
O acarajé, preparado por Katia, tornou-se uma de suas principais marcas.
Profissionalização e adaptação ao mercado americano
Com o passar dos anos, Katia decidiu investir na profissionalização e ingressou em uma escola de culinária em San Diego.
A formação permitiu:
• Aprimorar técnicas culinárias
• Adaptar receitas ao mercado local
• Criar novos produtos, como kits de acarajé
Ela conseguiu conciliar tradição e inovação, mantendo suas raízes enquanto se adaptava às exigências do público americano.
O “sonho americano” sem romantização
Apesar das conquistas, Katia não romantiza a experiência de viver nos Estados Unidos.
Segundo ela, o chamado “sonho americano” exige:
• Paciência
• Disciplina
• Planejamento
“Para você que tem o sonho americano, o conselho mais eficaz para ter sucesso aqui é paciência, não venha com atitudes, mas sim com humildade!”
Ela também destaca mudanças importantes ao longo do tempo:
“Acho importante dizer que para alguns o ‘sonho americano’ ainda pode acontecer, mas está muito mais difícil hoje em dia do que alguns anos atrás, em particular se comparado aos anos 80 e 90”.
Conselhos para quem deseja emigrar
Entre as orientações que compartilha, Katia enfatiza valores práticos e familiares:
• Trabalhe duro e honestamente
• Evite problemas legais
• Planeje o futuro
• Preserve a estrutura familiar
“E mais importante ainda é você sempre manter a estrutura familiar, principalmente se vier com toda a família”.
Um olhar para o futuro sem esquecer as raízes
Hoje, após décadas vivendo fora do Brasil, Katia volta o olhar para suas origens.
Entre seus projetos pessoais estão:
• Retomar vínculos com o Nordeste
• Explorar a região
• Desenvolver iniciativas culinárias no Brasil
Sua trajetória segue marcada por reinvenção contínua, conectando passado e presente.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Quem é Katia Gidi?
É uma brasileira baiana que construiu sua vida nos Estados Unidos, destacando-se na gastronomia e na promoção da cultura brasileira.
2. Quando Katia Gidi se mudou para os EUA?
Ela se mudou em 1989.
3. O que é o Clube do Dendê?
Um projeto cultural e gastronômico criado por Katia e seu marido para promover a cultura baiana em San Diego.
4. Quais comidas tornaram Katia conhecida?
Principalmente acarajé e moqueca.
5. O sonho americano ainda vale a pena?
Segundo Katia, sim, mas hoje é mais difícil e exige planejamento, disciplina e paciência.
