Crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) podem se beneficiar de estratégias de aprendizagem que favoreçam organização, autonomia, memorização e planejamento. Técnicas como mapas conceituais e o método “Tapar – Escrever – Comprovar” ajudam o estudante a participar de maneira mais ativa do próprio processo de aprendizagem.
Por Clarice Peres

Estratégias de aprendizagem ajudam crianças e adolescentes a participar de forma mais ativa e autônoma do próprio processo de aprender.
Vivemos em um tempo de grandes transformações, que incluem uma rápida globalização em uma sociedade cada vez mais sofisticada, quantidades crescentes de informação, a hegemonia cada vez maior da ciência e da tecnologia e um intenso encontro de culturas. Essas mudanças exigem novas maneiras de pensar e aprender, seja na escola, nos negócios, nas diferentes profissões ou na própria vida. Por isso, desenvolver habilidades para o domínio das principais áreas do conhecimento é uma questão básica para todos nós.
Esse desenvolvimento pode ser ainda mais importante para aqueles que têm o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), um transtorno de base neurobiológica, com importante componente genético, no qual o ambiente também pode ter influência na maneira como o indivíduo reage aos desafios do dia a dia.
O TDAH é caracterizado principalmente por sintomas relacionados à desatenção, impulsividade e hiperatividade, que podem afetar diretamente o processo de aprendizagem e tornar determinadas atividades escolares mais desafiadoras.
Novas estratégias para melhorar a aprendizagem
Nos últimos anos, profissionais da área têm buscado desenvolver novas maneiras para que os estudantes enfrentem as tarefas escolares de forma mais efetiva. Esses enfoques procuram tornar os alunos mais autônomos, ativos e criativos, enquanto atribuem ao professor um papel mais complexo, que já não se limita apenas à transmissão de conhecimentos.
As estratégias de aprendizagem ocupam um lugar importante nessa nova forma de compreender a educação. Elas podem ser entendidas como atividades mentais que facilitam e aperfeiçoam a aprendizagem, funcionando como planos de ação organizados para alcançar determinados objetivos de maneira mais rápida e efetiva.
O estudo e o ensino dessas estratégias também colocam em destaque a responsabilidade do próprio aluno em relação ao seu desenvolvimento, fortalecendo o conceito de “aprender a aprender”.
Infelizmente, muitas dessas descobertas educativas ainda estão longe de fazer parte da realidade cotidiana de todas as salas de aula. Em muitos casos, crianças e adolescentes têm seus processos cognitivos pouco exercitados por não receberem treinamento adequado sobre como estudar, organizar informações e desenvolver estratégias próprias de aprendizagem.
A falta desse treinamento pode provocar uma redução qualitativa e quantitativa nos resultados acadêmicos, seja diante de uma simples tarefa doméstica, de uma atividade escolar ou, posteriormente, de desafios encontrados na vida profissional.
Planejamento pode ajudar crianças e adolescentes com TDAH
A planificação, ou planejamento, pode funcionar como uma importante estratégia de motivação, permitindo que crianças e adolescentes aprendam a decidir qual é o melhor caminho para chegar aos objetivos que eles próprios estabeleceram ou que surgem naturalmente nos desafios do dia a dia.
Ao organizar etapas, visualizar objetivos e acompanhar o próprio progresso, o estudante passa a assumir uma participação mais ativa no processo de aprendizagem.
Entre as estratégias que podem ser utilizadas estão os mapas conceituais e uma técnica simples de memorização chamada “Tapar – Escrever – Comprovar”.
Mapas conceituais: como organizar melhor as informações
Um mapa conceitual é uma maneira de organizar graficamente as informações que os alunos estão estudando. Essa estratégia é especialmente útil para trabalhar com livros didáticos, anotações e conteúdos com maior grau de complexidade, como história, ciências e literatura.
Ao transformar o conteúdo em conceitos visualmente conectados, o estudante pode compreender melhor as relações existentes entre diferentes informações.
Como fazer um mapa conceitual?
- Faça uma primeira leitura geral do texto para compreender seu significado global. Durante essa etapa, é possível sublinhar as ideias que parecem mais importantes.
- Em uma segunda leitura, coloque os principais conceitos no mapa, utilizando caixas, círculos ou outros elementos gráficos.
- Una com setas os conceitos que apresentam alguma relação entre si.
- Sobre as setas, escreva qual é a relação existente entre os diferentes conceitos.
O objetivo não é simplesmente copiar informações, mas identificar conceitos importantes, estabelecer relações entre eles e construir uma visão mais organizada do conteúdo estudado.
Tapar – Escrever – Comprovar: estratégia simples de memorização
Tapar – Escrever – Comprovar é uma estratégia bastante simples que pode ser usada para memorizar diferentes tipos de conteúdo. Um dos exemplos mais fáceis de aplicação é o aprendizado de uma lista de vocabulário.
O método estimula o estudante a tentar recuperar a informação da memória antes de consultar novamente o conteúdo, permitindo identificar quais pontos já foram aprendidos e quais ainda precisam ser revisados.
Como aplicar a técnica?
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Mapas conceituais ajudam a visualizar informações, identificar conceitos importantes e compreender as relações entre diferentes conteúdos.
Repita durante alguns minutos a lista de palavras ou informações que deseja aprender.
- Tape a lista e tente reproduzir o conteúdo no papel sem consultá-la.
- Confira os erros e identifique as palavras ou informações que ainda não foram memorizadas.
- Dedique mais alguns minutos à memorização desses pontos.
- Repita o processo até conseguir lembrar todas as informações desejadas.
A repetição do processo permite que o estudante acompanhe sua própria evolução e identifique exatamente quais conteúdos ainda precisam de maior atenção.
Estratégias de aprendizagem precisam ser flexíveis
As estratégias de aprendizagem devem ser flexíveis e adaptadas à tarefa que está sendo realizada. Não existe necessariamente uma única técnica que funcione da mesma maneira para todas as pessoas, atividades ou situações.
Com a prática, o aluno começa a perceber que estratégias como as apresentadas acima podem ser utilizadas em diferentes contextos. Também pode modificar determinadas etapas de acordo com suas preferências, com as características do trabalho e com sua própria forma de organização.
O mais importante é ajudar crianças e adolescentes a compreender que aprender também envolve descobrir como organizar, processar, memorizar e recuperar informações de maneira mais eficiente. Para estudantes com TDAH, desenvolver essas estratégias pode contribuir para uma participação mais consciente e autônoma diante dos desafios escolares.
* Dra. Clarice Peres tem PhD em Psicologia e Educação pela Universidade de Vigo/Espanha. Ela vive em Los Angeles e trabalha no Departamento de Psiquiatria da UCLA (2015). Ela é autora do livro TDA-H (Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) da Teoria à Prática: Manual de Estratégias no Ambito Familiar, Escolar e da Saúde – www.clariceperes.net
FAQ – Perguntas frequentes
1. Quais estratégias de aprendizagem podem ajudar crianças com TDAH?
Estratégias que favoreçam organização, planejamento, participação ativa e memorização podem ser úteis. Entre os exemplos apresentados estão os mapas conceituais e a técnica “Tapar – Escrever – Comprovar”. A estratégia deve ser adaptada às características e necessidades de cada estudante.
2. O que é um mapa conceitual?
O mapa conceitual é uma representação gráfica utilizada para organizar conceitos e mostrar as relações existentes entre diferentes informações. Ele pode ser especialmente útil para estudar matérias com conteúdos mais complexos, como história, ciências e literatura.
3. Como usar mapas conceituais nos estudos?
Primeiro, o estudante realiza uma leitura geral e identifica as informações mais importantes. Depois, distribui os principais conceitos em caixas ou círculos e utiliza setas para mostrar como eles se relacionam. Nas próprias setas, é possível indicar qual é a relação entre os conceitos.
4. Como funciona a técnica Tapar – Escrever – Comprovar?
O estudante lê ou repete a informação que deseja memorizar, tapa o conteúdo e tenta reproduzi-lo sem consultar o material. Depois, confere os erros, revisa aquilo que esqueceu e repete o exercício até conseguir recuperar todas as informações.
5. Toda criança ou adolescente com TDAH deve utilizar as mesmas estratégias?
Não. As estratégias de aprendizagem devem ser flexíveis e podem variar conforme a tarefa, as preferências do aluno, sua organização pessoal e suas necessidades. O estudante pode experimentar diferentes métodos e adaptar as etapas de acordo com aquilo que funciona melhor para sua aprendizagem.



