A cotação do dólar em relação ao real é influenciada por decisões econômicas, juros, incertezas políticas e acontecimentos internacionais. Para brasileiros residentes nos Estados Unidos, entender essas oscilações ajuda a planejar viagens ao Brasil, remessas internacionais, pagamentos e despesas nas duas moedas.

A volatilidade do dólar reflete mudanças nas expectativas econômicas, políticas e financeiras que influenciam o valor do real brasileiro.
A relação entre o dólar e o real continua sendo importante para quem vive nos Estados Unidos, recebe salário em dólares e mantém compromissos financeiros no Brasil. A cotação determina, por exemplo, quantos reais uma pessoa recebe ao enviar dinheiro para familiares, pagar despesas ou transferir recursos para uma conta brasileira.
Em outubro de 2026, o dólar comercial voltou a oscilar em torno de R$ 5,00, com movimentos relacionados às expectativas para as eleições presidenciais brasileiras, às condições dos mercados internacionais e à percepção dos investidores sobre a economia. Em 21 de outubro, a taxa PTAX de venda do Banco Central ficou em R$ 5,0277; já em 22 de outubro, o dólar comercial subiu cerca de 0,23%, para R$ 5,038, segundo informações publicadas pelo mercado financeiro.
Esses valores são referências de datas específicas, e não cotações fixas para transferências ou compras de moeda. O dólar comercial, a taxa PTAX e o dólar turismo podem apresentar valores diferentes, porque cada modalidade atende a operações distintas e pode incluir margens, tarifas e impostos.
Para brasileiros que recebem em dólares, uma moeda americana mais valorizada frente ao real pode aumentar o valor convertido em reais. Por outro lado, quem vive nos Estados Unidos e precisa comprar dólares com recursos em reais pode enfrentar custos maiores quando a moeda americana sobe.
Por que as eleições brasileiras influenciam a cotação do dólar?
A relação entre eleições e câmbio é um dos exemplos mais claros de como as expectativas políticas podem afetar o mercado financeiro. Em 2018, os investidores acompanhavam as pesquisas eleitorais e as propostas econômicas dos candidatos, especialmente as relacionadas às contas públicas e às reformas consideradas necessárias para o equilíbrio fiscal.
Na pesquisa citada na época, Luiz Inácio Lula da Silva aparecia com 37,3% das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro, do PSL, com 18,8%; Marina Silva, da Rede, com 5,6%; Geraldo Alckmin, do PSDB, com 4,9%; e Ciro Gomes, do PDT, com 4,1%.
Parte do mercado considerava Alckmin um candidato mais alinhado às reformas econômicas defendidas por investidores. No entanto, sua dificuldade para avançar nas pesquisas e a possibilidade de um segundo turno com o PT contribuíram para aumentar a percepção de risco, pressionando o câmbio acima de R$ 4,00.
Em 2026, a dinâmica continua relevante, embora os candidatos, as pesquisas e as condições econômicas sejam diferentes. A disputa presidencial brasileira voltou a influenciar os ativos financeiros em outubro, e novas pesquisas divulgadas em 22 de outubro contribuíram para a cautela dos investidores. Na mesma data, a alta do petróleo em meio às tensões internacionais também pressionou os mercados.
A cotação não depende apenas do resultado eleitoral. Os investidores também avaliam as propostas dos candidatos, as perspectivas para as contas públicas, a inflação, os juros e a capacidade do governo de implementar suas políticas. Mudanças nessas expectativas podem provocar oscilações antes mesmo de uma eleição acontecer.
Como a alta do dólar afeta viagens internacionais?
Uma das consequências mais diretas da valorização do dólar é o encarecimento de viagens internacionais para quem ganha e economiza em reais. Passagens aéreas, hospedagem, alimentação, aluguel de veículos e compras realizadas nos Estados Unidos podem pesar mais no orçamento quando a moeda americana fica mais cara.

A valorização da moeda americana pode encarecer viagens internacionais para quem recebe em reais e precisa pagar despesas em dólares.
Os dados divulgados pelo Banco Central em agosto de 2018 ilustram esse efeito. Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,731 bilhão em julho daquele ano, uma queda de 7,87% em comparação com os US$ 1,879 bilhão registrados no mesmo mês de 2017. Foi o segundo mês consecutivo de redução das despesas externas na comparação anual.
Apesar disso, entre janeiro e julho de 2018, os gastos de brasileiros em viagens internacionais chegaram a US$ 11,304 bilhões, um aumento de 5,8% em relação ao mesmo período de 2017. Os números mostravam que, embora a procura por viagens continuasse relevante, a valorização da moeda americana começava a pressionar os gastos de quem viajava para fora do país.
Para quem vive nos Estados Unidos e pretende visitar o Brasil, a relação entre as duas moedas pode produzir o efeito inverso: quando o dólar compra mais reais, determinadas despesas pagas no Brasil podem se tornar relativamente mais baratas para quem recebe em moeda americana. Ainda assim, o orçamento deve considerar passagens, custos de conversão e despesas que continuam denominadas em dólares.
Vale a pena comprar dólares aos poucos?
Em períodos de instabilidade cambial, distribuir a compra de moeda ao longo do tempo pode ajudar a reduzir o risco de concentrar toda a operação em um único dia. Essa foi a recomendação do especialista Fernando Bergallo para pessoas que planejavam viajar ao exterior ou precisavam realizar operações de câmbio.
A estratégia consiste em comprar parcelas da quantia necessária em diferentes datas, obtendo um preço médio. Assim, o viajante não fica totalmente exposto à cotação de um único momento, embora também não tenha garantia de conseguir o menor preço possível.
A recomendação continua útil em 2026, especialmente para quem tem uma viagem marcada, envia dinheiro regularmente ao Brasil ou precisa organizar pagamentos em moeda estrangeira. O ideal é planejar com antecedência, comparar o custo total das operações e evitar depender de uma previsão exata sobre o próximo movimento do câmbio.
Antes de fechar uma operação, compare o valor efetivamente recebido ou pago, incluindo a taxa de câmbio aplicada, o spread, as tarifas e os impostos pertinentes. Para remessas entre os Estados Unidos e o Brasil, também é importante verificar o prazo de entrega, os limites da operação e a confiabilidade da instituição escolhida.
Acompanhar a cotação pode ajudar na tomada de decisões, mas tentar acertar o ponto mais baixo do mercado é difícil até para profissionais. O planejamento financeiro e a comparação entre serviços costumam ser mais úteis do que tomar decisões precipitadas com base em movimentos diários.
A Soul Brasil se dedica constantemente em manter seus seguidores informados sobre a cotação do dólar e análises do cenário mundial. Na nossa página “De Olho no Dólar” , confira insights importantes para embasar suas decisões financeiras de forma mais informada.
Perguntas frequentes – FAQ
1. Por que o dólar sobe em relação ao real?
O dólar pode subir quando investidores buscam segurança na moeda americana, quando aumentam as incertezas políticas ou fiscais no Brasil ou quando mudanças nos juros e na economia internacional tornam os ativos americanos mais atraentes. A cotação resulta da combinação de diversos fatores, e não de uma única causa.
2. Como a alta do dólar afeta brasileiros que moram nos Estados Unidos?
Para quem recebe em dólares e envia dinheiro ao Brasil, a valorização da moeda americana pode aumentar a quantidade de reais recebidos por dólar enviado. Já brasileiros que precisam comprar dólares usando reais podem gastar mais. O resultado depende da moeda em que a pessoa recebe, paga suas despesas e mantém suas economias.
3. Qual é a diferença entre dólar comercial, dólar turismo e PTAX?
O dólar comercial é uma referência para operações cambiais comerciais e financeiras. O dólar turismo costuma ser utilizado na compra de moeda para viagens e pode incluir custos adicionais. A PTAX é uma taxa de referência calculada pelo Banco Central a partir de consultas ao mercado de câmbio. Nenhuma dessas taxas deve ser automaticamente confundida com o valor final de uma transferência.
4. É melhor comprar dólares de uma vez ou aos poucos?
Comprar em parcelas pode ajudar a distribuir o risco das oscilações cambiais e formar um preço médio. Entretanto, não garante economia: se a cotação subir durante o período, as compras posteriores poderão ficar mais caras. A melhor estratégia depende do prazo, da quantia necessária e da capacidade de planejamento de cada pessoa.
5. Como acompanhar o dólar e economizar em transferências entre Brasil e Estados Unidos?
Acompanhe as cotações atualizadas, compare diferentes instituições e verifique o custo efetivo total de cada operação, incluindo tarifas, impostos e margem cambial. Para quem envia dinheiro regularmente, comparar o valor final que chegará ao destinatário pode ser mais útil do que observar apenas a cotação anunciada.



