Los Angeles enfrenta uma das maiores crises de sem-teto dos Estados Unidos, com milhares de pessoas vivendo em acampamentos nas calçadas, apesar de dados recentes mostrarem quedas modestas nos números gerais pelo segundo ano consecutivo. Neste cenário, a paulista Laura Carvalho e um grupo de amigas brasileiras realizam trabalho voluntário para ouvir, apoiar e levar dignidade a essas vidas marginalizadas.
Por Lindenberg Junior | Fotos: Claudia Passos
Se você vive em Los Angeles, provavelmente já notou barracas de camping e tendas espalhadas por bairros como Venice Beach, Santa Monica, o Vale de São Fernando e o centro (Downtown) de L.A. — lugares onde pessoas em situação de rua estabeleceram suas “casas temporárias” nas calçadas. À primeira vista, essa cena pode ser chocante para quem não vive nos Estados Unidos, especialmente na Califórnia — o estado mais rico do país.
Dados oficiais da Los Angeles Homeless Services Authority (LAHSA) indicam que a população de sem-teto na região caiu pelo segundo ano consecutivo em 2025 — totalizando cerca de 72.308 pessoas no condado, com 43.669 na cidade de Los Angeles — queda de cerca de 4% em comparação com 2024. Além disso, o número de pessoas vivendo em ruas e acampamentos diminuiu quase 10% no mesmo período.
Essa redução tem sido atribuída a esforços coordenados do governo local e de organizações comunitárias para reduzir encampamentos e aumentar o acesso a abrigos temporários e serviços de apoio. Mesmo assim, especialistas e moradores afirmam que isso ainda não resolve o problema estrutural da falta de moradias acessíveis nem a vulnerabilidade social de quem vive nas ruas.
“Não Estamos Aqui para Julgar”
Em meio a esse cenário complexo, uma iniciativa comunitária se destaca pela empatia e presença humana. A paulista Laura Carvalho, residente em Los Angeles desde os anos 2000, criou um grupo de apoio voluntário que visita moradores de rua mensalmente.
“O grupo de ajuda se junta uma vez por mês. Criei com a intenção de tentar suprir a necessidade de contato social aos moradores de rua. Não estamos lá para julgar ou para dizer para eles o que fazer, mas para ouvir, trocar experiências, encorajar e levar um pouco da realidade fora das ruas. Acreditamos que depois de certo estágio, a vida nas ruas engole a autoestima das pessoas e o comportamento animal instintivo toma conta do espírito. Vamos lá para quebrar essa rotina. Toda e qualquer ajuda é bem-vinda!”, nos disse a paulista Laura Carvalho.
Com esse propósito, o grupo monta pequenos encontros, leva alimentos, roupas e, sobretudo, diálogo — algo que muitos em situação de rua afirmam sentir falta. Essa ação começou em 2008 e ao longo dos anos se tornou um ponto de referência para brasileiros que vivem ou visitam L.A. e querem ajudar.
Fatores que Agravam a Crise em Los Angeles
1. Altos Custos de Moradia
A iniciativa de Laura Carvalho e seu grupo leva dignidade, diálogo e apoio humano às pessoas das ruas
Um dos principais motores da crise é o custo elevado de imóveis, tanto para compra quanto para aluguel. Muitos antigos moradores foram forçados a sair da cidade ou do estado em busca de opções mais acessíveis.
O impacto disso se reflete claramente nas ruas — com famílias, idosos, trabalhadores e veteranos vivendo em acampamentos improvisados, algo que parecia inimaginável em um dos centros econômicos dos EUA.
2. Políticas Públicas e Desafios Administrativos
Apesar de ações para reduzir o número de pessoas nas ruas, a cidade ainda enfrenta críticas por falta de liderança política que priorize soluções de longo prazo, como habitação acessível permanente e serviços de saúde mental adequados.
Além disso, processos judiciais destacam tensões entre o município e organizações civis sobre a implementação de acordos para criação de abrigos e remoção de acampamentos — com o risco de a cidade ser considerada em desacato por não cumprir metas estabelecidas em decisões judiciais federais.
A Humanidade em Meio à Crise
O trabalho de voluntários como Laura e seu grupo mostra que, mesmo diante de um problema social profundo, há espaço para solidariedade e dignidade humana. Sua iniciativa exemplifica como ações comunitárias podem tocar vidas de forma direta e humana, indo além das políticas públicas e confrontando o desafio com empatia. “Toda e qualquer ajuda é bem-vinda!”, reforça Laura.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Qual é a situação atual dos sem-teto em Los Angeles?
Os números gerais de pessoas em situação de rua caíram em 2025 pelo segundo ano consecutivo, mas a crise continua profunda e visível em muitas áreas da cidade.
2. Por que há tantos sem-teto em Los Angeles?
Fatores como altos custos de moradia, falta de habitação acessível, saúde mental e desajustes nas políticas públicas contribuem diretamente para o problema.
3. Quem é Laura Carvalho e o que ela faz?
Laura Carvalho é uma brasileira que vive em Los Angeles e há anos organiza um grupo de apoio que visita regularmente moradores de rua levando diálogo, ajuda comunitária e solidariedade.
4. As iniciativas voluntárias ajudam a reduzir a crise?
Elas não resolvem estruturalmente a crise, mas fornecem apoio emocional e prático que muitos moradores de rua consideram vital para manter dignidade e esperança.
5. O que as autoridades estão fazendo para resolver o problema?
Programas municipais e estaduais tentam aumentar vagas em abrigos, serviços de saúde mental e moradias temporárias, mas críticas apontam falta de soluções permanentes e infraestrutura adequada.
