Warren Buffett continua sendo o maior filantropo dos Estados Unidos em volume de doações ao longo da vida, segundo a Forbes 2026. MacKenzie Scott, porém, chama atenção pela velocidade das doações: em 2025, distribuiu US$ 7,2 bilhões e elevou seu total histórico para US$ 26,4 bilhões.

As doações para instituições beneficentes nos Estados Unidos chegaram a US$ 617,2 bilhões em 2025, segundo o Giving USA 2026.
A filantropia entre os bilionários americanos continua movimentando dezenas de bilhões de dólares. A edição 2026 do ranking da Forbes, publicada em fevereiro, considera as doações realizadas até 31 de dezembro de 2025 e os patrimônios estimados pela revista em 16 de janeiro de 2026.
Segundo a Forbes, os 25 maiores filantropos dos Estados Unidos já haviam doado US$ 275 bilhões ao longo da vida até o fim de 2025. O valor representa um aumento de US$ 34 bilhões em relação ao levantamento anterior.
Apesar do volume, as doações acumuladas correspondem a aproximadamente 14% da fortuna combinada desse grupo, a menor proporção registrada pela Forbes desde 2021. O dado ajuda a explicar uma das principais discussões envolvendo a filantropia dos super-ricos: embora os valores doados sejam enormes, as fortunas também cresceram rapidamente nos últimos anos.
A Forbes também destaca que 17 dos 25 maiores doadores já entregaram pelo menos 10% de seus patrimônios para causas filantrópicas.
1. Warren Buffett
Doações ao longo da vida: US$ 68,3 bilhões
Percentual da fortuna doado: 32%
Patrimônio estimado: US$ 146 bilhões
Principais áreas: saúde e combate à pobreza
Warren Buffett permanece na primeira posição pelo sexto ano consecutivo. Até o fim de 2025, o investidor havia destinado cerca de US$ 68,3 bilhões à filantropia.
Em junho de 2025, Buffett doou aproximadamente US$ 6 bilhões em ações da Berkshire Hathaway para a Gates Foundation e quatro fundações ligadas à sua família. Em novembro, destinou mais US$ 1,3 bilhão a organizações familiares.
Buffett deixou o cargo de CEO da Berkshire Hathaway no fim de 2025, aos 95 anos, mas continuou entre os maiores doadores individuais do mundo.
2. Bill Gates e Melinda French Gates
Doações ao longo da vida: US$ 52,6 bilhões
Percentual da fortuna doado: 28%
Patrimônio estimado combinado: US$ 134 bilhões
Principais áreas: saúde global e combate à pobreza
Bill Gates e Melinda French Gates continuam contabilizados juntos pela Forbes devido ao enorme volume de recursos que destinaram à filantropia durante o casamento.
Os dois se divorciaram em 2021, e Melinda deixou a Gates Foundation em 2024 para concentrar sua atuação filantrópica em sua própria organização.
Segundo a Forbes, Gates transferiu pelo menos US$ 10,8 bilhões para a estrutura filantrópica de Melinda em 2024. Ela já havia destinado pelo menos US$ 540 milhões por meio da Pivotal Philanthropies a organizações voltadas principalmente ao progresso social de mulheres e meninas.
3. MacKenzie Scott
Doações ao longo da vida: US$ 26,4 bilhões
Percentual da fortuna doado: 46%
Patrimônio estimado: US$ 30,9 bilhões
Principais áreas: educação e igualdade econômica
MacKenzie Scott é o principal destaque da edição 2026 da Forbes.
Somente em 2025, ela doou US$ 7,2 bilhões para 186 organizações, o maior volume distribuído por uma pessoa em um único ano desde que a Forbes começou a acompanhar o ranking, em 2012.
Desde o divórcio de Jeff Bezos, em 2019, Scott já distribuiu US$ 26,4 bilhões para mais de 2.500 organizações. Ela também destinou pelo menos US$ 760 milhões a 18 universidades historicamente negras dos Estados Unidos.
Com isso, Scott se tornou a terceira maior filantropa da história, atrás apenas de Warren Buffett e do conjunto de Bill Gates e Melinda French Gates.
Outro ponto que chama atenção é a proporção: Scott já doou o equivalente a aproximadamente 46% de sua fortuna estimada pela Forbes.
4. Michael Bloomberg
Doações ao longo da vida: US$ 25,4 bilhões
Percentual da fortuna doado: 19%
Patrimônio estimado: US$ 109 bilhões
Principais áreas: mudanças climáticas, saúde e educação
O fundador da Bloomberg aparece na quarta posição.
Em 2025, Bloomberg destinou mais de US$ 502 milhões a instituições historicamente negras de ensino superior e anunciou investimentos relacionados à redução das emissões de metano.
Sua atuação filantrópica também inclui programas internacionais de saúde e iniciativas voltadas à prevenção da exposição ao chumbo.
5. George Soros
Doações ao longo da vida: US$ 24 bilhões
Percentual da fortuna doado: 76%
Patrimônio estimado: US$ 7,5 bilhões
Principais áreas: democracia e direitos humanos
George Soros se destaca por outro indicador: é o nome que, proporcionalmente, mais destinou de sua fortuna à filantropia entre os cinco primeiros colocados.
A Forbes calcula que ele tenha doado aproximadamente 76% de seu patrimônio.
A Open Society Foundations, organização criada por Soros e atualmente presidida por seu filho, Alex Soros, destinou mais de US$ 1 bilhão em 2024 a grupos relacionados a justiça e direitos humanos.
A Forbes informa que os dados consolidados de 2025 da organização ainda não haviam sido divulgados quando o ranking foi publicado.
6. Marilyn Simons e família
Doações ao longo da vida: US$ 10,3 bilhões
Percentual da fortuna doado: 24%
Patrimônio estimado: US$ 32,6 bilhões
Principais áreas: ciência e matemática
Marilyn Simons aparece na sexta posição após a morte de seu marido, Jim Simons, em 2024.
Em 2025, ela anunciou US$ 80 milhões para uma nova iniciativa de pesquisa em neurociência ecológica.
A família Simons é conhecida por financiar pesquisas científicas, matemática e ciência básica.
7. Steve e Connie Ballmer
Doações ao longo da vida: US$ 6,5 bilhões
Percentual da fortuna doado: 4%
Patrimônio estimado: US$ 141 bilhões
Principal área: mobilidade econômica
O ex-executivo da Microsoft Steve Ballmer e sua esposa, Connie, aparecem na sétima posição.
Em 2025, o casal destinou recursos para comunidades afetadas pelos incêndios na região de Los Angeles e anunciou um compromisso de até US$ 170 milhões por ano durante uma década para um programa de educação infantil no estado de Washington.
Também foram anunciados US$ 72 milhões para clínicas de saúde comportamental em Illinois, Kansas e Michigan.
8. Mark Zuckerberg e Priscilla Chan

Mark Zuckerberg e Priscilla Chan já doaram cerca de US$ 6,1 bilhões, principalmente para pesquisas científicas
Doações ao longo da vida: US$ 6,1 bilhões
Percentual da fortuna doado: 3%
Patrimônio estimado: US$ 213 bilhões
Principal área: biologia com uso de inteligência artificial
O fundador da Meta e sua esposa aparecem na oitava posição.
O casal direcionou parte crescente da filantropia para pesquisas biomédicas e para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial aplicadas à biologia.
Em 2025, eles doaram mais de US$ 400 milhões ao Biohub, centro de pesquisa ligado à Chan Zuckerberg Initiative.
A estratégia reflete uma aposta de longo prazo no uso da inteligência artificial para acelerar pesquisas relacionadas a doenças e tratamentos.
9. Sergey Brin
Doações ao longo da vida: US$ 5,1 bilhões
Percentual da fortuna doado: 2%
Patrimônio estimado: US$ 249 bilhões
Principais áreas: Parkinson e mudanças climáticas
O cofundador do Google aparece pela primeira vez entre os dez maiores filantropos do ranking atualizado.
Brin destinou aproximadamente US$ 2,2 bilhões a pesquisas relacionadas ao Parkinson, incluindo US$ 477 milhões somente em 2025.
Ele também doou US$ 345 milhões para organizações ligadas às mudanças climáticas no ano passado.
10. Jeff Bezos e Lauren Sánchez Bezos
Doações ao longo da vida: US$ 4,7 bilhões
Percentual da fortuna doado: 2%
Patrimônio estimado: US$ 250 bilhões
Principais áreas: clima e combate à falta de moradia
Jeff Bezos aparece na décima posição ao lado de Lauren Sánchez Bezos.
O Bezos Earth Fund recebeu um compromisso de US$ 10 bilhões para combater as mudanças climáticas até 2030 e, segundo a Forbes, já havia distribuído US$ 2,4 bilhões desse montante.
O casal também mantém iniciativas relacionadas à educação infantil gratuita e ao apoio temporário a famílias sem moradia.
Os 25 maiores filantropos dos EUA em 2026
Além dos dez primeiros, o ranking da Forbes inclui:
11. Phil e Penny Knight: US$ 4,5 bilhões em doações. O foco está em educação e pesquisa médica.
12. Dustin Moskovitz e Cari Tuna: US$ 4,3 bilhões. Os principais focos são saúde global e segurança em inteligência artificial.
13. Barbara Picower: US$ 4,1 bilhões. Atua principalmente em democracia e pesquisa médica.
14. Lynn e Stacy Schusterman: US$ 4 bilhões. As principais áreas são educação e apoio à comunidade judaica.
15. Edythe Broad e família: US$ 3,6 bilhões. O foco inclui educação e artes.
16. Michael e Susan Dell: US$ 3,3 bilhões. A atuação concentra-se em educação e estabilidade econômica.
17. Pierre e Pam Omidyar: US$ 3,1 bilhões. Entre os focos estão combate à pobreza, direitos humanos e educação.
18. Eric e Wendy Schmidt: US$ 2,9 bilhões. O casal apoia educação e pesquisa científica.
19. Billi Marcus e família: US$ 2,7 bilhões. Os principais focos são pesquisa médica e causas ligadas à comunidade judaica.
20. Ken Griffin: US$ 2,5 bilhões. Atua principalmente em pesquisa médica e educação.
21. George Kaiser: US$ 2,5 bilhões. Seus principais investimentos filantrópicos estão em educação e saúde.
22. John e Laura Arnold: US$ 2,3 bilhões. O casal concentra recursos em educação e reforma da Justiça criminal.
23. Reed Hastings e Patty Quillin: US$ 2,2 bilhões. A principal área é educação.
24. Donald Bren: US$ 2,1 bilhões. O foco inclui educação e conservação ambiental.
25. Charles Koch: US$ 2 bilhões. Atua principalmente em educação e combate à pobreza.
E Elon Musk? Por que ele não aparece entre os maiores filantropos?
A ausência de Elon Musk é um dos pontos que mais chamam atenção no ranking de 2026.
Embora Musk esteja entre os homens mais ricos do mundo, ele não entrou na lista dos 25 maiores filantropos dos Estados Unidos. A Forbes afirma que sua doação acumulada ficou muito abaixo do mínimo necessário para entrar no ranking.
O mesmo ocorreu com Larry Page, cofundador do Google. Segundo a Forbes, os dois estão entre os indivíduos mais ricos do mundo, mas não aparecem entre os 25 maiores doadores americanos.
O contraste mostra que ser extremamente rico não significa necessariamente estar entre os maiores filantropos.
Quem doa a maior parcela da própria fortuna?
Quando o critério muda do valor absoluto para a proporção do patrimônio, o ranking também muda significativamente.
George Soros aparece entre os casos mais extremos, com 76% da fortuna destinada à filantropia. MacKenzie Scott aparece com 46%, enquanto Lynn e Stacy Schusterman chegam a 47%.
John e Laura Arnold aparecem com 44%, Edythe Broad e família com 34% e Warren Buffett com 32%.
Entre os grandes nomes da tecnologia, a diferença é bastante evidente. Mark Zuckerberg e Priscilla Chan aparecem com aproximadamente 3% da fortuna doada, Sergey Brin com 2% e Jeff Bezos e Lauren Sánchez Bezos também com cerca de 2%.
A Forbes destaca que três quartos dos integrantes da Forbes 400 haviam doado menos de 5% de suas fortunas no levantamento de 2025. Buffett e Soros estavam entre os nomes que já haviam destinado mais de 20%.
A filantropia dos bilionários também envolve questões tributárias
O sistema americano permite deduções fiscais para determinadas contribuições a organizações qualificadas, mas a ideia de que bilionários podem simplesmente doar qualquer quantia e abater todo o valor do Imposto de Renda é incorreta.
Segundo o IRS, as deduções para contribuições beneficentes estão sujeitas a limites que variam de acordo com o tipo de organização e o tipo de ativo doado. Em determinadas situações, os limites podem ser de 20%, 30%, 50% ou 60% da renda bruta ajustada.
Para contribuições a determinadas fundações privadas, por exemplo, geralmente há limite de 30% da renda bruta ajustada. Existem regras diferentes para fundações operacionais e outras estruturas.
A partir do ano fiscal de 2026, o IRS também passou a permitir que contribuintes que não discriminam as deduções possam deduzir até US$ 1.000 em determinadas doações em dinheiro, ou US$ 2.000 para casais que apresentam declaração conjunta.
No planejamento sucessório, as doações para instituições qualificadas também podem ter impacto sobre o cálculo do imposto federal sobre heranças. O IRS prevê uma dedução para determinados bens transferidos para instituições de caridade qualificadas.
Por isso, é mais preciso dizer que a filantropia pode produzir benefícios tributários dentro das regras estabelecidas pela legislação americana, e não que os bilionários simplesmente ficam isentos de impostos ao doar.
A filantropia nos Estados Unidos continua crescendo

Elon Musk está entre os homens mais ricos do mundo, mas não aparece no Top 25 de filantropos da Forbes
O fenômeno não se limita aos bilionários.
Segundo o relatório Giving USA 2026, as doações para organizações beneficentes nos Estados Unidos chegaram a aproximadamente US$ 617,2 bilhões em 2025, alta de 5,7% em valores nominais e de 3% descontada a inflação.
As pessoas físicas responderam por US$ 394,2 bilhões, enquanto fundações contribuíram com US$ 117,15 bilhões, heranças com US$ 62,19 bilhões e empresas com US$ 43,67 bilhões.
Foi a primeira vez que as doações anuais americanas ultrapassaram US$ 600 bilhões.
Os números mostram, portanto, que a filantropia continua sendo uma parte importante da sociedade americana. No caso dos bilionários, porém, a discussão vai além dos valores: envolve a velocidade das doações, a proporção da fortuna destinada a causas sociais, o impacto das fundações privadas e os possíveis efeitos tributários dessas decisões.
No caso de MacKenzie Scott, por exemplo, a estratégia de distribuir grandes quantias rapidamente contrasta com modelos tradicionais de filantropia, nos quais grandes patrimônios permanecem investidos durante décadas antes de serem efetivamente distribuídos.
A diferença entre os modelos ajuda a explicar por que, em 2026, o ranking da Forbes não é apenas uma lista dos americanos mais ricos, mas também um retrato de como algumas das maiores fortunas do país estão escolhendo utilizar seu dinheiro.
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FAQ – Perguntas Frequentes
1. Quem é o maior filantropo dos Estados Unidos?
Warren Buffett é o maior filantropo americano em valor total doado. Segundo a Forbes 2026, ele já destinou aproximadamente US$ 68,3 bilhões à filantropia ao longo da vida.
2. Quanto MacKenzie Scott doou em 2025?
MacKenzie Scott doou aproximadamente US$ 7,2 bilhões em 2025 para 186 organizações. Foi o maior volume anual de doações registrado pela Forbes desde o início de seu acompanhamento, em 2012.
3. Elon Musk está entre os maiores filantropos dos Estados Unidos?
Não. Apesar de estar entre as pessoas mais ricas do mundo, Elon Musk não entrou no ranking dos 25 maiores filantropos americanos da Forbes em 2026.
4. Quem doou a maior porcentagem da própria fortuna?
Entre os principais nomes do ranking da Forbes 2026, George Soros aparece com a maior proporção, tendo destinado cerca de 76% de sua fortuna à filantropia. MacKenzie Scott aparece com aproximadamente 46%.
5. Doações para instituições de caridade reduzem impostos nos Estados Unidos?
Podem reduzir a renda tributável em determinadas situações, mas as regras não permitem simplesmente descontar qualquer valor doado. O IRS estabelece limites que dependem do tipo de contribuição e da organização beneficiária.





