Após mais de cinco anos de incertezas regulatórias, o TikTok concluiu um acordo para transferir suas operações nos Estados Unidos a um consórcio liderado pela Oracle e pela Silver Lake. A ByteDance manterá uma participação minoritária, enquanto um conselho com maioria americana será responsável por dados, moderação de conteúdo e segurança do algoritmo. O acordo foi finalizado antes do prazo imposto por ordem executiva do presidente Donald Trump. A medida encerra um dos capítulos mais sensíveis da disputa tecnológica entre EUA e China.

 

Usuários e anunciantes não devem perceber mudanças imediatas na plataforma.

Usuários e anunciantes não devem perceber mudanças imediatas na plataforma.

O TikTok concluiu oficialmente o acordo para desmembrar suas operações nos Estados Unidos, encerrando anos de incerteza regulatória em torno do futuro da plataforma no país. A informação foi confirmada por um representante da Casa Branca, que afirmou que Estados Unidos e China finalizaram os termos do acordo, segundo reportagem da Fox Business. A CNN informou que a joint venture já foi formalmente estabelecida e anunciou sua equipe de liderança.

O fechamento ocorre antes do prazo de 23 de janeiro, estabelecido por uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em setembro, que concedeu uma pausa de 120 dias na aplicação da lei que exigia a venda ou o banimento do aplicativo.

Após o anúncio, Trump afirmou na rede Truth Social estar “muito feliz por ter ajudado a salvar” o TikTok, dizendo que a plataforma passará a pertencer a “um grupo de grandes patriotas e investidores americanos”.

Quem passa a controlar o TikTok nos EUA

Pelo novo modelo de governança, a ByteDance manterá pouco menos de 20% do negócio nos Estados Unidos. O controle majoritário ficará com um consórcio liderado por:

  • Oracle – 15%
  • Silver Lake – 15%
  • MGX, fundo de investimentos em IA sediado em Abu Dhabi – 15%

Outros investidores incluem Susquehanna, Dragoneer, DFO e o family office de Michael Dell.

Um conselho de administração com sete membros, sendo a maioria americanos, será responsável por supervisionar:

  • Proteção de dados
  • Moderação de conteúdo
  • Segurança do algoritmo nos EUA

Nova liderança executiva

Com a criação da nova entidade, o TikTok anunciou sua equipe de comando:

“Adam Presser, anteriormente chefe de operações e confiança e segurança da empresa, será o CEO”, informou a companhia.

Will Farrell, que liderou os esforços de privacidade e segurança durante as negociações, assumirá o cargo de Chief Security Officer (CSO).

A estrutura foi detalhada pelo CEO global do TikTok, Shou Chew, em um memorando interno enviado aos funcionários em dezembro, após a assinatura dos acordos vinculantes com os investidores.

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Trump afirmo estar “muito feliz por ter ajudado a salvar” o TikTok

Valor do negócio e o impasse sobre o algoritmo

Em setembro, o vice-presidente JD Vance afirmou que o acordo avaliaria as operações do TikTok nos EUA em cerca de US$ 14 bilhões, embora o valor final recebido pela ByteDance não tenha sido divulgado.

O algoritmo de recomendação, ponto central das tensões entre Washington e Pequim, continua envolto em incertezas. A ordem executiva de setembro prevê supervisão americana, incluindo exigências de re-treinamento e monitoramento do algoritmo, mas os detalhes técnicos não foram tornados públicos.

Por que isso importa

O desfecho deve trazer estabilidade para os cerca de 170 milhões de usuários americanos, além de empresas e criadores que dependem da plataforma para marketing e comércio digital.

Para anunciantes e profissionais de marketing, o acordo elimina um risco constante de interrupção, permitindo que estratégias envolvendo TikTok Shop, parcerias com criadores e campanhas publicitárias avancem sem o temor de um banimento iminente.

A participação acionária da Oracle — que já fornecia infraestrutura de dados por meio do Project Texas — também pode influenciar futuras decisões sobre privacidade, moderação e governança da plataforma.

Relembre a disputa Tiktok vs EUA

A disputa entre o TikTok e o governo dos Estados Unidos ganhou força em setembro de 2024, quando a plataforma enfrentou uma audiência no Tribunal de Apelações em Washington. Na ocasião, juízes analisaram a constitucionalidade da lei de “venda ou proibição”, sancionada por Joe Biden, que obrigava a ByteDance a vender a operação americana. O TikTok alegou proteção pela Primeira Emenda e afirmou que seu algoritmo é gerenciado nos EUA, enquanto o governo apontou riscos de influência chinesa — apesar de o Departamento de Justiça admitir que não havia provas concretas de propaganda chinesa.

Já em janeiro de 2025, após o aplicativo ficar fora do ar por algumas horas, Donald Trump assinou uma ordem executiva suspendendo temporariamente a lei que poderia banir o TikTok. O novo prazo, de 90 dias a partir de 20 de janeiro, permitiu que a ByteDance buscasse uma solução, incluindo a possibilidade de vender 50% da operação americana a uma empresa local. O episódio evidenciou as tensões entre EUA e China em torno de tecnologia, dados e privacidade digital.

Em abril de 2025, surgiu um modelo de acordo que previa uma reestruturação da empresa nos EUA: a ByteDance reduziria sua participação de 60% para 20%, enquanto investidores não chineses — como Oracle e possivelmente Blackstone ou Michael Dell — assumiriam o controle. No entanto, as tarifas impostas por Trump à China dificultaram o avanço das negociações do lado chinês, travando a concretização do acordo.

Em junho de 2025, Trump prorrogou novamente o prazo para a venda do TikTok, desta vez por mais 90 dias, estendendo-o até meados de setembro. Ele reconheceu o entrave diplomático ao afirmar: “Provavelmente vamos precisar da aprovação da China” e acrescentou: “Acho que o presidente Xi [Jinping] acabará dando sua autorização”. Segundo o presidente, a prioridade é proteger os dados dos americanos sem interromper o uso do aplicativo.

Ao longo do impasse, Trump deixou claro que não deseja o fim da plataforma: “Eu não quero que o TikTok desapareça”. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou que o presidente assinaria nova ordem executiva para manter o app em funcionamento.

A ByteDance, criadora e controladora do TikTok na China, manterá pouco menos de 20% do negócio nos Estados Unidos

A ByteDance, criadora e controladora do TikTok na China, manterá pouco menos de 20% do negócio nos Estados Unidos

FAQ – Perguntas Frequentes

1. O TikTok vai continuar funcionando nos Estados Unidos?
Sim. O acordo garante a continuidade das operações sob controle majoritariamente americano.

2. A ByteDance ainda é dona do TikTok nos EUA?
Ela mantém uma participação minoritária, inferior a 20%.

3. O algoritmo do TikTok será controlado pelos EUA?
Haverá supervisão americana, mas os detalhes técnicos não foram divulgados.

4. Usuários notarão mudanças no aplicativo?
Segundo a empresa, não há mudanças imediatas previstas.

5. O acordo encerra o risco de banimento definitivo?
Sim, ao menos no curto e médio prazo, encerrando anos de incerteza regulatória.