Estudo da Mozio avaliou os principais aeroportos brasileiros considerando distância até o centro, tempo de deslocamento, opções de transporte, custos e integração com a rede urbana. Recife ficou em primeiro lugar, Fortaleza em terceiro, enquanto Confins, em Minas Gerais, apresentou o pior desempenho.
Para quem viaja ao Brasil a partir dos Estados Unidos ou de outros países, a viagem não termina quando o avião pousa. O deslocamento entre o aeroporto e o destino final pode representar uma parte importante da experiência, principalmente para quem chega com malas, viaja com crianças ou precisa seguir para hotéis, familiares ou outras cidades.
Um estudo realizado pela empresa de tecnologia para transporte terrestre Mozio analisou os principais aeroportos localizados nas capitais brasileiras justamente a partir dessa perspectiva. O levantamento considerou o tempo médio de deslocamento, a variedade de opções de transporte, o custo da viagem e a facilidade de integração com a rede urbana.
O resultado coloca o Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes–Gilberto Freyre (REC) na primeira posição entre os terminais avaliados. Fortaleza aparece em terceiro lugar. No outro extremo, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte/Confins–Tancredo Neves (CNF) registra o pior desempenho, seguido pelos aeroportos de Natal, Palmas e Galeão, no Rio de Janeiro.
Por que o acesso ao aeroporto importa para quem viaja do exterior?
Para brasileiros que moram nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Suíça e em outros países e costumam retornar ao Brasil nas férias ou para visitar familiares, a localização do aeroporto pode fazer diferença na logística da viagem.
Um terminal localizado próximo às áreas turísticas, ao centro ou aos principais hotéis pode reduzir tempo e custos no deslocamento após muitas horas de voo. Também pode facilitar a chegada de passageiros que não conhecem bem a cidade ou que precisam utilizar transporte público.
O Aeroporto do Recife é um exemplo citado no estudo. O terminal fica próximo à região de Boa Viagem, uma das principais áreas hoteleiras e turísticas da capital pernambucana, e possui conexão direta e coberta com o metrô.
Já aeroportos mais afastados, como Confins e Galeão, podem exigir trajetos mais longos ou a combinação de diferentes meios de transporte para chegar às áreas centrais e turísticas.
Recife lidera o ranking
O Aeroporto Internacional do Recife ficou em primeiro lugar na análise da Mozio. O terminal está localizado a aproximadamente 11 quilômetros do Centro e conta com conexão direta e coberta com o sistema de metrô.
Uma passarela permite o acesso dos passageiros à estação, criando uma ligação entre o aeroporto e a rede metroviária. Além do metrô, estão disponíveis BRT, ônibus municipais, táxis, aplicativos de transporte e transfers.
Segundo a análise, a integração ferroviária direta é o principal diferencial do terminal pernambucano. A tarifa indicada para o metrô fica entre R$ 5 e R$ 6, enquanto viagens por aplicativos são estimadas entre R$ 35 e R$ 50.
A Mozio considera que a combinação entre o acesso ferroviário, as diferentes alternativas de transporte, os custos e a proximidade de importantes atrações turísticas contribui para a primeira colocação do Recife. Como ponto de atenção, o estudo cita os intervalos maiores do metrô fora dos horários de pico e a sinalização limitada em inglês para turistas estrangeiros.
Para quem chega do exterior, a localização também pode representar uma vantagem prática. A região de Boa Viagem concentra hotéis e fica próxima ao terminal, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos logo após o desembarque.
Porto Alegre fica em segundo lugar
O Aeroporto Internacional de Porto Alegre/Salgado Filho (POA) ocupa a segunda posição. O terminal fica a aproximadamente 10 quilômetros da região central.
O principal diferencial apontado pela Mozio é a ligação com a estação Aeroporto da Trensurb por meio do Aeromóvel. O sistema, porém, permanece fora de operação desde as enchentes de 2024.
Em abril, a recuperação do Aeromóvel foi incluída no Novo PAC, com investimento previsto de R$ 38,7 milhões. Conforme os dados apresentados pela Mozio, as obras têm duração estimada entre oito e 12 meses após a assinatura da ordem de serviço. No momento da análise, entretanto, ainda não havia data confirmada para a retomada da operação.
A proximidade com o Centro e a possibilidade de integração ferroviária são apontadas como vantagens. O custo do transporte público também é considerado baixo. Por outro lado, a paralisação do Aeromóvel obriga os passageiros a combinar diferentes modais para acessar a Trensurb, enquanto a rede ferroviária não atende diretamente todos os bairros turísticos.
Fortaleza aparece em terceiro
O Aeroporto Internacional de Fortaleza/Pinto Martins (FOR) ocupa a terceira posição do levantamento.

Aeroporto de Fortaleza combina proximidade do Centro com ônibus acessíveis e boa oferta de transporte.
O terminal está a aproximadamente 8 quilômetros do Centro e conta com ônibus municipais, táxis, aplicativos de transporte e transfers.
A ausência de conexão ferroviária é uma das limitações apontadas pelo estudo. Por outro lado, a proximidade do Centro, a disponibilidade de ônibus e os custos relativamente previsíveis contribuem para o desempenho do aeroporto.
A tarifa de ônibus indicada pela Mozio é de aproximadamente R$ 4,50. Para viagens por aplicativos, a estimativa fica entre R$ 25 e R$ 40.
A curta distância até a região central, as tarifas competitivas e a boa disponibilidade de táxis aparecem como fatores positivos. Em contrapartida, a ausência de transporte ferroviário e a possibilidade de congestionamentos nos horários de pico são apontadas como limitações.
Para visitantes que chegam a Fortaleza e seguem para regiões turísticas ou hotéis da cidade, a distância relativamente curta pode facilitar a etapa terrestre da viagem.
Rio Branco aparece em quarto
O Aeroporto Internacional de Rio Branco/Plácido de Castro (RBR) ocupa a quarta posição entre os aeroportos com melhor desempenho.
O terminal fica a aproximadamente 8 quilômetros do Centro e dispõe de ônibus municipais, táxis e aplicativos de transporte.
A tarifa de ônibus indicada é de cerca de R$ 5, enquanto viagens por aplicativos custam, em média, entre R$ 30 e R$ 45.
A curta distância até o Centro é uma d’as principais vantagens do aeroporto e tende a reduzir o tempo de deslocamento independentemente do modal escolhido. Por outro lado, a ausência de transporte ferroviário e a menor variedade de opções em comparação aos líderes limitam a integração com a rede urbana.
Santos Dumont recebe menção honrosa
O Aeroporto Santos Dumont (SDU), no Rio de Janeiro, recebeu uma menção honrosa, embora não tenha sido incluído no ranking por atender principalmente voos domésticos.
Localizado a aproximadamente 2 quilômetros do Centro do Rio, o terminal possui acesso ao sistema de VLT nas proximidades da área de desembarque.
A conexão permite que passageiros alcancem diferentes regiões da cidade utilizando transporte público. Para a Mozio, o terminal exemplifica como a proximidade com o centro e a integração com a rede urbana podem facilitar a experiência de chegada.
Confins aparece como o aeroporto com maior dificuldade de acesso
No grupo de aeroportos com pior desempenho, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte/Confins–Tancredo Neves aparece na primeira posição.
O terminal está a aproximadamente 40 quilômetros do Centro de Belo Horizonte, a maior distância registrada no levantamento.
As principais alternativas são ônibus executivos, táxis, aplicativos e transfers. A tarifa do ônibus executivo é estimada entre R$ 18 e R$ 35. Já viagens por aplicativos podem custar de R$ 90 a R$ 140.
Segundo a Mozio, a combinação entre distância elevada, custos mais altos de transporte individual e ausência de conexão ferroviária coloca Confins na pior posição da análise.
O ônibus executivo é apontado como uma alternativa confortável e com boa frequência, enquanto a infraestrutura do terminal também aparece como um aspecto positivo. Em contrapartida, a grande distância do Centro, os custos elevados de aplicativos e a ausência de transporte ferroviário aumentam a dificuldade de acesso à capital mineira.
Para quem chega de uma viagem internacional e precisa seguir diretamente para Belo Horizonte, a distância pode representar uma etapa adicional importante no planejamento do trajeto.
Natal fica em segundo entre os aeroportos com mais dificuldades
O Aeroporto Internacional de Natal/Governador Aluízio Alves (NAT), localizado em São Gonçalo do Amarante, aparece na segunda posição entre os terminais com maiores desafios de mobilidade.
O aeroporto fica a aproximadamente 30 quilômetros do Centro e pode chegar a cerca de 40 quilômetros das áreas de praia.
O terminal dispõe de ônibus intermunicipais, táxis, aplicativos e transfers. Apesar de a tarifa de ônibus ser estimada entre R$ 5 e R$ 10, o estudo aponta que o deslocamento pode superar uma hora e meia.
Para aplicativos, a estimativa varia de R$ 80 a R$ 120.
A tarifa de ônibus relativamente baixa e a disponibilidade de táxis 24 horas são apontadas como vantagens. Entretanto, a duração do deslocamento, a distância em relação ao Centro e às praias e os preços mais elevados dos aplicativos aparecem entre os principais desafios.
Palmas ocupa a terceira posição entre os menos bem avaliados
O Aeroporto de Palmas/Brigadeiro Lysias Rodrigues (PMW) fica a aproximadamente 20 quilômetros do Centro.
A análise aponta baixa frequência e número reduzido de linhas de ônibus, o que aumenta a dependência de transporte individual.
As opções incluem ônibus municipais, táxis, aplicativos e transfers. Para viagens por aplicativos, o custo estimado fica entre R$ 50 e R$ 80.
O trânsito local mais tranquilo que o de grandes metrópoles e a tarifa de ônibus considerada baixa quando há disponibilidade são fatores positivos. Já a pouca oferta e a baixa frequência de ônibus, além da dependência de táxis e aplicativos, dificultam o acesso ao Centro.
Galeão aparece entre os aeroportos com maior desafio de acesso

Aeroporto do Galeão fica distante da Zona Sul e exige integração entre diferentes meios de transporte.
O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Tom Jobim (GIG), conhecido como Galeão, aparece na quarta posição entre os terminais com maiores desafios de transporte terrestre.
O aeroporto está a aproximadamente 20 quilômetros do Centro e cerca de 25 quilômetros da Zona Sul.
O terminal dispõe de BRT integrado ao metrô, ônibus executivos, táxis, aplicativos e transfers. A tarifa estimada para BRT e metrô fica entre R$ 8 e R$ 10. Para aplicativos, o levantamento aponta valores entre R$ 60 e R$ 110.
A variedade de opções de transporte e a possibilidade de utilizar BRT e metrô a um custo relativamente baixo são aspectos positivos. Por outro lado, a necessidade de integração entre diferentes modais, o trânsito nas vias de acesso e a distância em relação às áreas turísticas da Zona Sul reduzem a conveniência do deslocamento.
Para viajantes estrangeiros e brasileiros que não conhecem bem o Rio, a logística entre o Galeão e bairros da Zona Sul pode exigir planejamento adicional, principalmente dependendo do horário de chegada e do meio de transporte escolhido.
O que explica as diferenças entre os aeroportos?
A Mozio considerou quatro critérios principais na análise: tempo médio de deslocamento, variedade de modais, custo médio da viagem e integração com a rede de transporte urbano.
Foram consideradas opções como metrô, trem, BRT, ônibus municipais e intermunicipais, táxis, aplicativos de transporte e transfers.
O estudo indica que aeroportos próximos aos centros urbanos e conectados diretamente a sistemas ferroviários tendem a exigir menos etapas para completar o trajeto.
Nos terminais mais afastados, a disponibilidade limitada de transporte público e a dependência de carros, táxis ou aplicativos podem aumentar o tempo e o custo da viagem.
Segundo Germán Zannier, gerente de Operações da Mozio, o deslocamento entre o aeroporto e o destino final deve ser considerado como parte da experiência de viagem.
“Uma boa experiência de viagem não termina quando o avião pousa. O deslocamento entre o aeroporto e o destino final é uma parte importante da jornada e, quando é simples e previsível, contribui para uma experiência muito mais tranquila para o passageiro.”
Zannier também destaca a importância de planejar o transporte com antecedência para reduzir a possibilidade de filas, custos inesperados e dificuldades na chegada.
Ranking dos aeroportos avaliados
Melhores em transporte terrestre
- Recife (REC)
- Porto Alegre (POA)
- Fortaleza (FOR)
- Rio Branco (RBR)
Menores desempenhos
- Confins/Belo Horizonte (CNF)
- Natal (NAT)
- Palmas (PMW)
- Galeão/Rio de Janeiro (GIG)
O levantamento reforça que a experiência de desembarque não depende apenas da estrutura do aeroporto. A localização do terminal, a conexão com o transporte público, a distância até áreas turísticas e o custo do deslocamento também podem influenciar a jornada do passageiro.
Para brasileiros que vivem no exterior e retornam ao País para visitar familiares ou passar férias, esses fatores podem ser especialmente relevantes na hora de definir o aeroporto de chegada e planejar o primeiro deslocamento após o voo.
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FAQ – Perguntas Frequentes
Qual aeroporto brasileiro teve o melhor acesso terrestre no estudo?
O Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes–Gilberto Freyre (REC) ficou na primeira posição entre os aeroportos avaliados pela Mozio.
Qual aeroporto brasileiro apresentou o pior desempenho?
O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte/Confins–Tancredo Neves (CNF) ficou na última posição do levantamento, principalmente pela distância até o Centro, pelos custos de transporte individual e pela ausência de conexão ferroviária.
Em que posição Fortaleza ficou?
O Aeroporto Internacional de Fortaleza/Pinto Martins (FOR) ficou em terceiro lugar entre os aeroportos com melhor desempenho no acesso terrestre.
Por que Recife se destacou?
Segundo o estudo, o principal diferencial é a conexão direta e coberta do aeroporto com o sistema de metrô, além da proximidade de áreas importantes da cidade e da existência de diferentes alternativas de transporte.
O Galeão tem transporte público para a Zona Sul?
Sim. O Galeão possui opções como BRT integrado ao metrô, além de ônibus, táxis, aplicativos e transfers. Entretanto, a necessidade de integração entre modais, o trânsito e a distância em relação à Zona Sul foram apontados pelo estudo como fatores que dificultam o deslocamento.






