Viagens e experiências continuam entre as prioridades dos consumidores nos EUA. Porém, os preços elevados levam parte dos americanos a viajar menos ou buscar opções mais econômicas, enquanto outros estão dispostos a gastar mais para manter a experiência.
Por Lindenberg Junior
Viajar continua ocupando um espaço importante no orçamento do consumidor nos Estados Unidos, mas o comportamento em 2026 é mais complexo do que uma simples troca de presentes por experiências. Diante dos preços elevados de passagens, hospedagem e outros serviços, muitos moradores dos EUA estão viajando menos ou escolhendo destinos mais econômicos, enquanto aqueles que mantêm seus planos demonstram disposição para gastar mais em viagens que consideram importantes.
A U.S. Travel Association projeta que os gastos com viagens nos Estados Unidos chegarão a US$ 1,37 trilhão em 2026, em valores ajustados pela inflação. O crescimento real previsto é de aproximadamente 1% no ano, sustentado principalmente pelo mercado doméstico. As viagens de lazer dentro dos EUA devem responder por cerca de US$ 909 bilhões.
Os números indicam que viajar permanece uma parte relevante do orçamento das famílias. Ao mesmo tempo, a expansão é moderada. Inflação, preços de combustíveis, incertezas econômicas e questões geopolíticas continuam influenciando as decisões de consumo.
A própria U.S. Travel Association estima que 87% dos gastos com viagens em 2026 serão gerados pelo mercado doméstico, mostrando a força das viagens dentro do país. O levantamento também aponta que consumidores estão recorrendo a viagens mais curtas e destinos próximos como forma de controlar os custos.
Quem viaja está disposto a gastar mais
Uma pesquisa da Deloitte realizada com mais de 4 mil residentes ajuda a explicar esse comportamento. No levantamento sobre as viagens de verão de 2026, apenas 45% dos entrevistados planejavam fazer uma viagem com hospedagem paga, o menor percentual registrado pela pesquisa em seis anos.
O principal obstáculo é financeiro. Entre aqueles que não pretendiam viajar, 32% apontaram o alto custo das viagens e 35% disseram não ter condições financeiras para fazê-lo.
Por outro lado, entre os consumidores que decidiram viajar, o comportamento foi diferente. Eles planejavam gastar, em média, US$ 4.069 na viagem mais importante do verão, valor 17% superior ao registrado no ano anterior.
A pesquisa mostra, portanto, um mercado dividido. Uma parcela dos moradores está reduzindo ou adiando viagens por causa dos preços, enquanto aqueles que conseguem manter seus planos demonstram disposição para preservar experiências consideradas importantes, mesmo pagando mais.
O consumidor está trocando quantidade por qualidade
Essa mudança ajuda a atualizar a ideia de que os moradores dos EUA simplesmente passaram a gastar mais com viagens do que com produtos.
Os dados mais recentes indicam uma realidade mais complexa. O consumidor não necessariamente abandonou as compras para viajar. Em muitos casos, ele está reorganizando o orçamento, buscando promoções, reduzindo gastos considerados menos importantes e escolhendo experiências que considera mais significativas.
A pesquisa de férias da Deloitte de 2025 já mostrava esse movimento. Naquele ano, 54% dos entrevistados disseram que pretendiam viajar durante o período entre o Thanksgiving e meados de janeiro, cinco pontos percentuais acima de 2024. Porém, o orçamento médio dos viajantes caiu 18%, para US$ 2.334, e a quantidade média de viagens planejadas também diminuiu.
O resultado reforça uma tendência que deve continuar relevante para o consumidor em 2026: viajar continua importante, mas o planejamento financeiro ganhou peso na decisão.
Viagens, restaurantes e experiências continuam atraindo consumidores

Presentes e compras de fim de ano continuam fortes, mostrando que viagens não substituíram completamente o varejo.
O comportamento também aparece nos gastos relacionados a experiências. Durante a temporada de festas de 2025, a Mastercard identificou crescimento de 5,2% nos gastos em restaurantes nos Estados Unidos, sinal de que refeições fora de casa continuam sendo associadas às celebrações e aos momentos compartilhados.
No mesmo período, as vendas no varejo, excluindo automóveis, cresceram 3,9% em relação ao ano anterior, segundo o Mastercard SpendingPulse. As compras online avançaram 7,4%, enquanto as vendas em lojas físicas cresceram 2,9%.
Ou seja, não há evidência de que os moradores dos EUA tenham deixado de comprar presentes. O que mudou é a maneira como o consumidor distribui seu dinheiro entre produtos, serviços, lazer e experiências.
A National Retail Federation também registrou forte disposição para as compras de fim de ano. Para 2025, a entidade estimou que os gastos de novembro e dezembro poderiam ultrapassar US$ 1 trilhão pela primeira vez, com previsão de crescimento entre 3,7% e 4,2% sobre 2024.
Em outras palavras, a ideia de que viagens simplesmente substituíram presentes precisa ser tratada com cautela. Os dados mais recentes apontam para um consumidor que continua gastando, mas que está mais atento ao valor recebido por cada dólar.
O cenário é especialmente relevante para brasileiros nos EUA
Para brasileiros que vivem nos Estados Unidos, essa mudança pode ser percebida tanto nas viagens domésticas quanto nas visitas ao Brasil e a outros destinos internacionais.
O aumento dos custos das passagens aéreas e da hospedagem torna o planejamento antecipado ainda mais importante. Ao mesmo tempo, viagens para visitar familiares continuam tendo um peso diferente de uma viagem exclusivamente de lazer, especialmente para imigrantes que vivem longe do país de origem.
O cenário internacional também mostra demanda. Mais de 56 milhões de residentes nos Estados Unidos viajaram para outros países em 2025, segundo dados citados em levantamento recente, acima dos 53,7 milhões registrados em 2024. O número evidencia que a procura por viagens internacionais permanece elevada.
Para 2026, grandes eventos também estão movimentando o turismo. A U.S. Travel Association projeta crescimento de 3,4% no número de visitantes internacionais nos Estados Unidos, chegando a 70,6 milhões, com o país recebendo partidas da Copa do Mundo da FIFA como um dos fatores de estímulo à demanda.
O que esperar para o fim de 2026
Ainda é cedo para afirmar como será exatamente a temporada de compras de novembro e dezembro de 2026. Os principais levantamentos específicos sobre o período costumam ser divulgados mais perto do fim do ano.
O que os dados disponíveis até agosto indicam é uma combinação de demanda persistente por viagens, maior sensibilidade aos preços e disposição para gastar entre aqueles que conseguem manter seus planos.
A previsão da U.S. Travel Association é de crescimento real de 1% nos gastos totais com viagens em 2026. Para os próximos anos, a entidade projeta aceleração para cerca de 3% em 2027 e 2028.
O consumidor, portanto, não parece ter abandonado os presentes ou as compras tradicionais. A tendência mais clara é outra: viagens, restaurantes, eventos e outros momentos de lazer continuam disputando espaço com os bens materiais pelo orçamento das famílias.
Para os varejistas, isso significa competir não apenas com outras lojas, mas também com passagens aéreas, hotéis, restaurantes, shows e experiências. Para o consumidor, significa decidir cada vez mais cuidadosamente o que vale a pena comprar e o que vale a pena viver.
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FAQ – Perguntas Frequentes
Os americanos estão gastando mais com viagens do que com presentes?
Não é possível afirmar que viagens tenham substituído presentes de maneira geral. Os dados mais recentes mostram crescimento tanto do turismo quanto das compras de fim de ano. O consumidor está, principalmente, reorganizando seus gastos e procurando maior valor pelo dinheiro.
Quanto os americanos devem gastar com viagens em 2026?
A U.S. Travel Association projeta US$ 1,37 trilhão em gastos com viagens nos Estados Unidos em 2026, em valores ajustados pela inflação.
As viagens nos EUA ficaram mais caras em 2026?
Os custos continuam sendo uma preocupação importante. Pesquisa da Deloitte mostra que muitos americanos estão deixando de viajar justamente por considerarem as viagens caras. Entre aqueles que continuam viajando, porém, o orçamento médio da principal viagem do verão aumentou.
O turismo doméstico continua forte nos Estados Unidos?
Sim. A U.S. Travel Association estima que as viagens domésticas representem aproximadamente 87% dos gastos totais com viagens no país em 2026.
O que isso significa para brasileiros que vivem nos EUA?
Brasileiros residentes nos Estados Unidos também fazem parte desse mercado, especialmente em viagens domésticas e internacionais. Para quem pretende viajar ao Brasil ou visitar outros países, a alta dos custos torna comparação de preços, planejamento antecipado e escolha de datas fatores ainda mais importantes.





