Ken Griffin, fundador da Citadel, doará US$ 3 bilhões à Carnegie Mellon University, a maior doação individual da história do ensino superior. Do total, US$ 2 bilhões financiarão um novo campus em Miami e US$ 1 bilhão será destinado à universidade em Pittsburgh. O campus de Miami deverá começar a receber estudantes em 2028.

A Carnegie Mellon Miami deverá começar a matricular alunos em 2028, dependendo das aprovações regulatórias
O magnata dos fundos de hedge Ken Griffin está doando US$ 3 bilhões para a Carnegie Mellon University, em uma contribuição que a instituição classifica como a maior doação individual já realizada na história do ensino superior.
Do total, US$ 2 bilhões serão destinados à criação do novo campus da Carnegie Mellon em Miami, enquanto US$ 1 bilhão será investido no campus principal da universidade, em Pittsburgh.
A correspondente da NBC News, Stephanie Gosk, conversou com Griffin e com o presidente da Carnegie Mellon, Farnam Jahanian, em uma entrevista exclusiva para o programa “TODAY”, exibida na quarta-feira, 30 de setembro de 2026. A conversa abordou a doação e a proposta de preparar estudantes para uma economia em rápida transformação.
Ken Griffin: “Eles aprenderão a aprender”
Griffin defendeu uma mudança na maneira como os estudantes são preparados para o mercado de trabalho e para uma sociedade marcada por transformações tecnológicas.
“A educação mais importante deles não será a base de conhecimento que adquirem na universidade. Eles aprenderão a aprender, porque toda a vida deles será em um ambiente de rápidas mudanças, onde a flexibilidade e a agilidade intelectual serão essenciais para o sucesso.”
Griffin, de 57 anos, cuja fortuna é estimada pela Forbes em US$ 57 bilhões, está destinando US$ 2 bilhões especificamente para financiar a criação do novo campus da Carnegie Mellon em Miami.
O empresário vive em Miami há quase cinco anos e afirma que levar a universidade para a cidade poderá representar uma transformação para a região.
“Sou residente de Miami há quase cinco anos”, disse Griffin. “Trazer uma das maiores universidades do mundo para Miami será um divisor de águas para esta cidade.”
Por que Carnegie Mellon foi escolhida?
Fundador e CEO do fundo de hedge Citadel, Griffin se formou em Harvard em 1989. Ao explicar por que escolheu a Carnegie Mellon para sua doação recorde, destacou a atuação da universidade em áreas ligadas à tecnologia.
“A Universidade Carnegie Mellon é líder nacional: número um em ciência da computação, número um em inteligência artificial e número um em segurança cibernética”, disse ele.
A própria Carnegie Mellon destaca sua tradição em computação, robótica e aprendizado de máquina. Em setembro de 2026, a universidade também alcançou posição histórica no ranking da U.S. News, ficando em 1º lugar em ciência da computação na graduação.
Novo campus da Carnegie Mellon em Miami
O Carnegie Mellon University Miami será construído em uma área de mais de 35 acres no bairro de Wynwood, em Miami.
A construção está prevista para começar em 2027, e o plano atual prevê que os primeiros estudantes sejam matriculados em 2028, dependendo das aprovações regulatórias necessárias.
O campus deverá receber mais de 3.500 estudantes de graduação, mestrado e doutorado, além de aproximadamente 300 professores e mais de 600 funcionários.
A proposta também prevê laboratórios de pesquisa em parceria com empresas e espaços voltados ao desenvolvimento de novos negócios e projetos.
Um modelo diferente de universidade

Ken Griffin está doando 3 bilhões de dólares para a Universidade Carnegie Mellon, a maior doação individual da história do ensino superior.
Segundo a Carnegie Mellon, o novo campus pretende romper com o modelo tradicional de organização universitária baseado principalmente em cursos, departamentos e áreas acadêmicas.
Em vez disso, o campus de Miami será estruturado em torno de grandes desafios sociais, reunindo estudantes, pesquisadores, empresas e parceiros governamentais de diferentes áreas.
Entre os temas inicialmente previstos estão:
- saúde humana e descobertas na área de biologia;
- segurança nacional e capacidades estratégicas;
- energia e resiliência climática;
- manufatura avançada e transformação industrial.
A proposta é combinar diferentes áreas de conhecimento para trabalhar sobre problemas que não podem ser resolvidos por uma única disciplina.
O impacto para estudantes e artistas
Amelia De Leon, natural de Miami e estudante da Escola de Arte Carnegie Mellon em Pittsburgh, acredita que o novo campus poderá ter um impacto significativo, especialmente para artistas.
“Sem limitações, as possibilidades são infinitas, especialmente para os artistas”, disse ela ao programa “TODAY”. “Se você lhes der os recursos, eles vão criar algo grandioso.”
A Carnegie Mellon afirma que artes, humanidades e design terão participação importante no novo modelo interdisciplinar de Miami, ao lado de ciência, tecnologia e pesquisa.
A crise do modelo tradicional de ensino superior nos EUA
O presidente da Carnegie Mellon, Farnam Jahanian, afirma que o novo campus surge em um momento de mudanças no ensino superior americano.
Segundo uma análise da Deloitte, os Estados Unidos poderão registrar uma queda de 13% nas matrículas universitárias entre 2025 e 2041.
O cenário também envolve questionamentos sobre o custo da faculdade. Uma pesquisa do Pew Research Center, realizada em 2023 e publicada em 2024, mostrou que apenas 22% dos americanos dizem que o custo de uma graduação de quatro anos vale a pena mesmo quando é necessário contrair empréstimos. Outros 47% consideram que vale a pena apenas quando o estudante não precisa fazer empréstimos, enquanto 29% afirmam que não vale a pena.
Para Jahanian, esse cenário exige uma nova abordagem.
“Percebemos que precisávamos de uma nova perspectiva sobre como será o futuro do ensino superior”, disse Jahanian. “Então, em vez de organizar o campus em torno de escolas, faculdades, departamentos e cursos, ele é organizado em torno da noção de grandes desafios.”
US$ 1 bilhão também será destinado ao campus de Pittsburgh
Além dos US$ 2 bilhões destinados ao novo campus de Miami, US$ 1 bilhão da doação será investido no campus de Pittsburgh.
Metade desse valor, ou US$ 500 milhões, será destinada à Escola de Ciência da Computação da Carnegie Mellon, que passará a se chamar Kenneth C. Griffin School of Computer Science. Os outros US$ 500 milhões serão destinados às prioridades da universidade.
Maxwell Jones, estudante de doutorado da Carnegie Mellon com foco em pesquisa em inteligência artificial, falou sobre a importância do investimento.
“Uma coisa que está muito clara para mim é que é preciso fazer muita pesquisa sobre como as pessoas aprendem melhor e como será o ensino no futuro. E, portanto, estou muito animado para que a CMU esteja na vanguarda dessa pesquisa.”
Inteligência artificial e o futuro da educação
A expansão para Miami também está diretamente relacionada ao papel que a inteligência artificial vem desempenhando na transformação da educação, da pesquisa e do mercado de trabalho.
A Carnegie Mellon afirma que o novo campus pretende preparar estudantes para um mundo no qual tecnologias emergentes e inteligência artificial terão papel cada vez mais importante.
A proposta não é apenas formar profissionais especializados em tecnologia, mas reunir diferentes áreas para desenvolver soluções para problemas sociais complexos.
Esse conceito se aproxima da visão defendida por Griffin de que os estudantes precisam desenvolver a capacidade de aprender continuamente, em vez de depender apenas do conhecimento adquirido durante a graduação.
Ken Griffin e a defesa de mudanças no sistema educacional
Griffin vê sua doação como uma maneira de apoiar aquilo que considera necessário para melhorar o sistema educacional americano.
“Nós, da comunidade empresarial, precisamos apoiar nossas instituições de ensino superior e nos envolver ativamente em como podemos melhorar nossas escolas”, disse Griffin.
Jahanian também defendeu a necessidade de mudanças diante das transformações tecnológicas e econômicas.
“De vez em quando, você precisa se superar e enfrentar a urgência do momento”, acrescentou Jahanian. “E eu concordo plenamente com Ken que este é um desses momentos.”
A Carnegie Mellon afirma que o investimento de Griffin representa uma oportunidade para fortalecer sua estrutura em Pittsburgh e, ao mesmo tempo, criar em Miami um novo modelo de universidade voltado à integração entre educação, pesquisa, tecnologia, indústria e sociedade.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Por que Ken Griffin está doando US$ 3 bilhões para a Carnegie Mellon?
Ken Griffin está destinando US$ 3 bilhões à Carnegie Mellon University para apoiar a criação de um novo campus em Miami e ampliar investimentos na universidade em Pittsburgh. Do total, US$ 2 bilhões serão destinados ao campus de Miami e US$ 1 bilhão ao campus de Pittsburgh.
2. Quando o novo campus da Carnegie Mellon em Miami será inaugurado?
A construção do novo campus está prevista para começar em 2027, e a Carnegie Mellon planeja iniciar as matrículas em 2028, dependendo das aprovações regulatórias necessárias.
3. Onde ficará o campus da Carnegie Mellon em Miami?
O novo campus será construído em uma área de aproximadamente 35 acres no bairro de Wynwood, em Miami, na Flórida.
4. O que será estudado no novo campus da Carnegie Mellon em Miami?
O campus terá foco interdisciplinar e deverá reunir áreas como inteligência artificial, tecnologia, ciência, artes e pesquisa. A proposta é organizar parte das atividades acadêmicas em torno de grandes desafios sociais, como saúde, segurança, energia, clima e manufatura avançada.
5. A doação de Ken Griffin é a maior já feita para uma universidade?
Sim. Segundo a Carnegie Mellon University, os US$ 3 bilhões representam a maior doação individual já anunciada na história do ensino superior.



